43 motivos para o Brasil torcer pela Chapecoense

Hoje, dois dias depois de ter conquistado seu sexto quinto título estadual, a Chapecoense completa 43 anos de fundação. Mesmo sendo o time mais jovem a disputar a Série A atualmente, o Verdão do Oeste já conquistou boa parte do Brasil por ser carismático e brincar mesmo com a desgraça. Muita gente ainda não conhece a história da Chapecoense e pode até não acreditar quando dizemos que todas as conquistas sempre foram resultado de grandes batalhas, dentro e fora de campo. Somos feitos de histórias de coragem, de humildade, de bizarrices e, como não poderia ser diferente, de pisadas na bola também. É uma montanha-russa imensa e infinita.


Então, para homenagear essa loucura, reuni 43 dessas coisas que nos movem. Motivos que nos fazem ter muito orgulho da Chapecoense e de sua história, mas principalmente das pessoas que a constroem dia após dia.


Gazeta Press
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Aproveitem!


1 - A Chapecoense nasceu debaixo de uma árvore


Em 10 de maio de 1973, Altair Zanella e Vicente Delai conversavam em uma barbearia no centro de Chapecó, quando Lotário Immich os chamou para o lado de fora, convidando também à conversa Alvadir Pelisser. Os quatro eram amigos há muito tempo. Na calçada em frente à barbearia, na sombra fresca de uma árvore, Lotário mostrou o escudo que havia desenhado e perguntou: "Vamos fundar um time de futebol?". Delai achou que o amigo estava ficando louco.


2 - Uma das motivações na criação da Chapecoense foi a representatividade


Em Chapecó, o futebol sempre teve esse pendor de servir como um ambiente igualitário de representação, tanto que, antes do surgimento da Chapecoense, o Campeonato Citadino era um dos grandes eventos sociais do município, disputado por times que representavam bairros e distritos. No entanto, no início da década de 70, a empolgação pelo futebol arrefeceu e os dois principais times, Atlético e Independente, fecharam as portas. O município sentia a ausência do esporte nos domingos. Além disso, Chapecó vivia a prosperidade dos sistemas integratórios na agroindústria e já começava a se impor como potência estadual. A Chapecoense veio para dar representatividade ao Oeste do estado diante do Litoral, onde muitos ainda sustentavam estereótipos antigos sobre casos de violência acontecidos em Chapecó nos anos 50. Dentro de campo, Oeste e Litoral disputavam de igual para igual.


3 - A Chapecoense conquistou seu primeiro título quando tinha só quatro anos, em 1977


Mesmo com um dos menores orçamentos entre os times que disputavam o estadual, a Chapecoense conseguiu montar um plantel bastante competitivo. O técnico Edgar Ferreira organizava o time em sistemas abertos, como o 4-3-3. Em jogos em casa, o treinador chegava a utilizar cinco jogadores na linha de frente, impedindo que o adversário saísse jogando. Já na casa dos algozes, Ferreira preferia reforçar o meio de campo e colocar apenas dois atacantes. Com o nível alto de treinamentos e a baixa incidência de lesões, o time pouco variava. Luís Carlos; Cosme, Carlos Alberto, Décio, Zé Carlos;  Janga, Valdir (Bico Fino), Sérgio Santos; Wilsinho (Jaime), Jorge Ratão e Eluzardo era a composição do time titular.


O Campenato Catarinense de 1977 foi uma verdadeira Babilônia. A Chapecoense começou com o pé esquerdo, com uma derrota simples e sem emoções diante do Joaçaba, que já era um adversário e tanto para a Chapecoense – principalmente pela rivalidade entre as cidades, que cresciam larga e competitivamente no Oeste. A recuperação da Chapecoense na primeira fase, por sua vez, não tardou. Em 14 jogos, foram 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Depois de ser dividido em umas seis fases diferentes, a Chapecoense disputou o Pentagonal Final, onde teve um desempenho chamativo, e disputou a final contra o Avaí, vencendo por 1 x 0 na decisão no Estádio Regional Índio Condá. Chapecó festejou por três dias seguidos.*


4 - Só em Chapecó você pode comprar um cachorro-quente da Chapecoense tão oficial, mas tão oficial, que quem serve ele é o volante do time campeão de 1977


Cissa Soletti/Chapecoense
Cissa Soletti/Chapecoense

Janga é conhecido em toda a região pelo cachorro-quente, que vende há anos, na companhia da esposa. Recentemente, a Chapecoense homenageou o mito com um novo trailer, personalizado. Sandro Pallaoro comprou o primeiro dogão


5 - Por causa do título de 77, Chapecó ganhou várias coisas


O título de Campeã Estadual não mudou somente a história da Chapecoense. Uma nova atmosfera de respeito envolvia o time dentro do cenário estadual. Dentro do clube, teve início um processo de renovação. Edgar Ferreira havia se despedido do time ainda no fim de 77, quando ocorrera também a troca no comando do clube, e Edney Moraes de Carvalho assumia a presidência da Chapecoense, tendo Gentil Galli como vice. Áureo Malinverni fora designado como novo técnico da equipe. O Avaí, enquanto isso, insistia na justiça desportiva que o título era ilegítimo. A conquista deu ao Furacão do Oeste a oportunidade de disputar o campeonato nacional de futebol, então denominado de IV Copa Brasil. Chapecó passou a viver um novo momento. No dia 7 de janeiro de 1978, o jornal Folha D’Oeste já noticiava os investimentos do prefeito Milton Sander e do Secretário de Negócios do Oeste, Dr. João Valvite Paganella.


