Elenco do Chelsea: a diferença entre 'bom momento' e qualidade

Pode soar oportunismo elaborar uma análise sobre o elenco dias após a derrota para o Arsenal pela FA Cup, mas a verdade é que, mesmo em caso de vitória, o Chelsea não poderia se deixar enganar pelo excelente momento e criar a ilusão de que possui um plantel invejável e imbatível. 



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No último sábado, a equipe de Arsène Wenger escancarou algumas falhas dos Blues e, por mais que o gol de Sánchez tenha sido irregular, os Gunners mereceram levantar o caneco da Copa da Inglaterra. Bom mesmo até para o Chelsea, que garantiu mais dois anos de contrato para o treinador francês.


De volta à análise sobre o elenco, sempre me incomodou a postura arrogante de times campeões. O Leicester City é um ótimo exemplo: a temporada 2015/16 foi uma exceção na história do futebol, já que o que aconteceu durante aquelas 38 rodadas foi algo surreal. Mas era evidente que toda aquela magia não se repetiria no ano seguinte, como se confirmou nesta temporada, quando o clube chegou a brigar contra o rebaixamento. 


É óbvio que há uma enorme diferença entre os Foxes e o Chelsea, mas a ideia é exatamente a mesma. Acreditar que Victor Moses e Marcos Alonso repetirão as mesmas atuações pelos próximos anos é clamar pela utopia. Ou mesmo que o trio Azpilicueta, David Luiz e Gary Cahill mostrará a mesma consistência defensiva.


O revés para o Arsenal deixa essa situação bem clara: Moses foi muito mal e encerrou sua participação com uma linda simulação que lhe rendeu o segundo cartão amarelo. Cahill foi extremamente inocente ao deixar Giroud cruzar para Ramsey, livre de marcação, marcar o gol do título. Situações que, na campanha vitoriosa na Premier League, dificilmente aconteceriam tamanha a competência e pitada de sorte do Chelsea ao longo das partidas. Por esse lado, a derrota foi excelente para dar esse choque de realidade.


Outro caso interessante foi a péssima exibição de Kanté. Muitos erros de passe, além do mau posicionamento em campo, que facilitou o trabalho dos meias e alas do Arsenal. De fato, foram noventa minutos para serem esquecidos. Mas foi bom para mostrar ao mundo que o volante é craque, mas tem seus dias ruins.


O torcedor precisa ter consciência de que Pedro, por exemplo, dificilmente repetirá as mesmas atuações na próxima temporada. Ele foi um dos ressucitados por Antonio Conte, mas é difícil imaginar que o espanhol continuará marcando gols decisivos, como, por exemplo, contra Everton, Bournemouth e Tottenham. A realidade eventualmente virá à tona e o Chelsea precisará se antecipar ao inevitável. 


Getty Images
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É difícil imaginar que Moses e Pedro voltem a repetir o ótimo futebol de 2016/17


Por outro lado, entramos no campo da qualidade, em que constam os nomes como Courtois, Fàbregas, Hazard, Willian, Azpilicueta e Diego Costa, entre outros. Já era esperado que estes atletas rendessem o esperado, então por isso eles se diferenciam daqueles que desfrutaram de apenas bons momentos. 


Não foi surpresa as lindas defesas de Courtois, muito menos o bom rendimento de Hazard e os gols de Diego Costa, assim como as assistências de Fàbregas e a regularidade de Willian e Azpilicueta. Tudo isso já fazia parte do planejamento, portanto esses jogadores já provaram sua competência dentro do elenco e são nomes confiáveis para a próxima temporada. 


Vale a pena lembrar, também, que a ausência dos Blues nas competições internacionais foi um diferencial na conquista da Premier League, já que disputou menos jogos que os demais rivais e, consequentemente, houve menos desgaste físico e lesões ao longo do campeonato. 


Próximo de uma confirmação, Antonio Conte deve prolongar seu contrato com o Chelsea e já conta com a promessa da diretoria pela busca de reforços - custe o que custar - uma vez que a Champions League é o grande objetivo para 2017/18.


É a oportunidade de qualificar de vez o elenco dos Blues para não correr riscos desnecessários lá na frente. Afinal, tudo que é bom pode melhorar.