Chelsea: o mimado Conte e o orgulhoso Abramovich

Na teoria, o Chelsea, recém-campeão da Premier League, conquistada de forma incontestável, deveria desfrutar da tranquilidade e confiança para planejar uma temporada seguinte ainda mais vitoriosa.


Na prática, no entanto, o clube, através de seus próprios erros, vive um tormento completamente desnecessário, que poderia ser facilmente resolvido se o homem do dinheiro, Roman Abramovich, e o comandante italiano, Antonio Conte, agissem com um pouquinho mais de profissionalismo - requisito básico e essencial em qualquer profissão.


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Elogios e méritos à parte, Antonio Conte merece ser criticado pela sua conduta no episódio com Diego Costa. É desrespeitoso comunicar seu funcionário que ele está fora dos planos por meio um SMS. É loucura tal atitude e, se o clube tinha conhecimento da intenção do italiano e mesmo assim não impediu, é tão lamentável quanto - para dizer o mínimo. 


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Crianças, deixem de infantilidade e trabalhem em prol do clube


Fora isso, a pressão feita pelo treinador por reforços é válida até certo ponto. O Chelsea realmente necessita reforçar o elenco, mas ameaçar deixar o clube se tais nomes não chegarem é ser um tanto quanto mimado. É como o filho se rebelar contra os pais por não darem o presente desejado.




Mesmo porque a lista de Conte - Mertens, Van Dijk, Morata, Bonucci e Belotti - independente se tiver relação ou não com o agente do técnico, Federico Pastorello, não são jogadores tão fáceis de serem adquiridos, já que todos estão em alta em seus respectivos clubes. Num universo da bola onde qualquer atleta com um mínimo de destaque vale cerca de €50 milhões, jogadores que disputam Champions e são protagonistas valem praticamente o dobro. 


Tal situação, todavia, deveria ser fácil de ser resolvida. É questão de Abramovich se reunir com Conte e sua comissão técnica para avaliar as carências do time, avaliar as possibilidades dos nomes desejados e analisar outras opções no mercado.


Em outras palavras: trabalhar em conjunto. Não é tão difícil assim. Dessa forma, Roman precisa deixar de ser orgulhoso para ter condições de contornar a situação: não precisa ceder todas as vontades de Conte, mas precisa saber administrá-las. Assim como no caso Diego Costa: aplicar uma multa ao comandante ou coisa parecida não é o suficiente? Demiti-lo é realmente o melhor caminho? 



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É inadmissível o clube ainda não vir a público para dar explicações ao torcedor. Uma nota ou entrevista de 30 segundos de Antonio Conte se desculpando pela forma que agiu com Costa já seriam mais do que suficiente para, senão colocar um ponto final, pelo menos acalmar os ânimos. O silêncio, esse silêncio ensurdecedor, é muito pior. 


Contratações e novidades devem ser anunciadas somente a partir de 1 de julho, quando a Nike deverá ser anunciada como novo patrocinador esportivo. De qualquer maneira, não custa nada esclarecer as recentes polêmicas a seu torcedor, que deveria celebrar o excelente momento - pelo menos dentro das quatro linhas - ao invés de se preocupar pelo que virá a acontecer nas próximas semanas.