Rivais, parem com a choradeira: méritos do Chelsea vão além de Abramovich

Magnata do petróleo russo. Megalomaníacos do dinheiro. Lavagem de dinheiro. Cifras para cá, cifras para lá. Não adianta: os rivais sempre usarão estas expressões como forma de deboche ou uma espécie de autodefesa para justificar a própria mediocridade. Eles parecem se sentir mais confortáveis assim. Que seja.



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Estou acostumado e levo numa boa, mesmo porque não há como negar: o Chelsea só é a potência que é hoje graças ao tal do petróleo russo que tanto falam por aí, ainda que o clube, antes da chegada de Abramovich, já fosse grande e com uma bonita história com títulos e ídolos históricos. 


Entretanto, o papo do Chelsea ser o clube com orçamento astronômico e que gasta como e quando quer é simplesmente choro de mau perdedor há, pelo menos, três temporadas. Você pode se doer pelo fato dos Blues terem um suporte financeiro excelente, mas é muito leviano atribuir os triunfos do clube somente ao dinheiro.


Segundo números do Transfermarket, site especializado em transferências e valores de mercado, o Chelsea, nas últimas três temporadas, nunca foi o clube que mais gastou com contratações, sempre atrás de City e United.


Aliás, em 2014/15, além dos clubes de Manchester, os Reds (151,43 M €) desembolsaram mais que os Blues (137,70 M €). O detalhe mais curioso é: sem gastar nada muito absurdo (foram seis reforços, sendo apenas três relevantes financeiramente, como Fàbregas, Diego Costa e Filipe Luís), o Chelsea faturou a Premier League daquela edição.


Getty Images
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Costa, Hazard e Fàbregas são exemplos sobre como o Chelsea aprendeu a gastar sem fazer loucuras


É uma questão, portanto, que vai muito além das cifras - é saber gastar dinheiro. Foram 38,00 M € por Costa e 33,00 M € pelos serviços de Fàbregas, que. ao lado de Hazard. brilharam na campanha vitoriosa do Chelsea. Por outro lado, tem muito rival que desembolsa quantias similares por atletas que não justificam o alto valor em campo e acumula, a cada ano, temporadas fraquíssimas. 


A atual temporada também evidencia que o diferencial está na qualidade das contratações, não na quantidade. Embalado pela chegada de Pep Guardiola, City desembolsou 213 M €; United 185 M €; Chelsea 132 M €; e o Arsenal logo atrás com 113 M €. Chegaram Marcos Alonso, David Luiz, Kanté e Batshuayi - todos com a devida importância na conquista do título. 


No final das contas, somadas as últimas três temporadas (2014/15, 15/16, 16/17), o Chelsea faturou com vendas (342 M €) quase a mesma quantia em que gastou em contratações (360 M €). Sem loucuras. Nada de orçamento astronômico. Pode acreditar: o clube tem sido exemplo no que se refere à gestão financeira.


Se os números ainda não são convicentes, basta lembrar que em 2015/16 o campeão foi o Leicester City, cujo orçamento chega a "míseros" 50 M €. Então fica o questionamento: até quando o mimimi em torno do dinheiro será usado como argumento? Será que é somente os milhões que fazem a diferença na hora de uma conquista? 


Não há como negar o impacto do dinheiro no universo do futebol. A tendência, inclusive, é que se gaste ainda mais nos próximos anos. Existirão novos Pogbas e Higuaíns pela frente. Mas já é hora de pensar fora da caixa: dinheiro é bom, mas não é tudo. É preciso mais autocrítica e menos 'mimimi'.