Dentro de 180 dias, Chapecó ganhou cara nova. O palco do primeiro título da Chapecoense já contava com novos vestiários, túnel de acesso, dispositivos de segurança, sanitários, um pavilhão coberto com 1.560 cadeiras, duas cabines de imprensa para TV, nove para rádios e dois bares. A obra era realizada através da CODEC, Companhia de Desenvolvimento de Chapecó, presidida por Ivan Bertaso, que mantinha um regime de rodízio permanente de 300 funcionários e sete construtoras. O novo Regional Índio Condá seria capaz de abrigar cerca de 8.500 pessoas na “arquibancada geral”, além de 9.500 na “arquibancada popular”. Veio o asfaltamento da porção central do município, o comércio foi aquecido com o surgimento de novas empresas e mesmo a região Oeste se uniu para provar que haviam cerca de 110 mil oestinos empurrando a Chapecoense. Além disso, já estava em curso a construção de um novo aeroporto, exigência tanto da CBD quanto da crescente vivida por Chapecó. As novas instalações contariam com uma pista de pouso de 1.500 metros. “A Varig está instalando um moderno sistema de proteção ao voo, com rádio-farol e controle, inclusive para pousos e decolagens noturnos”, informava a edição de 7 de janeiro de 1978 do jornal Folha D’Oeste. O novo momento do futebol chapecoense foi celebrado com um amistoso diante do Vasco da Gama.*


6 - A Chapecoense foi Campeã Catarinense também em 1978. Mas a Federação Catarinense de Futebol resolveu não reconhecer esse título


7 - Na verdade, convenhamos: os anos 70 foram algo bem obscuros no futebol em Santa Catarina.


Arquivo/Revista Placar
Arquivo/Revista Placar

Campeonato Catarinense, um "negócio cabuloso"


8 - Demorou quase vinte anos para a Chapecoense voltar a levantar a taça do estadual. O clube chegou a disputar outras finais, em 1991 e 1995. Antes até, em 1987, chegou a ter o artilheiro da competição, mas só foi bater de verdade em 1996. Nesse meio tempo, as dificuldades financeiras do clube foram imensas, e a saúde financeira do clube dependia muito da boa vontade do povo oestino



"Em 1981, com o Silvio Soprana, a Chapecoense começou a fazer alguns bingos. Se fazia no Ginásio de Esportes e se sorteava motos, até automóveis. Aquilo se vendia na região toda. As cartelas eram mais caras, mas os prêmios eram melhores e os números, reduzidos. Se vendia, por exemplo, 2.500 cartelas, que era a capacidade do Ivo Silveira. Como eu era coordenador regional do BESC, e tinha 45 agências na época sob a minha responsabilidade, eu viajava muito na região. O Silvio veio falar comigo para pedir ajuda na distribuição das cartelas de bingos e até de rifas que se fazia na época. Se fazia umas rifas maiores, pela Loteria, e aí eu mandava para todas as agências do estado. Os bingos eram mais locais. E aí a Associação dos Funcionários do BESC ajudava nisso, nós pagávamos uma pequena comissão para quem ficasse responsável. Aquilo foi uma febre. Lotava sempre, vendia tudo. Muito da renda vinha dali."



- Casquinha, ex-jogador, ex-diretor e ex-presidente da Chapecoense


9 - Topamos até com algumas insensibilidades que não precisavam acontecer



"Era fora da temporada de verão, e a Chapecoense, até pelas dificuldades financeiras, conseguiu um hotel na Praia da Joaquina, em Florianópolis. Ela jogou no meio da semana, quinta-feira, contra o Marcílio Dias, e jogava novamente contra o Avaí na terça-feira. E aí, para não ter que voltar, acabaram conseguindo um preço baratíssimo na Joaquina, com hotel e refeição, para ficar lá até o jogo. A Chapecoense era muito limitada, mas a dificuldade une, e o time era guerreiro. Depois de um trabalho físico pesado na praia, vários jogadores se jogaram no mar. Mas um deles foi bem à esquerda da praia, onde há uma pedra muito grande, e deu um bico. O Rogério. Ele ainda voltou para a superfície uma vez, e não voltou mais. O Crespo, que era preparador físico, se jogou na água para tentar buscar ele, o Joarez também, foi uma loucura. O Crespo até ficou em uma situação complicada, teve que passar por respiração boca-a-boca, mas ninguém conseguiu salvar nem encontrar o jogador. Aí o seu Moacir Fredo, que era responsável pela delegação, foi até o Avaí para pedir o adiamento do jogo. O presidente do Avaí disse que não. A Chapecoense entrou em campo e perdeu o jogo por 2 x 0 com o Rogério ainda no mar, foi encontrado só na quinta-feira, depois que a Chapecoense já havia voltado. Com muita dificuldade a Chapecoense conseguiu até pagar as despesas do funeral do Rogério. Isso aconteceu em 1988. Era um jogador rápido, meia-atacante, trabalhava de perna esquerda. Foi muito triste. Um dos acontecimentos da história que eu jamais vou conseguir esquecer. Faltou sensibilidade do Avaí. Por isso, jogue com quem for, para mim o grande adversário da Chapecoense será sempre o Avaí."



- Ivan Carlos Agnoletto, comunicador da Rádio Super Condá.


