O dia em que o Barcelona parou na retranca do Chelsea

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Messi e companhia pararam na retranca do Chelsea


Indignado. Esta foi minha reação após o 6 a 1 do Barcelona sobre o Paris Saint-Germain no Camp Nou. E olha que, obviamente, nem sou torcedor do time francês.


Não consegui sentir o que muitos proclamaram como "vitória do futebol". Não tiro o mérito do Barcelona, que realmente jogou o fino da bola e, pênaltis duvidosos à parte, mereceu a classificação. De qualquer forma, a explicação para minha indignação vem de uma partida que aconteceu em 24 de abril de 2012. 


Foi quando o Chelsea encarou o Barcelona, no Camp Nou, em circunstâncias muito mais difíceis do que o PSG nesta última quarta-feira. Após a vitória no jogo de ida pelo placar mínimo, os Blues visitaram os espanhóis pelo jogo que ficou marcado na história e lembrado com muito carinho pelos torcedores ingleses. 



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Com um time mais pragmático do que habilidoso desde o início da Champions, o Chelsea foi com a clara proposta de "estacionar o ônibus" e aproveitar as poucas oportunidades que teria durante os noventa minutos. Aliás, este é um ponto importante: quanto mais admitirmos que a retranca, por mais feio que seja, é uma forma válida de se defender, mais cedo evitaremos o "mimimi" pela frente.


De volta à partida, tudo apontava que o Chelsea, cedo ou mais tarde, cederia à pressão dos espanhóis, ainda mais após a lesão de Cahill aos 12 minutos da primeira etapa, dando lugar a Bosingwa. Que loucura. Para piorar ainda mais a situacão, com o Barcelona já à frente no marcador, John Terry foi expulso ainda no primeiro tempo.


Aproveitando a vantagem de jogar com um homem a mais, Iniesta ampliou o placar. Parecia que todo esforço no jogo de ida tinha ido por água abaixo em menos de 45 minutos. Eis que, num lance mágico de Lampard, o camisa 8 encontrou Ramires livre marcar de cobertura e diminuir a vantagem do Barcelona.


Se apenas o primeiro tempo já tinha sido pra lá de emocionante, a etapa complementar foi extremamente eletrizante. Drogba fez pênalti em Fàbregas e Messi foi pra bola. Diferente do que é jogar pelo Arsenal, Cech foi gigante e deixou o gol do Camp Nou pequeno para Lionel Messi, que acertou o travessão. 


A partir do pênalti desperdiçado, o Chelsea fez o que se espera de uma equipe em desespero para manter o placar favorável: fechou ainda mais a casinha e passou boa parte do segundo tempo atrás do meio-campo, somente dando chutes pra frente. E foi exatamente num desses chutões que a bola encontrou carinhosamente Fernando Torres, que caminhou sozinho em direção à Valdés. O camisa 9 driblou o goleiro e anotou o gol que tranquilizou e sacramentou a classificação dos Blues.


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Torres é abraçado pelos companheiros após o gol marcado


São poucos os clubes que conseguem segurar o Barcelona dentro do Camp Nou. É um time incrível, que cria chances a cada minuto. É uma pressão enorme. Exatamente por estas razões que a heroica classificação do Chelsea é lembrada com carinho no que se refere à jogos emocionantes. 


Muito se discute a prática do Chelsea em jogar na defensiva, desde Roberto Di Matteo e passando por José Mourinho até Antonio Conte. Mas a verdade machuca e não custa nada lembrar àqueles que criticam esse estilo de jogo: se o PSG jogasse da mesma forma e dedicasse ao estilo defensivo como fez em Paris, esse vexame não teria acontecido. 


Precisamos admitir que o "park the bus" é válido e dá resultado. Se não fosse por isso, os Blues não teriam conquistado a taça da Champions. Vergonha por ter conquistado o título desta forma? Claro que não. Vergonha é ter uma vantagem de quatro gols, mais o gol marcado fora de casa, e mesmo assim ser eliminado.


Odeiem ou não, a retranca, em casos como nesta partida, é mais do que bem-vinda.