Avisem os rivais: título da Premier League marca o início da Era Conte no Chelsea

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Canhota oportunista: Batshuayi garantiu o título do Chelsea diante do West Brom


Batshuayi não começou como titular em nenhuma partida nesta edição da Premier League, sendo um mero reserva de Diego Costa para jogar não mais que vinte minutos. No entanto, enquanto o belga se aquecia, pensei comigo mesmo: "É a cara do Chelsea ser campeão com gol dele".


Poucos minutos depois, não deu outra: lá estava o centroavante para se atirar dentro da pequena área e empurrar com o pé esquerdo e garantir o título antecipado do Campeonato Inglês - 1 a 0 contra o West Brom e pela 6ª vez campeão inglês. 


Este gol do Batshuayi evidenciou um pouco do que foi o time ao longo da competição: essa mistura de testes e situações improváveis que deram muito certo. Exemplos não faltam: David Luiz tornou-se xerife da zaga, Victor Moses destruiu na ala direita e Pedro voltou a jogar o que sabe. 



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É importante deixar claro, no entanto, que os Blues foram campeões com extrema competência. Foi um título inquestionável. A sorte, é verdade, esteve com o time em muitas ocasiões, mas o clube foi maior que isso para sair com a taça.


Este foi um campeonato em que o foco esteve muito mais nos treinadores do que necessariamente nos atletas. Com José Mourinho no United e Pepe Guardiola no City, ninguém deu muita bola para Conte no início e isso foi excelente porque não houve pressão logo de cara e os holofotes foram voltados aos times de Manchester, muito por conta das contratações astronômicas que faziam a cada semana.



Conte teve o respaldo da diretoria e o objetivo traçado era voltar a disputar a Champions League. Teve calma e tranquilidade para conhecer todos os jogadores e depositou confiança no futebol de cada um, até mesmo daqueles que sequer cogitavam a possibilidade de estar com a equipe principal. 


Deu o aval para que o clube fosse atrás de David Luiz, mesmo diante de tanta desconfiança. Promoveu competitividade entre os jogadores, visto principalmente no setor de meio-campo com Kanté, Matic e Fàbregas. Bateu de frente com Diego Costa e fez o centroavante repensar seu futuro no clube. E o melhor de tudo: investiu nas categorias de base. 


É claro que seu estilo apaixonado e comemorações inusitadas mexeram com a emoção dos torcedores, mas foram essas decisões que o italiano tomou em pouco tempo de clube que fazem dele o grande personagem desta conquista.


Embora o Chelsea seja um clube que tradicionalmente não dá vida longa a seus treinadores, tudo indica que, com a conquista da Premier League e a chance de vencer a FA Cup contra o Arsenal, o reinado de Antonio Conte está apenas no início e promete ser duradouro.


A expectativa para a próxima temporada tem nome e sobrenome: Uefa Champions League. Tendo em vista que o Chelsea se tornou uma equipe cirúrgica e letal, numa competição mata-mata essas características fazem a diferença, assim como foi em 2012 nas vitórias sobre Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern de Munique. 


O próximo passo será buscar o título da FA Cup diante do Arsenal no próximo dia 27. É outra oportunidade de levar mais uma taça pra Stamford Bridge.


É bom os rivais estarem avisados: a Era Conte só começou.