Capitão, Líder e Lenda: Terry deixa o Chelsea como um gigante

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Capitão, Líder e Lenda: a faixa que acompanhou os 22 anos de carreira de Terry no Chelsea


Não queria que Terry cobrasse aquele pênalti em Moscou. Sua expressão, pálida e temerosa, em direção à marca do cal era o registro da tragédia anunciada. Escorregão. Trave. Festa do rival. Choro, dor e desolação. Anelka ainda pararia em Van der Sar, mas a eliminação já tinha sido sacramentada no chute do camisa 26.


Xinguei até a última geração da família do nosso capitão. No entanto, passado os momentos de raiva, lá estava eu novamente dando o maior apoio a Terry. Fui solidário porque sempre acreditei em histórias de recuperação e volta por cima. Talvez seja por isso que eu me identifique tanto com a história de um dos maiores ídolos do Chelsea, que deixará o clube ao final desta temporada.


O fato do texto relembrar de um dos piores momentos do defensor é proposital, porque a carreira de Terry nunca foi fácil. Sempre precisou superar os empecilhos - muitos, vale lembrar, causados por ele mesmo - à sua volta para seguir adiante. Mas, afinal, ele é um ser humano. E nós somos falhos.   


Errou muito. Foi infeliz no episódio que envolveu o colega de profissão Wayne Bridge, assim como na polêmica com Anton Ferdinand, acusado de racismo. Eu sei: Terry não é flor que se cheire. Mas ele aprendeu com suas falhas e seguiu em frente. 


Não há muito o que dizer sobre o capitão dentro de campo. Trouxe consigo o espírito de liderança e não demorou muito para ser nomeado como capitão da equipe. Foram 578 jogos com a faixa acoplada ao braço esquerdo em 713 ocasiões. Não é pouca coisa.



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Não foi um defensor extremamente técnico, mas esteve longe de ser um perna de pau. Quando perdeu agilidade, compensou com posicionamento exemplar em cada lance, sendo, aos 34 anos, na temporada 2014/15, eleito um dos melhores zagueiros da competição.


Soube se adaptar ao novos tempos, inclusive quando perdeu a vaga de titular depois de se lesionar ainda nesta temporada. Respeitou a decisão do treinador e tornou-se uma espécie de conselheiro de Conte. Atitude digna de um capitão.


O anúncio do adeus de Terry já era esperado, mas ainda assim causa tristeza. Depois de Cech, Lampard, Drogba, Ivanovic, Ashley Cole, Mikel, entre tantos outros que contribuíram para a história grandiosa do Chelsea, John Terry, o primeiro a chegar, agora torna-se o último a sair.  


Que a última lembrança que tenhamos de Terry seja acompanhada de algum título, seja da Premier League ou FA Cup. Ou, por que não, as duas.


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Cena que deixará saudades


Seria simbólico: uma despedida vitoriosa para um vencedor. 


Ao nosso Capitão, Líder e Lenda, obrigado por ser a personificação do torcedor dentro das quatro linhas. Obrigado por cada gol, por cada desarme e por cada taça erguida. Você sempre foi e será um gigante.