A mesma tática, o mesmo Wembley: Chelsea repete 'jogo cirúrgico' para vencer o Tottenham

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Joga a luva, Lloris


 Num confronto entre Chelsea e Tottenham, coube ao gunner Thierry Henry, comentarista da Sky Sports, resumir perfeitamente a postura dos Blues em Wembley.



"O leão sempre será um leão. Eles o têm em seus escudos. Não tem nada a ver com Wembley o que aconteceu hoje. Chelsea aconteceu. Houve algo especial sobre o Chelsea hoje. Nós fizemos perguntas [após a derrota para o Burnley] e eles nos dêram a resposta."



Henry, que já enfrentou o Chelsea inúmeras vezes em sua carreira, sabe muito bem o que diz. Em outras palavras, o francês deixa claro que os jogadores do Chelsea não têm sangue de barata e que não se dão por vencidos tão facilmente.


A analogia do leão estampado no escudo a que se refere Thierry é o que nos motiva a crer até o final, mesmo em cenários tão desfavoráveis. O empate, ainda que decepcionante pela forma que ocorreu, já estava de bom tamanho, sobretudo por ser tratar de um clássico.


O Chelsea de Antonio Conte, no entanto, é insaciável: aos 43 minutos da etapa final, marcação pressão no campo de ataque, roubada de bola de David Luiz e contra-ataque letal. É disso que se trata os Blues - usar a desconfiança e adversidade a seu favor para surpreender.



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Pode-se dizer que este jogo foi uma espécie de déjà-vu da semifinal da FA Cup pela última temporada. Contra o mesmo Tottenham, do mesmo Pochettino, do mesmo Wembley, o Chelsea, à época, também se viu em apuros após o empate dos Spurs, mas não se deu por vencido e foi até o fim para selar a classificação quando tudo parecia favorecer o adversário. 


Neste domingo, a mesma estratégica cirúrgica deu resultado: dois chutes, dois gols. O time soube suportar a pressão adversária com sabedoria - dando o bote no momento exato. Mesmo a alteração foi providencial: Pedro deu um único passe na partida, que foi justamente a assistência para Alonso decretar o triunfo.


É interessante notar que o jogo letal do Chelsea continua impecável, já que esse estilo de jogo calculista pode ser fundamental numa competição mata-mata como a Champions League.  


Por mais que a vitória tenha sido construída por meio do jogo coletivo, as atuações individuais de David Luiz e do jovem Andreas Christensen abriram o caminho para que o Chelsea diminuísse a pressão dos Spurs em momentos cruciais do confronto.


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Dupla do Chelsea não deu tranquilidade para Harry Kane


Escalado como primeiro volante, o brasileiro, por exemplo, acumulou cinco desarmes na partida - mais que Wanyama, Dembele, Sissoko, Alli e Dier juntos, segundo o Squawka. Já o dinarmaquês, apesar do nervosismo no início do jogo, mostrou personalidade ao substituir Cahill, como se de fato fosse o dono da posição: 100% de aproveitamento nos passes e soberano no jogo aéreo, além das precisas interceptações e desarmes. 


Por fim, é claro, o show de Marcos Alonso. Nem o mais otimista torcedor dos Blues imaginaria que o ala espanhol, após passagens irregulares em tantos outros clubes, fosse resolver de vez a lateral esquerda.


O camisa 3 tem suas deficiências, mas é surreal sua inteligência dentro de campo: posicionamento, finalização, jogo aéreo... Se todo esse brilhantismo for um sonho, eu não quero acordar nunca mais. 


Três pontos essenciais para apaziguar o orgulho ferido pela derrota na estreia e não dar margem para uma eventual crise. A vitória não significa que o clube já está pronto para repetir as mesmas atuações da temporada passada, mas foi um começo. Que venha mais triunfos tão sensacionais ao longo da temporada.