Chape: Libertadores e a certeza de que nada está perdido

Cada vez mais, a cada jogo que passa, tenho mais certeza: alguma coisa acontece no espírito de qualquer time quando o assunto é Libertadores. A partir do momento em que acontece a classificação, surge um alterego latino dentro das pessoas. O time fica mais aguerrido, o técnico ousa mais na escalação, a torcida fica mais autoconfiante e cada jogo se torna uma guerra. Com a Chapecoense não foi diferente, desde o começo, ainda lá no Campeonato Catarinense.


Hoje, na Arena Condá, a Chapecoense demonstrou uma força poucas vezes vista. Depois dos pontos tirados pelo imbróglio entre a diretoria e a Conmebol pela escalação de Luiz Otávio, a Chapecoense já entrou em campo sabendo que precisava da vitória apenas para garantir a terceira colocação - com ou sem recurso, a vaga na Sul-Americana é um grande objetivo pra se ter na vida.


Uma vez dentro do Grande Espírito da Libertadores, a Chapecoense soube se impor. Desde aquela bela estreia diante do próprio Zulia, na Venezuela, passando por uma vitória épica diante do Lanús, para calar La Fortaleza, e fechando o ciclo mais uma vez com os venezuelanos, em mais uma história daquelas que serão contadas por muitos anos, de muitas maneiras e carregadas de muitas emoções diferentes.


Para quem fazia sentir apenas medo de que fosse um saco de pancadas, a Chapecoense demonstrou um futebol muito maduro. Vagner Mancini soube explorar as peças do elenco e deu vazão a um sistema defensivo que funcionou muito bem, 'apresentando' Nathan e Luiz Otávio como duas grandes opções ao lado de Grolli. Andrei Girotto e Arhur Caike se mostraram grandes descobertas, assim como Jandrei, que demonstrou muita maturidade diante da responsabilidade que vem recebendo nos últimos jogos.


Apesar disso, se engana quem acha que essa eliminação decepciona.


Claro que seria uma verdadeira dádiva poder seguir às oitavas de final da Libertadores, mas há muita validação em ter chegado até aqui da maneira que foi - com tanta luta e tanta entrega. Chapecó viveu dias de muita emoção em todos os jogos, e tivemos a oportunidade de vivenciar uma grande experiência do futebol.


Oportunidade igual poderemos ter novamente, em mais uma Sul-Americana que vem por aí. Sabemos que haverão muitas lembranças, principalmente se avançarmos na competição. Ao mesmo tempo, já tivemos muitas provas de que podemos confiar no novo elenco, que vem fazendo justiça a tudo o que representava a Chapecoense de 2016.


No fundo, todos sabemos que não adiantava tanta insistência na Libertadores, que jamais foi o 'nosso campeonato'. A Chapecoense fez muito bem em não se iludir com o sonho da classificação e foi salutar manter os pés no chão inclusive pelo Campeonato Catarinense. Mais do que isso, foi um privilégio duelar com equipes tão grandes, e com certeza nos sentimos mais confiantes para fazer um bom Brasileirão.


Muito temos a nos orgulhar do time e da diretoria que hoje vestem a camisa da Chapecoense. São pessoas determinadas, que buscam fazer o que é certo - e quando a pisada na bola acontece, tem a decência de assumir a culpa e tentar aprender com o erro. Há certos sistemas que não se pode quebrar, afinal.


E tenho certeza de que nossa diretoria tem muitos motivos para se envaidecerem da torcida que tem. Não apenas somos muitos, mas somos de coração. Em mais uma noite de frio e chuva, nos fizemos presentes e acreditamos até o fim no resultado, cantando e empurrando o time.


Bom mesmo é ser Chapecoense nessa vida. 


Ontem, hoje e sempre.


Lá de cima, que eles estejam orgulhosos. Isso nos basta.


Sirli Freitas/Chapecoense
Sirli Freitas/Chapecoense

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