Chape: 'E assim quero lembrar de nós' - o 44º motivo

Essa Chapecoense de 2017, feita de gente que veste a camisa e se doa como pode, nos dá vários motivos para sorrir e ter fé. Abraça a nossa identidade, entra de cabeça nos objetivos e resultado disso se viu no último domingo. Mas temos que admitir, todos nós aqui de verde e branco: tem dias que não dá. As palavras fogem muito facilmente. Tem dias em que a vida vira só em saudade e nostalgia e a coisa mais difícil a se fazer é engolir o choro. Vem à mente aquele rosto amigo, aquela mensagem não respondida, aquele drible, aquele gol. Dói - e a gente acaba esquecendo que a história não se apaga e a vida tem que seguir, afinal. Por nós e por eles.


Em 2016, quando a Chapecoense completou seus 43 anos, havíamos acabado de conquistar o pentacampeonato estadual. Tentei fazer jus à grandeza dessa vida e postei o seguinte texto:


Vamo, Verdão | 43 motivos para o Brasil torcer pela Chapecoense


Desde o acidente, essa postagem veio à tona diversas vezes. Aliás, alguns outros posts também, principalmente sobre a Sul-Americana. Não pensem que não dói em mim quando releio esse texto aqui e vejo que minha última frase do último jogo foi "Quando o concreto começou a tremer, já estávamos na final. E agora ninguém mais tira". Por que recordação daqueles jogos parece hoje tão mais intensa? Por que eu senti que deveria ter escrito isso, afinal? Por que eu senti que era hora de contar aquelas nuances da nossa história justamente no 43º aniversário?


Alguém imaginava que um ano depois, exatamente, disputaríamos a final da Recopa? E o que é pior, na mesma semana em que conquistamos o hexa?


Dois meses atrás, no dia 10 de março, me peguei pensando no que eu queria dizer, de verdade, quando o próximo aniversário da Chapecoense chegasse. Não cheguei a nenhuma conclusão. Pensei em 44 gols decisivos, 44 ídolos, 44 lugares, 44 isso e aquilo - só o que me aparecia era a beleza do encontro que o post dos 43 anos havia proporcionado. Não havia como replicar ou repetir.


Mas a questão é só uma. Todos esses 43 motivos continuam firmes e quiçá ainda mais fortes. É permanente o orgulho que temos da nossa história, das pessoas que a escreveram e de como ela foi escrita. Do que aprendemos com cada tropeço e da completude que cada vitória trouxe. Alguns daqueles motivos não estão mais entre nós, mas o privilégio de ter conhecido cada uma daquelas histórias é muito maior que a saudade que ficou. A Chapecoense que conhecemos nunca vai morrer, nunca vai acabar - tem 64 sólidos alicerces, que continuam nos inspirando a seguir em frente. "Como é rica a história da Chapecoense".


É este o 44º motivo.


Feliz aniversário, minha Chape. Muitos e muitos anos de vida.