10 - A emoção com os anos 90 foi tanta que a Chapecoense protagonizou um dos fatos mais pitorescos da história do futebol catarinense



11 - Depois da segunda estrela, a Chapecoense embarcou em mais um período de vacas magras. O caminho ladeira abaixo era tão sinuoso que o clube chegou pertinho de fechar as portas, entre os anos de 2001 e 2004


A virada do milênio não trouxe bons presságios para a Chapecoense. No início dos anos 2000, os cofres começaram a rarear e o time prospectado tinha limitações sérias. O mau desempenho no Campeonato Catarinense de 2001 levou o Verdão ao rebaixamento, e foi preciso disputar uma seletiva em 2002 para voltar à primeira divisão. A Chapecoense fez por onde e encarar a segunda divisão foi fichinha. A final que deu o acesso ao Furacão do Oeste foi contra o Kindermann, de Caçador. O primeiro jogo aconteceu na casa do algoz. Quem abriu o placar foi Benson, para a Chapecoense, no primeiro tempo. O time de Caçador conseguiu igualar o placar no segundo tempo, com gol de Mário Sérgio. Rapidamente, a Chapecoense sacou mais um tento dos pés de André. Em uma falha da zaga, o Kindermann empatou com gol de Nikimba. O empate por 2 x 2 concedeu à Chapecoense a vantagem.


Já o jogo de volta foi carregado de emoção. A torcida do Verdão via em seu time a face da recuperação e da resistência, um perdão mais do que justo pelos anos de poucas alegrias. Com o Índio Condá lotado, o placar seguiu igual. No primeiro tempo, gol do Kindermann com Liminha e gol da Chapecoense de pênalti com Viton. Na prorrogação, a confirmação do acesso, gol do time de Caçador com Roni e do Verdão novamente com Viton. O final da partida foi coroado com cinco torcedores pagando uma promessa divina: de joelhos, juntos cruzando o gramado de ponta a ponta. Que atire a primeira pedra quem não nega fogo ao seu time.


O fundo do poço nas finanças veio em 2003. Com dívidas até o pescoço, a Chapecoense mudou a personalidade jurídica ao associar-se com o próprio Kindermann, adotando como nome "Associação Chapecoense Kindermann/Mastervet". O treinador Cacau, conhecido do Verdão de 1989 e 1993, assumiu novamente o comando do time, que tinha o Kindermann como base. A parceria se desfez em 2004.


12 - As coisas foram começar a melhorar lá em 2006, quando a Chapecoense teve sua administração reorganizada e conquistou a Copa Santa Catarina. Com a taça da Copinha, a Chapecoense entrou em 2007 embalada



13 - Mas não muito, não. Por isso, em 2007, o técnico Agenor Piccinin precisou colocar em prática a Lei do Envelope



"Nós estávamos com dificuldades de resultados. Quando nós ganhamos a Copa Santa Catarina, nós iniciamos o campeonato, ganhamos do Figueirense na estreia, empatamos duas, perdemos de 4 x 1 para o Avaí e voltando em casa empatamos, aí virou crise. E a gente começou a pesquisar por que o grupo não estava correspondendo. Havia alguns jogadores que estavam na conquista da Copa, eles se sentiam meio donos e começaram a fazer uns grupinhos e sair na noite, principalmente em uma roda de pagode nas quintas-feiras que é famosa até hoje. E aí vou falar para quem? Para o meu diretor é que não. Aí tomei a atitude de ir até esse pagode e falar com dois dos garçons. Aí eu pedi: "quanto você ganha?", e ele respondeu "R$ 50". Eu disse "então tá, te pago R$ 100, mas tu fotografa pra mim todos os jogadores que estiverem aqui bebendo". No dia seguinte eles chegaram para pegar o dinheirinho deles e me trouxeram umas doze fotos do pessoal que estava na festa. Aí eu peguei as fotos, coloquei em um envelope e pedi para o preparador físico segurar.


Juntamos o grupo no vestiário, eram 28 atletas, reunião para falar do comportamento. Aí eu mandei o preparador colocar a mão no envelope e tirar algo de lá, mas ninguém sabia o que tinha lá dentro. A primeira foto que ele tirou foi logo o nosso centroavante com um copo em uma mão e uma cerveja na outra. Aí eu falei: "Tá vendo aqui? Vai pro DM direto". Na segunda, outro cara, e eu falei: "Tá vendo? Não deu um chute, não tem nem salário no clube, e já está na noite". Quando o preparador foi tirar a terceira foto, dois jogadores levantaram e falaram: "não, espera aí professor, vamos negociar".


Fizemos um acordo e decidimos que ia ter um churrasco nas segundas ou terças-feiras, junto com as famílias, e era só aí que eles podiam beber. E aí ficamos 23 jogos sem perder em casa e formamos uma família. Até o fim da temporada ficou o medo do envelope."



- Agenor Piccinin, ex-treinador


14 - Com a união estabelecida novamente, foi necessário adotar técnicas além da tática



 "Eu chamo 2007 de título da humildade. Foi o campeonato mais barato que a gente fez. E todo mundo participou, a cidade, a imprensa, todo mundo com fé, com religião, com oração, todo mundo indo ao campo nos ajudar a empurrar os caras, indo ao campo para ajudar com os furos de caixa. Na época a gente implantou aquele momento de oração no meio de campo. Em todos os treinos, da manhã e da tarde, a gente rezava uma Ave Maria e um Pai Nosso. E aí os meninos da imprensa tiravam foto daquele círculo no meio de campo abraçado e orando. Naquele período eu morava no Hotel Bertaso, e aí todos os dias antes de ir para o treino eu parava na capela ao lado da Igreja Matriz para fazer uma oração e acender uma vela. Eu cheguei até a arrumar alguns seguidores, alguns torcedores que também tinham isso e iam comigo ali rezar."



