O Coritiba é um clube encantador

Um time que, há meia década, luta contra o descenso. Um time que há 3 anos não ganha qualquer título, nem mesmo estadual. Um time que perdeu as duas últimas finais de estadual de forma contunndente. Um clube que viveu um caos político recente e ainda não o superou completamente. Este é o cenário de um clube que, há 107 anos, é encantador. E segue sendo.


Meu principal termômetro pra afirmar isso com tranquilidade são os ex-jogadores. Nem passa tanto pelo caso do Alex, que já se declarava coxa-branca antes do primeiro contrato com o time. Mas falo de Rafinha e Adriano, laterais que passaram aqui em 2005. São os principais nomes que reiteradamente declaram o desejo de voltar a vestir as duas faixas verdes no peito.


Divulgação/Coritiba
Divulgação/Coritiba


Se estes dois são de uma época diferente da que descrevi na introdução do texto, vamos a exemplos mais recentes. Vejam José Eduardo Bischofe de Almeida, o popular Zé Love. Chegou conhecendo pouco do clube, ficou pouco tempo, não foi campeão (pior que isso, foi campeão pelo rival em 2005). Mesmo assim, vira e mexe cita o carinho pelo Coxa.


Ontem, pelo facebook, foi a vez de Elisson, goleiro que hoje defende o Vila Nova (GO), declarar saudade do período no Coxa. Postou um vídeo com momentos aqui e encerrou com #coxadoidoprasempre. No fim de semana, tive a oportunidade de ouvir do pai de Rafael Veiga o carinho que guarda pelo Coritiba e pela cidade. Me deixou clara a gratidão que sente, dizendo que os momentos conturbados no fim do ano passado não apagam todas as outras benfeitorias que recebeu. E não são estes os 5 únicos que criaram vínculo com o clube.


Curiosamente, esse é um comportamento mais difícil de perceber no torcedor hoje. Este ano, vi várias postagens de orgulhosos ex-sócios, que "cansaram de dar dinheiro pra esse time", ou que ele "não merece mais a paciência". Não são poucos os que não comemoraram a vitória contra o Paraná e a classificação na Copa do Brasil. Talvez os mesmos que não conhecem o Coritiba e esperam que um sheik venha transformá-lo no PSG do dia pra noite.


Não há como não valorizar esse retorno dos jogadores. Não tenho nenhuma notícia de que algo parecido aconteça em outros clubes, de forma tão relevante e tão constante. Me traz a certeza que há algo de valioso no Coritiba que não morre mesmo com tanta dificuldade dentro e fora do clube. Ver esse carinho gratuito de quem esteve por aqui me faz acreditar que há atalhos para resultados imediatos, mas só há um caminho para a eternidade.