Rejeições à parte, saldo do Chelsea no 'Deadline Day' é positivo

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Drinkwater e Zappacosta são apostas que podem surpreender no Chelsea


Deadline Day é divertidíssimo. No mundo do futebol, tal dia funciona como se fosse uma verdadeira novela mexicana: muito suspense, cheio de reviravoltas e desfechos improváveis. Por ser a última oportunidade dos clubes reforçarem seus respectivos elencos para a temporada, os torcedores se agitam a cada boato e, inevitavelmente, a expectativa fica lá no alto no aguardo de grandes nomes serem anunciados.



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 Então, quando o dia termina e o Chelsea sela as contratações de Zappacosta e Drinkwater, o sentimento de decepção é natural e até justificado. Afinal, quem diabos é esse tal de lateral-direito do Torino? E 35 milhões de euros pelo "Bebe Água"? Esse lado emocional do torcedor é totalmente compreensível. 


deadline day da temporada passada, por outro lado, nos ensina que não há motivos para tanto desespero. Em 2016/17, os Blues contrataram apenas Kanté, Eduardo e Batshuayi e só depois, no último dia de janela de transferências, chegaram então os questionáveis David Luiz e Marcos AlonsoO primeiro calou os críticos enquanto o segundo foi grata surpresa e nome importantíssimo na campanha do título da Premier League. 


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Zappacosta chega como um mero desconhecido, porém com o aval de Antonio Conte


A trajetória de 2017/18 segue a mesma linha: uma contratação de peso (Morata), Caballero para ser goleiro reserva e dois bons nomes para compor elenco (Bakayoko e Rüdiger). Zappacosta e Drinkwater, assim como David Luiz e Alonso, chegam sob desconfiança da torcida, mas Antonio Conte pode ser o fator decisivo para que possam brilhar em Stamford Bridge. 


Afinal, Victor Moses era um verdadeiro perna de pau antes do italiano assumir o cargo. Atualmente, quem diria, é dono da posição. Deixemos as críticas, portanto, para mais tarde. Agora é confiar no treinador e torcer para que o que temos à disposição seja suficiente para 2017/18.


Aliás, o que compreendemos aqui no Brasil como elenco, tanto em termos de quantidade como qualidade, dificilmente se aplicará no futebol inglês. Numa Premier League cada vez mais globalizada, ninguém quer ser um mero figurante no banco de reservas - todos querem ser vistos e valorizados. Por isso muitos atletas optam dar um passo atrás e jogar num time médio a ficar escondido num clube de elite. 


Essa questão, inclusive, ajuda a explicar as rejeições de Fernando Llorente e Ross Barkley ao Chelsea. O espanhol, já com 32 anos, não quer ser novamente uma espécie de "centroavante na hora do desespero" mais uma vez com Conte, quando trabalharam juntos na Juventus. Que seja feliz no Tottenham, onde definitivamente terá mais minutos de jogo do que se estivesse aqui.


Barkley, coitado, desperdiçou a oportunidade de crescer como jogador ao dizer não para os clubes interessados em seu futebol. O meia cairá no esquecimento nos Toffees e jamais saberemos se realmente é um grande jogador ou apenas mais uma das tantas promessas inglesas. Talvez apenas Ox Chamberlain seja uma não-contratação para lamentar, mas ainda assim é uma grande incógnita. 


No entanto, embora o deadline day do Chelsea não tenha sido catastrófico como muitos acreditam, críticas devem ser pontuadas. Mais uma vez, o planejamento não foi acertado. Se contamos com Zappacosta para a reserva de Moses, não há substituto para Alonso no lado esquerdo - somente Kenedy, que, convenhamos... O grande culpado disso tudo é Michael Emenalo, diretor de futebol, que faz péssimo trabalho e os recentes títulos disfarçam sua incompetência. 


Deixem de lado as brincadeiras. Se os rivais consideram que Fernando Llorente e Chamberlain como chapéu no Chelsea, bom, cada um se contenta com o que pode.


É hora de focar com o que temos e confiar que Conte irá extrair o máximo possível de cada atleta. Foi assim na temporada passada: ninguém deu muita bola e, quando se deram conta, já não dava para correr atrás.