- Agenor Piccinin


15 - E, é claro, tirar proveito de tudo que estivesse ao nosso favor


"O segredo de 23 jogos sem perder em casa foi o seguinte: para jogar em Chapecó, os times viajavam 14, 15 horas seguidas. E aí a gente deixava o gramado mais alto, com quatro ou cinco dedos de altura. Era decidido em conjunto. Nós treinávamos em cima, e no jogo já não pesava para nós. Eles chegavam de viagem e encontravam aquele gramado alto, no segundo tempo a gente acabava com eles. Mesmo que eles chegassem um dia antes, não recuperava da viagem. E aí, sim, o segundo tempo era sempre nosso."


- Agenor Piccinin


16 - Foi nessa época também que a Chapecoense contratou um dos goleiros mais épicos do universo



17  - Depois do título de tricampeão do estado, em 2007, as coisas começaram a andar em um ritmo melhor. Mas, é claro, o ano de 2007 precisava ser fechado com chave de ouro



"Todos sabem que nem sempre a Chapecoense viveu bons momentos como vive hoje. Nosso ano era menor, 3 meses, quiçá uns 6 meses com uma série C (última série na época). Conto aqui como foi o último jogo daquele grupo campeão de 2007. Na falta de um adversário de maior prestígio, a diretoria fez um esforço para trazer o Internacional de Porto Alegre para entrega de faixas no Índio Condá. Detalhe: era a equipe sub-20 deles. E cobraram pra isso (creio eu). Uma noite fria, tempo quase chuvoso, pelo que lembro numa quarta-feira. O público não foi, estávamos em uns 300 torcedores. Da banda lembro do Madruga (atual mascote), não muito sóbrio, entoando cantos desconhecidos de todos nós. Em campo, um jogo ruim. Nada naquele dia foi digno de um time campeão com tantas dificuldades. E isso nem era o pior… um a um, os melhores jogadores do time eram substituídos. Peter, Adriano, Basílio, Bilica, Jean Carlos... Destino? O aeroporto, a rodoviária, o carro com as malas. Cada um com um destino novo, um time novo. Por fim, ainda perdemos o jogo, 1 x 0, gol marcado não sei por quem, mas nem importava. Eu ainda jovem demais, não entendia o porquê daqueles heróis estarem indo embora, abandonando nosso manto por um pouco mais de dinheiro. Hoje os perdoo, sei como é a vida, mas mereciam despedida mais gloriosa do que aquele noite fria de quarta-feira."



- Cavalo da Chape, torcedor


18 - De lá para cá, muita coisa mudou. Às vezes a gente ainda não entende um pouco direito



19 - Mas o legal é que a nossa história sempre se repete



"A história da Chapecoense apresenta um dado curioso: os gols que decretaram os cinco títulos estaduais do clube tiveram a assinatura de jogadores que começaram a final como reservas. Esta peculiaridade verde-branca começou em 1977, quando Jaime saiu do banco para fazer o gol da vitória sobre o Avaí. Bem mais tarde, em 1996, Marquito entrou no segundo tempo e fez 1 a 0 em cima do Joinville, provocando a prorrogação. O empate servia no tempo extra, mas Gilmar Fontana, outro suplente, venceu o goleiro Silvio para ampliar a vantagem. Estas duas decisões foram em Chapecó. O Verdão levantou o seu terceiro troféu de Catarinense no ano de 2007, em Criciúma. O time do Oeste empatou a 10 minutos do fim (2 a 2), por meio do seu talismã, Fabio Wesley, que iniciou na casamata. Em 2011, o “herói” foi Carlinhos Santos, do Tigre. Foi dele o gol contra que garantiu o triunfo da Chape (1 a 0), na Arena Condá. Porém, o volante cabeceou para a rede após cobrança de falta de Nenén, que começou na reserva. E agora, em 2016, diante do JEC, Ananias, no Norte do Estado, e Bruno Rangel, em casa, foram acionados na segunda etapa para selar a quinta conquista."



- Rodrigo Goulart, jornalista e cronista esportivo do Diário do Iguaçu


20 - Desde então, teve jogador virando diretor



"Eu cheguei aqui em 2008 como atleta ainda, vim com o Leandro Machado, foi o Jandir Bordignon quem me convidou para vir. Mas as coisas eram muito diferentes. Ônibus, centro de treinamento. Em 2009, eu joguei o estadual e a Série D, que foi quando a gente foi vice-campeão catarinense e conseguiu também a vaga para disputar a Série C. Em 2010, eu cheguei a jogar cinco partidas e tive uma lesão em fevereiro, no jogo contra o Figueirense. A partir desse momento, alguns membros da diretoria me fizeram o convite para ser o diretor de futebol. Até então o Jandir era diretor, mas ele tinha suas empresas, seus compromissos para cuidar. Me convidaram para ser gerente de futebol e viver o dia a dia do clube. No momento até fiquei assim, porque achava que poderia voltar a jogar. Mas os médicos pediram para que não jogasse mais, para não piorar muito a lesão no quadril. Fiquei muito feliz com o convite, por ficar dentro do futebol. Foi muito novo para mim, fiz vários cursos, estudei bastante, e junto do Maurinho e do Maringá os resultados foram muito bons. Tivemos os acessos no Brasileiro e agora, de vez, coroamos com o título estadual."



