O Chelsea não será campeão da Premier League em 2017/18. E está tudo bem

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Chelsea viria a conquistar a dobradinha do Campeonato Inglês na temporada seguinte. É difícil imaginar que o 'double' venha em 2017/18


Foram apenas oito rodadas da Premier League, mas lá no fundo já tenho plena consciência que o Chelsea não repetirá o double do Campeonato Inglês. Já tinha essa convicção antes mesmo das derrotas para Burnley, Manchester City e Crystal Palace. E na boa? Vida que segue. 



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Os Blues levantaram o caneco duas vezes seguidas sob o comando de José Mourinho pelas temporadas 2004/05 e 2005/06. O último clube que alcançou tal façanha, no entanto, foi o Manchester United de Alex Ferguson. Foram três taças consecutivas da Premier League (da temporada 2006/07 até 2008/09). Histórico, de fato. Desde então, o clube campeão não se repetiu nas edições posteriores.


Não há como negar que tanto Manchester City quanto United são os grandes favoritos ao título. São consecutivas goleadas e performances, se não sempre acompanhadas de um futebol bonito, ao menos eficazes.


Os elencos, que já eram excelentes, se tornaram ainda mais potentes com a vinda de grandes reforços. Por fim, existe a pressão interna para que os treinadores midiáticos não passem outra temporada a ver navios, principalmente no caso dos Citizens.


O nível de competitividade do Campeonato Inglês é algo único. Podem dizer que a La Liga está mais disputada, que desta vez a hegemonia da Juventus está com os dias contados na Itália ou que a Bundesliga não se resume a Bayern e Dortmund, mas no fundo a Premier League realmente é a liga mais disputada do mundo - o que não significa necessariamente demérito das outras ligas. 


Era previsível, portanto, que a magia que acompanhou os Blues ao longo da última temporada não se repetiria em 2017/18. Grande parte dos adversários evoluíram taticamente e elaboraram estratégias para frear o plano de jogo do Chelsea - o próprio Burnley provou isso logo na estreia desta edição em pleno Stamford Bridge, assim como o Crystal Palace mais recentemente. 


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Bakayoko foi o único que se salvou na pífia performance do Chelsea


Por outro lado, meu realismo (ou pessimismo, dependendo do ponto de vista) não significa que tenho sangue de barata a ponto de ignorar o restante desta temporada. Assim como muitos torcedores, também estou puto com a postura do Chelsea frente aos Eagles. Time apático, preguiçoso, pouca criatividade e horroroso defensivamente. 


Antonio Conte precisa rever algumas de suas escolhas. Não dá para continuar com Rüdiger no banco enquanto Cahill continua aprontando suas bizarrices lá trás. Até mesmo Christensen já faz por merecer mais minutos no time titular. Moses, como já era de se esperar, não é o mesmo da última temporada. Lesionado, agora é o momento de Zappacosta provar que pode estar entre os titulares.


De todas as escolhas duvidosas de Conte, talvez a única que seja consenso entre a torcida seja referente a Willian. O brasileiro vinha em ascensão desde 2015/16, mas o desempenho do camisa 22 nesta temporada é sofrível. Se contra o City sua atuação já foi ruim contra o Palace ele se superou e ainda deu de bandeja para que o adversário construísse a jogada do segundo gol. Precisa passar alguns jogos no banco até fazer por merecer mais minutos em campo. 


Uma coisa é admitir que, comparado aos rivais, o Chelsea está a alguns degraus abaixo e dificilmente será capaz de vencer consecutivamente a Premier League. Outra coisa é aceitar o fraco desempenho em campo. Diante da Roma, a expectativa é que, apesar dos desfalques, a postura da equipe seja bem diferente. 


Na Premier League pode ser tarde demais, ainda que, é claro, acreditaremos até o final - afinal, são apenas nove pontos de diferença para o líder. Mas há salvação para a Champions League. Basta acreditar.


No final das contas, futebol é realmente muito dinâmico. Se não der para os Blues nesta temporada na Premier League, paciência. A próxima temporada reserverá outros estilos de jogos, outros grandes craques e muito provavelmente um campeão diferente em relação à 2017/18. E assim a vida continua: consciente dos erros no presente para aperfeiçoar e almejar a glória no futuro.