Que nunca duvidem de nossa força. Aqui é Corinthians!

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Aqui é Corinthians!


A atmosfera em Itaquera era coisa de outro mundo. Atmosfera igual, nesses mais de 15 anos em que frequento estádio, só vi recentemente no jogo contra o Vasco, em 2012 pela Libertadores. As arquibancadas cheias como já cansamos de ver, mas dessa vez com a torcida espalhada por todo o lado para cantar com mais força. 


A torcida atrás dos gols era como um coração: ditava o ritmo, incendiava o jogo nos momentos cruciais, talvez até no ritmo do batimento cardíaco de cada torcedor ao ver o Corinthians chegando ao gol. As arquibancadas laterais eram como os pulmões que mantinham o fôlego da Fiel torcida a mil por hora.


Em campo, um elenco tecnicamente mais fraco que o adversário, é bem verdade. Mas ontem foi na raça. A cada chutão que a defesa dava para afastar, gritos de comemoração vinham de todas as partes da torcida. Jogadores palmeirenses sentiam as milhares de vozes em seus cangotes. Costumo dizer que por vezes a torcida é como um ser vivo único. E certamente o Palmeiras sentiu a pressão, o ar quente, cada voz ali em seus ouvidos, que faziam o rival cheio de grife perceber que ali não teria alívio.


Aquele time em campo era Corinthians na alma. Vê-lo jogar é como ver o amor de sua vida, do jeito exato pelo qual você se apaixonou. Era aquilo: raça, vontade, entrega, Corinthians como tem que ser.


No lugar de jogadores badalados e estrelas fracassadas, vieram notáveis meninos da base. Maycon, Arana, Léo Jabá, Fagner, Jô. Gente com a cara de Corinthians, que se identifica com o clube, que entende os anseios do torcedor, que nasceu em berço alvinegro. Crias do Terrão.


Contra o atual campeão brasileiro e com tubos de dinheiro investidos em novas contratações, estávamos jogando de igual para igual até a expulsão absurda de Gabriel. Não existe perdão. Essa expulsão poderia ter definido os rumos do jogo. Keno foi desleal. Mas não existe fair play, era esperar demais deles num Derby.


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Com um jogador a menos durante todo o segundo tempo, o Corinthians se adaptou ao jogo e manteve sua postura defensiva que tem evoluído a cada partida. Nenhuma bola passaria ali ainda que a partida durasse semanas. William, ex-Corinthians, ainda conseguiu de longe arranhar a trave, assim como Gabriel, ex-Palmeiras fez no primeiro tempo. Uma aula de futebol acontecia em Itaquera. Chapéu duplo de Romero, chapéu de Kazim em Felipe Melo, caneta de Arana em Michel Bastos.


E mesmo com todas adversidades da partida, saiu um gol do Terrão. Aqui é Corinthians, não tem isso de "made in" ou "academia de futebol". Aqui é pé sujo de terra mesmo. E numa ironia do destino, Maycon, aquele que deveria ter tomado o cartão no lugar de Gabriel, parte na velocidade e rouba a bola do Guerra. Em duas tentativas, o segundo passe fura Zé Roberto e cai nos pés de Jô, que manda entre as pernas de Prass.


Êxtase alvinegro em casa. Jô, que já havia marcado contra o Palmeiras em 2004, volta e marca novamente. Fomos roubados o jogo todo, o Corinthians jogou melhor, com um a menos em campo, aquela bola nos pés de Jô demorou uma eternidade para entrar. O silêncio pré-gol em Itaquera era ensurdecedor. Empurramos todos aquela bola debaixo das pernas de Prass, todos juntos.


Para que nunca esqueçam de nossa força. Passamos de desacreditados e fracos tecnicamente à melhor defesa e segunda melhor campanha do campeonato em 38 segundos. 38 segundos de eternidade. É Derby, não tem favorito.


Foi contra tudo, apesar do clichê. Foi contra todos, foi contra quem pintava o elenco do time da Pompeia como o melhor de todos. Contra a arbitragem péssima que nos operou a sangue frio em Itaquera. Foi Corinthians ali. Quando torcida e time se unem nessa sintonia, não existe nada que segure. Nada.


Te amo, Corinthians. Mas te amo mais quando ganha clássico jogando na raça, na vontade, com gol entre as pernas do goleiro rival e com um a menos em campo.


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