- Cadu Gaúcho, ex-volante e atual diretor de futebol


21 - Teve jogador que mudou a vida de torcedor



"A Chapecoense foi um dos melhores grupos que já trabalhei profissionalmente, se não o melhor. Do pessoal que trabalhava limpando e trabalhando no estádio até o presidente, todos foram demais. Todos foram acolhedores e foi uma coisa que me impressionou muito. A torcida gritava o nome de todos os jogadores no começo do jogo e quase sempre meu nome era chamado perto do hino. Mas a melhor de todas aí na Chapecoense foi a do Juliano. Era um menino que ficava ali pelo estádio e tinha medo das pessoas, ninguém dava muita atenção para ele. Um dia vi ele ali perto do refeitório e chamei ele com um pedaço de pão na mão. Ele, obviamente, não veio com medo de que eu fosse machucar ou bater nele, igual muitas pessoas faziam. Então, aos poucos fui chamando ele até que um dia ele nos aceitou e foi onde começamos a trazer aquela criança pro nosso lado. Aos poucos, foi sendo nosso parceiro, até que um dia olhei para o lado e ele estava dentro do avião viajando com nosso time. Posso jogar em todos os times do mundo e ganhar o dinheiro que for, nunca vou esquecer dele e do que foi feito em Chapecó. Antes de ele viajar conosco, fui até a casa dele procurar uma certidão de nascimento, porque tínhamos que tirar a identidade del. O Juliano sempre me falava que tinha 12 ou 14 anos, não lembro bem. Mas quando fui achar o documento, ele tinha ums 7 ou 8 anos a mais. Queríamos matar ele, demos muita risada. Alguns dias depois, saímos do treino e levei ele até em casa, era perto do estádio. Aí ele me falou que tinha saído algo nosso no jornal, e eu falei: "poxa, que legal, um dia desses você me mostra", e ele só disse "tá bom". Aí fui para casa, morava na Getúlio, e uns 15 minutos depois que eu já estava em casa, escuto um "Aoísio, Aoísiooo" do lado de fora. Pensei comigo que não podia ser ele, 15 minutos atrás tinha deixado ele em casa. Olhei pela janela e quem era? O próprio, com um jornal da mão, mostrando a foto minha e dele. Dei muita risada em como já estava escuro, levei ele de novo para casa."



- Aloísio dos Santos, atacante ex-Chapecoense, boi bandido, atual Shendong Luneng


Juliano acabou sendo "adotado" pela equipe da Chapecoense naquele ano, 2011, e se tornou o mascote do tetracampeonato estadual. 


22 - Teve torcedor virando funcionário






"São 21 anos que acompanho o clube, destes sete como profissional de comunicação. Vivi todas as alegrias e tristezas neste periodo. Retornei para trabalhar no clube em julho de 2015 (tive uma passagem em 2011), e no último domingo vivi uma expêriencia magnifica. Sempre procurei ser o mais profissional possivel, trabalho no clube que torço e quero bem, mas acima de tudo sempre procurei no trabalho prezar pela imagem do clube. Ser campeão trabalhando no que eu gosto, no clube que eu torço, é algo espetacular, é um dia que vai ficar marcado no meu coração. Sou apenas uma peça de toda engrenagem da Chape, que conta com mais de 130 colaboradores. Mas saber que de alguma forma vocês contribuiu é algo que me deixa feliz e realizado!"



- Gilberto Pace Thomaz, torcedor e assessor de imprensa.


Algumas pessoas diriam que a Chapecoense Gera Empregos ™


23 - Aliás, ser torcedor da Chapecoense é a coisa mais sofrida, divertida e maluca do mundo


24 - É uma dádiva internacional



"Chegando em Buenos Aires para o jogo contra o River Plate na Sulamericana, é claro, tivemos que passar pela Polícia Federal argentina no aeroporto, para entrar no país. Apresentei meus documentos para o policial, que era um senhor de idade e ele, sério, me perguntou de onde eu era. Falei que era de Chapecó, e ele na hora retrucou: "Chapecoense???". Confirmei. A alegria do senhor foi enorme: "soy de Boca, tienen que ganar de River" e tudo mais. Me perguntou da cidade, do clube, se fiz boa viagem, falou que muita gente estava torendo por nós. Ele me segurou por uns 20 minutos, e eu preocupado por que era o último, todos da delegação já estavam no ônibus. Foi muito bacana ver este reconhecimento da Chapecoense na capital Argentina."



- Gilberto Pace Thomaz


25 - A gente passa por uns perrengues doidos



"Jogamos contra o Naviraí na Série D, em 2010. Fomos pra lá de microonibus [são uns 700km]. Chegando lá, fomos recebidos por um vereador que era irmão do presidente na época, e ele tinha reservado 20 almoços para nós em um restaurante. Após isso, fomos em uma bodega em frente ao estádio para confraternizar com a torcida local, com direito a violeiro e tudo. No estádio, ficamos em uma arquibancada de estrutura metálica, nos dias de hoje iriam dizer que era um absurdo alguém assistir o jogo naquela arquibancada. Bem, ganhamos o jogo e estávamos nos organizando pra voltar pra Chapecó. De repente, o tal vereador conversou conosco e pediu pra dormirmos lá, para não pegar estrada à noite. Explicamos que na segunda-feira todos tinham que trabalhar e tudo. Mas como fazia um calor absurdo lá, ele ofereceu o vestiário do time local para tomarmos pelo menos um banho. Aceitamos e, para nossa surpresa, enquanto atravessamos o gramado, vimos ele entrando no vestiário e mandando os jogadores se apresssarem e saírem logo para que nós pudéssemos tomar banho. Para as gurias, ele acabou pedindo para uma vizinha liberar um banheiro na casa."



