O remodelado Matic, volante que tem mais assistências que Özil

Getty Images
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Dupla de sucesso: Conte melhorou ainda mais o futebol do já ótimo Matic


Se Fernando Torres estivesse neste Chelsea comandado por Antonio Conte, provavelmente o espanhol estaria entre os principais artilheiros. Afinal, cenários inimagináveis tornaram-se realidade depois que o treinador italiano assumiu o clube.



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Temos acompanhado a ressureição de Victor Moses e a volta por cima de Pedro e David Luiz, jogadores que têm se destacado e sendo peças vitais nesta temporada. Mais discreto, mas sempre eficaz em suas obrigações, Matic é mais um jogador que apresenta clara evolução em seu futebol. 


No início da temporada, quando Conte deixou Fàbregas no banco para escalar Matic ao lado de Kanté, criou-se a suposição de uma equipe retranqueira, já que tanto o francês quanto o sérvio são considerados volantes mais marcadores.


Bastaram algumas rodadas, no entanto, para comprovar que ambos são muito mais que apenas desarmes. No caso do francês não chega a ser uma surpresa sua qualidade para aparecer no ataque, uma vez que já exercia essa função no Leicester. Por outro lado, o torcedor ainda não havia sido apresentado a um remodelado Matic: especialista em assistências.


Não sendo completamente titular e basicamente com a mesma quantidade de jogos que o astro do Arsenal, a estatística não mente: Matic acumula sete assistências na Premier League enquanto Özil tem apenas seis. Outros jogadores com características similares, como, por exemplo, David Silva e Lallana têm apenas uma assistência a mais que o sérvio.


A comparação com o meia alemão não é no sentido de deboche, mas sim ressaltar a evolução de Matic como atleta. Afinal, não é pouca coisa quando um volante como o camisa 21 se reinventa dentro de campo e tem mais assistências que um especialista em deixar o companheiro na cara do gol.


Contra o próprio Everton, Matic deu o passe para o golaço de Pedro. Antes disso, fez um belo lance ao arrancar do meio-campo e finalizar para a defesa de Stekelenburg. É um jogador muito mais participativo em campo, sendo importante na transição da defesa para o ataque. Como se não fosse o suficiente, de vez em quando ainda marca belos gols. Lloris sabe bem disso.


Quem não gostou nada disso foi Fàbregas, que perdeu espaço no time. De qualquer forma, continua sendo essencial: em menos jogos, deu nove assistências. Assim como Matic, o espanhol também mudou sua característica de jogo: manteve a qualidade do passe, mas aperfeiçoou o poder de marcação. Sob o comando de Conte, o camisa 4 é um jogador muito mais combativo do que era quando treinado por Mourinho - o que também não é uma crítica, apenas uma constatação de filosofias diferentes de trabalho.


A maior qualidade de um técnico é saber extrair todo o potencial de seus jogadores e o Chelsea de 2016/17 funciona exatamente desta forma. 


Ninguém imaginava que, perto da reta final da Premier League, veríamos Azpilicueta sendo um dos melhores zagueiros do campeonato, Victor Moses dando aula sobre como ser ala e Matic teria mais assistências que Özil. Todos os méritos para Antonio Conte, que consegue enxergar além do óbvio e por isso é um cara diferenciado.