Categoria de base é sinônimo de mercadoria para o Chelsea

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Aké tinha tudo para crescer no clube, que o vendeu num piscar de olhos


Os cinco jogos de Nathan Aké com a camisa do Chelsea em 2016/17 não significaram nada além de uma doce ilusão. Convocado para retornar aos Blues com a temporada em andamento, o defensor chegou com o aval de Antonio Conte e recebeu muitos elogios por conta das suas performances no Bournemouth, inclusive quando anotou o gol da vitória dos Cherries sobre o Liverpool.


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Seu principal momento neste retorno aos Blues definitivamente foi a atuação sólida contra o Tottenham em partida válida pela semifinal da FA Cup. Em meio a tantos grandes nomes naquela partida, Aké foi um pequeno gigante naquele triunfo.

Tudo apontava que o defensor, após mais alguns anos alternando a reserva e titularidade no clube, se tornaria um nome forte para o futuro da zaga. Eis que as cifras entraram em jogo e o Chelsea, é claro, tomou a atitude mais previsível: vendeu o atleta por míseros 20 milhões de euros novamente ao Bournemouth.

Antes dele, Dominic Solanke, outra promessa do clube, foi dispensado e comprado pelo Liverpool a custo zero. Poucos meses após deixar o Chelsea, o jovem de 19 anos foi um dos responsáveis pelo título da Inglaterra pelo Mundial Sub-20.

Bertrand Traoré, um dos alentos do Chelsea em meio à bizarra temporada 2015/16, foi vendido ao Lyon por €8 milhões. Resumo da ópera: três promessas deixaram os Blues por menos de 30 milhões de euros, o que, no futebol de hoje em dia, é uma mixaria.

Portanto, além de enxergar suas possíveis promessas como mercadorias, isto é, com finalidade apenas de fazer caixa, ainda faz negócios ruins, porque Aké, por exemplo, se melhor trabalhado dentro do clube, com certeza poderia ser vendido por um valor que fizesse jus ao seu futebol - 20 milhões de euros não é nada, e os Cherries saíram tranquilamente no lucro.

A questão das categorias de base no clube já foi discutida no blog, mas aparentemente em vão, já que não há perspectiva de mudança e bobo somos nós, torcedores, de sonhar algo que nunca irá se concretizar. Infelizmente o clube, por mais que se esforce, não apresenta um plano de carreira para os jovens. Nesse caso, o Chelsea serve apenas como uma ponte para o jogador tentar a sorte em outro time.

Por fim, o argumento de que o Chelsea é um clube em que a pressão é enorme e a chance dos jovens das categorias de base serem titulares são mínimas é válida até certo ponto. Será que Traoré ou Solanke não seriam úteis como suplentes, nem que fossem a terceira opção para o ataque? Ou mesmo Aké, que com certeza manteria o nível na equipe principal em caso de necessidade.

Kut Zouma, que não chega a ser uma revelação do clube, também é outro que pode deixar o clube caso se concretize a vinda de Antonio Rüdiger. Não seria mais negócio manter o zagueiro francês e investir em outro setor? Vai saber o que se passa na cabeça da comissão técnica do Chelsea.

A última grande revelação das categorias de base do Chelsea foi John Terry, que está com 36 anos e acaba de se despedir do clube. Pelo andar da carruagem, provavelmente será o único. Portanto, não adianta sonhar com outro cenário: jogador da base, aos olhos do clube, sempre será visto como uma potencial venda.