- Thiago Ficagna, torcedor


26 - Na verdade, a Chapecoense nunca se escapa de passar aperto



"Dia 26/07/09. Série D. Chapecoense líder do grupo 9, precisando apenas de uma vitória diante da equipe do Mato Grosso do Sul. A Chape defendia uma invencibilidade de mais de 460 dias, ou 17 jogos sem perder em casa. Com 10 minutos o Naviraiense mostra para o que veio e já tem um expulso. A partir dai a Chapecoense começou a perder gol a rodo, tanto que só abriu o placar no segundo tempo, menino Cadu Mineiro. Logo na sequencia, Cadu fez mais um, 2x0 e ali o boi já tava indo pro palanquinho. Logo na sequencia, o inacreditável começou a acontecer. Segundo jogador do Naviraiense foi expulso, com uma falta violenta, o time laranja começou a perder a cabeça. O terceiro gol veio, e com ele mais duas expulsões. Depois de estar com 4 jogadores a menos, e as três substituições feitas, o goleiro e mais um zagueiro da equipe do Naviraiense caíram, e reclamaram de supostas lesões, assim sendo, o arbitro da partida teve que terminar o jogo aos 37 minutos do segundo tempo por falta de jogador. Técnico e jogadores lesionados, juram de pé junto que não teve simulação, e que realmente os atletas não tinham condições de terminar o jogo. Ah, com a vitória veio a classificação adiantada, e depois disso, vocês sabem o que aconteceu."



- Mateus Prestes, torcedor


27 - Aliás, "doido" é pouco. Tem uns perrengues que são medonhos mesmo



"Jogo em Criciúma. Para começar bem a viagem, estávamos eu e outro torcedor esperando o ônibus de Chapecó em um posto de gasolina em outra cidade. Lá pelas tantas, um carro pára para abastecer no posto e vem duas moças conversar com a gente, pedir bebida e nos convidar para conhecer o "bar" onde elas trabalhavam. Embarcamos no ônibus e a viagem até foi tranquila, conseguimos dormir. Quando chegamos no topo da Serra Catarinense, um pessoa desceu para tirar fotos e ver os animais. Ficamos parados questão de meia hora e voltamos para o busão. O motorista pede ajuda para um dos que estavam na frente e nisso ele entra para conversar com a gente, pedindo para ninguém usar o banheiro, porque o ônibus estava sem freio e ele precisou isolar o ar do banheiro. Era isso ou fazer mais um trecho até Floripa. Descemos a serra. Na primeira curva, o ônibus quase não para, e o povo começa a rezar. Cada curva era umas três manobras. Quando chegamos para o jogo, a Polícia Rodoviária nos obrigou a ficar até as 14h esperando para entrar na cidade. Nossa salvação foi, adivinhem, um posto de gasolina. O jogo terminou em 1 x 0 para o Criciúma. Na volta, subimos a bendita Serra novamente, neblina tapando a estrada, todo mundo morrendo de fome e de sede (o único líquido do busão era uma garrafa de vodka). Quando chegamos em Lages, o restaurante que o motorista havia prometido parar já estava fechado. E aí lá fomos nós, atrás de mais um posto de gasolina para comprar um monte de salgadinho e seguir viagem".



- Leandro Coradi, torcedor


Ainda aconteceu do motorista parar o ônibus e perguntar se alguma das meninas tinha uma borrachinha ou rabicó de cabelo. A mangueira do freio estava solta para... descer a Serra!


28 - A gente se ferra na chuva



"Tem vários jogos na minha memória que considero marcantes à Chapecoense. Lembro das finais, semifinais, acessos, e geralmente os lembro pelos resultados e conquistas alcançados, mas teve um jogo que certamente marcou tanto pelo acesso, quanto pelo que aconteceu durante a partida. Lembro que a Chape tinha vencido o Araguaia no jogo de ida no Mato Grosso por 2 x 1, então o que se esperava desse jogo da volta era uma boa partida da Chapecoense e consagrar o acesso à Série C. Mas ninguém esperava que seria um jogo tão ímpar! Primeiro porque teve uma expulsão de um jogador da Chape (Fabrício) bem no começo do jogo, e outra, em razão da chuva de granizo que fez a partida ficar marcada como “o Jogo da Chuva de Pedras”. Na época, a Ala Sul estava sendo terminada, e na ala Leste ainda existia as arquibancadas de concreto do velho Condá. Eu estava na geral (hoje ala Leste) e quando começou a chover não tinha pra onde correr. Lembro que todo mundo se “agrupou”, mas era tanta pedra que o negócio foi aguentar firme e esperar passar. Coloquei um balão que havia inflado em cima cabeça, mas logo estourou, então o jeito foi tomar pedra nos pés, braços, costas mesmo. Lembro que quando passou, todo mundo se olhou assustado, sequer acreditando com o que tinha acontecido, tinha, inclusive, aqueles que acabaram se “machucando”, mas nada grave, uma unha sangrando aqui, um hematoma no pescoço ali, e segue o baile. O gramado ficou branco de pedra e lembro que quando os jogadores voltaram a campo pegavam as pedras do chão e comentavam entre eles. Ah! O resultado do jogo, acabou 1 a 0 para o Araguaia, mas graças à vitória no jogo de ida e ao gol qualificado a Chapecoense conquistou o acesso à Série C. Sem dúvidas foi um jogo cheio de emoções e com bastante histórias pra contar. Ainda conto essa história para o meu filho Augusto quando coloco ele pra dormir."



Rodrigo Brandão, torcedor


29 - A gente se ferra com fogo



A campanha de 2010 foi algo pra ser de certa forma varrido de nossas mentes, a começar pelo rebaixamento técnico no Catarinense, do qual nos salvamos graças a desistência do Atlético de Ibirama. Como desgraça pouca é bobagem, tomamos aquele vareio de 6 a 0 do Atlético Mineiro, mesmo que tivéssemos vencido por com gol de Sagaz aqui em Chapecó. A Série C foi aos trancos e barrancos, com Gustavo Papa e Sandro Sotilli no elenco levamos até a última rodada para avançar de fase, graças a um empate em 0 a 0 entre Caxias e Brasil de Pelotas. Na fase seguinte enfrentamos o desconhecido Ituiutaba e em empatamos em 1 x 1, numa verdadeira pelada que foi aquela partida. Como de costume a torcida arremessou inúmeros rolos de papel higiênico em direção ao gramado, proporcionado um belo efeito cascata nas arquibancadas. Tudo ia muito bem até que alguns abençoados resolveram acender sinalizadores ou isqueiros (sei lá que diabo que era) em meio aquele monte de papel. Resultado: fogo subindo as escadarias e o povo correndo desesperado pra fugir.
Eu estava no meio daquela confusão tentando apagar o fogo com os pés, sufocando na fumaça e queimando as canelas.



- Israel Junior, torcedor


Fábio Pellinson/Blog Fullsports
Fábio Pellinson/Blog Fullsports

O cabaré pegando fogo, ba-dum-tss


30 - Mas a gente se diverte


ESPN.com.br | Com lambança da arbitragem, Chapecoense enfia 5 no Palmeiras e sai da degola


31 - Se diverte muito


ESPN.com.br | Goleiro falha e Grêmio sofre virada da Chapecoense em casa


32 - Mas sério, a gente se diverte muito mesmo


E aí nessas horas acabamos ficando muito receptivos.



33 - Volta e meia estamos vivendo umas coisas épicas



"Chapecoense e Criciúma jogaram no dia 31/01/2013 no estádio Josué Annoni, em Xanxerê. Devido à ascenção para a série B, aconteceu a troca do gramado da Arena Condá. A Chape estava vencendo o Tigre pelo placar de 1 a 0, gol marcado por Rodrigo Gral. Aos 30 minutos da segunda etapa, após rebote do goleiro, Gral desviou a bola de cabeça, mas o zagueiro Fabio Ferreira evitou o gol tirando a bola em cima da linha e perdeu o equilíbrio, vindo a se enroscar na rede. Quando ele jogou o peso, a trave foi pendendo, pendendo, e caiu inteirinha. O jogo ficou paralisado aproximadamente 40 minutos para que fosse instalada uma trave provisória - que era 4cm menor que o padrão oficial, sendo necessário colocar um "calço" de tijolo para seguir o jogo. Chape venceu a partida e assumiu a liderança do campeonato."



- Fabrício Rosso, torcedor


34 - Mas a verdade é que a gente sempre foi muito louco



"Feliz do torcedor que, assim como eu, viveu a época em que se vendia conhaque na copa do Índio Condá, das vergamotas vendidas na entrada do estádio. Uma cena hilária que não me sai nunca da cabeça foi de ver um grande presidente da Chapecoense, Sérgio Trentin, chutando a bunda do árbitro Dalmo Bozano no final de uma partida. Ele, assim como todos os outros naquela temporada, não passou sem levar uma vergamotada. Época de ouro na colheita de vergamota aqui na terra dos colonos. Lembro em que ainda criança tive esses exemplos. Ia para o Condá com a família, cada um carregando sua pipoca feita em casa e um punhado de vergamotas destinadas ao arremesso." 



- Junior Souza, torcedor


35 - Tem torcedor que mistura as paixões pra ser feliz



36 - E por ser uma cidade relativamente pequena, aqui na Chapecoense tudo acontece em família



"Meu pai, Cezar Dal Piva, sempre foi um apaixonado por futebol. Gostava tanto de jogar como de assistir. Eu sou a filha mais velha e somos três filhos em casa. Desde pequena, sempre fui a companheira do futebol. Tanto de ir quando ele jogava nos campeonatos amadores quanto nos jogos da Chape. E ele foi me iniciando, vamos dizer assim. A minha mãe também gostava muito e sempre que podia ir tbm ia junto, mas minha irmã era muito pequena, temos 4 anos de diferença, e nos jogos muito lotados íamos só eu e meu pai. Ele era muito envolvido, tanto que a gente ia nos jogos e nos bingos dos anos 90. Nunca ganhamos nada, mas nos divertíamos muito. Rs. A gente morava uns 30min andando do estágio e íamos a pé. Eu tinha entre 8 ou 10 anos. Não reclamava. Era minha aventura com meu pai. Sentávamos na antiga curva, no alto. Era o melhor lugar. Ontem realizei um sonho antigo de ser campeã no estádio. Como as finais eram jogos muito lotados, minha mãe não deixava ele me levar. Fiquei sabendo em casa daquele W.O do Joinvile, por exemplo. Nos nossos títulos mais recentes eu já não morava mais em Chapecó. Vi e comemorei pela TV. Mas domingo, 8/5/2016, estávamos todos e juntos pra comemorar. 


Além disso, meu irmão Luiz Felipe é o caçula e cresceu com a responsa de ser filho do meu pai, um apaixonado pelo futebol. O guri entrou no futsal com uns 6 anos e era tudo brincadeira no início. Até os jogos da Chape. Eu levava muito mais a sério. Sofria. Mas ele foi crescendo nesse meio de gente doente pelo futebol e pela chape (Rs) e foi ganhando um amor imenso que se transformou em uma dedicação sem igual. Desde os 13, 14 anos ele decidiu que queria ser atleta e agora pula da cama cedo seja inverno ou verão pra estar no horário do treino. Fazes preparo específico de goleiro particular, além do treino normal durante anos. E nos orgulhou muito pegando um pênalti na estreia dele como titular da Chape na Copa SP em janeiro desse ano. Ele está se esforçando muito e sabe o peso da camisa da Chapecoense, mas aprendeu desde a pequeno a sonhar com os pés no chão. E vai lutar pelo lugar dele nessa história bonita do Verdão!"



- Juliana Dal Piva, jornalista


37 - Às vezes até nos sentimos em casa demais



O ano de 2015 reservou grandes acontecimentos para nós, torcedores do RIVER. Depois de 19 anos Vencemos a Libertadores,onde terminamos a primeira fase com SETE pontos e eliminamos os bosteros. Acabamos parando no Barça, no Japão, mas houve uma história fantástica quando defendíamos o título da Copa Sul-Americana. Depois de eliminarmos a LDU a duras penas, enfrentamos a maravilhosa Chapecoense. Lá fui eu para Chapecó e como se não bastasse a recepção fantástica e a atmosfera incrível da cidade para o jogo, ainda fomos a sede do clube e conhecemos o presidente da entidade. Vestido com roupa social, o mandatário verde não se fez de rogado quando lhe foi solicitada uma foto conosco. Pediu uma camisa da Chape, a nova que estrearia naquele dia, TIROU A CAMISA que usava e colocou a peça. Acabaríamos perdendo o jogo, mas garantindo a classificação, mas poucas vezes vi uma cidade tão mobilizada para uma partida de futebol, um clima tão amistoso e claro, um presidente de clube tirando A CAMISA e mostrando seu torso nu sem cerimônia.



- Victor Marques Zapata, blogueiro do River Plate aqui no ESPN FC


38 - Formamos famílias de casais unidos pelas semelhanças


Chapecoense/Divulgação
Chapecoense/Divulgação

A Gabi e o Daniel já são até famosos aqui



"Nos conhecemos em uma balada em 2010 onde o Daniel usava uma camiseta da Chapecoense e foi incentivado por uma amiga em comum a conhecer a tal Gabriela, que também era louca pela chape. Após uma noite inteira de conversa, algumas trocas de mensagens de celular durante alguns dias, nos encontramos em um jogo decisivo e triste no dia 4 de abril de 2010 onde Chape X Figueira ficavam no 0x0 e fomos rebaixados. Pois bem, o que nos uniu sem dúvida foi a Chapecoense e o nosso amor em comum por esse time. Tanto para um como para outro existe somente uma prioridade: a Chape. O que mais nos fascina nos 6 anos da nossa história, foi poder acompanhar a evolução da Chapecoense de perto, indo a todos os jogos, vibrando, chorando, sofrendo, perdendo o sono nas semanas de decisão, comemorando os acessos, o título de 2011, os "crimes" que a chape cometeu sobre os ~grandes~ inter, fluminense e palmeiras, o jogo da Chapecoense contra o River Plate - momento único - etc. Costumamos dizer que a chape é nosso amor maior! Algo que nos une e nos faz perceber o quanto nosso amor cresceu junto com a chapecoense! Hoje, noivos, sonhamos com um casamento verde branco!"



- Gabriela Conrado e Daniel Pilz, torcedores


39 - E até unidos pelas diferenças


Fernanda Arno/Arquivo Pessoal
Fernanda Arno/Arquivo Pessoal

"A paixão pelo futebol une mais do que separa"



"Adson e eu nos conhecemos através do futebol, ele afirma ter me visto na final de 2011, enquanto as torcidas da Chapecoense e do Criciúma confraternizavam antes do jogo, ele diz que aparecemos em uma foto juntos, tirada pela rádio Eldorado de Criciúma, mas eu nunca vi tal foto. Após nossa vitória, meses depois, começamos a conversar, mas já frequentávamos os “mesmos espaços”, as comunidades do Orkut, principalmente a do Campeonato Catarinense.
Apesar da distância o amor foi crescendo e já estamos juntos há cinco anos! A rivalidade fica só no futebol e já rendeu muitas piadas e nenhuma discussão, inclusive, na final de 2013 Adson e eu fomos na mesma excursão para Chapecó, pois morávamos em Florianópolis, mas tem um detalhe, eu fui num micro-ônibus dos torcedores do Criciúma, sendo a única chapecoense nessa turma, foi uma longa viagem de volta... Hoje percebo que a paixão pelo futebol une mais do que separa, fiz muitos amigos, tanto torcedores da Chapecoense como de outros clubes e encontrei um grande companheiro dentro e fora das arquibancadas."



- Fernanda Arno e Adson Medeiros, torcedores (o Adson também, vai)


40 - Mas a verdade é que é impossível dissociar a Chapecoense das histórias das famílias. Uma coisa faz parte da outra


Como na casa da Cristiane, do Rodrigo, da Isabeli, do Vicente e do Francisco.


41 - Até por que aqui não tem como deixar de ser gente como a gente, gente que pisa no nosso chão e olha no nosso olho


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Ao final do jogo do título, os atletas dedicaram algumas horas para festejar com a torcida. Hyoran, Nenén, Rafael Lima e Gimenez chegaram a descer do caminhão onde o time desfilava


42 - E isso é, com toda a certeza, o que a gente mais valoriza


Marcelo Junior/Arquivo pessoal
Marcelo Junior/Arquivo pessoal

Torcedores Marcelo e Alexandre com o eterno capitão e xerife Rafael Lima, na comemoração do pentacampeonato


43 - Porque temos muito, mas muito orgulho de ser esse time onde todas as gerações se misturam


Maria Tereza Zanella/Arquivo pessoal
Maria Tereza Zanella/Arquivo pessoal

Maria Tereza e seu pai, Altair Zanella, um dos fundadores dessa loucura toda. Ao fundo, a Chapecoense se preparando para erguer a taça pela quinta vez

PS1: * trechos retirados do livro-reportagem produzido por mim em 2015 através da Unochapecó.


PS2. Galera, sobraram histórias legais para compor esse post! Quem aí topa uma versão 43.2?