O que a Taça Sandro Pallaoro significa para a Chape?

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Pouco mais de de três meses atrás, às vésperas do início do Campeonato Catarinense, o vestiário da Arena Condá abria as portas para o novo elenco. Estes que estão dentro de campo, vestindo a camisa alviverde da Umbro, se cumprimentavam pela primeira vez como colegas de time. Quem sabe quantos deles ainda buscavam a noção do tamanho do desafio que estavam abraçando juntos? Mais do que nunca, tinham os olhos do mundo voltados para si.


Cada cabine ocupada por eles dentro do vestiário carregava uma história diferente, mas todas escritas dentro do mesmo enredo: uma luta inédita por uma conquista inédita, mística e mítica o suficiente para equilibrar e trazer força. O entendimento precisou ser construído lentamente e com delicadeza. Mas veio uma estreia, veio outra, um vitória, outra e o novo capítulo de que tanto precisávamos foi se escrevendo com naturalidade. As nossas novas caras conheceram nossos velhos costumes e, quem traz no peito essa marca, Maria, possui a estranha mania de ter fé na vida.


Para qualquer time, conquistar apenas um turno de qualquer competição não significa muita coisa. Quando vale, a chance de disputar uma final, ou qualquer coisa que se resuma em uma possibilidade. No último sábado, conquistar a Taça Sandro Pallaoro, do segundo turno do Campeonato Catarinense, foi uma conquista de verdade. E isso só tem a ver com quem foi o presidente Sandro: alguém que mostrou que futebol se faz com transparência e abnegação. Que mudou o jeito como a Chapecoense via o Brasil e era vista por ele. 


A Chapecoense do presidente Sandro continua pulsando na Chapecoense de hoje. Erguer a taça do returno prova o quanto nos orgulhamos disso. Vale foto oficial, vale volta olímpica, vale muito mais. Chegamos à final de mais um Campeonato Catarinense prontos para dar um significado novo a todas as lágrimas que caíram no concreto do Condá nos últimos meses. A tristeza não bate mais sozinha. Vem acompanhada de coragem, de orgulho e de fé no futuro, abraçada em uma alegria que há muito tempo não pairava em Chapecó. A saudade é, definitivamente, o amor que fica.


No dia 29 de abril, pisaremos no gramado da Ressacada para o primeiro jogo da final. Em duas semanas, vamos encerrar um ciclo e dar início a outro, mais unidos, mais fortes e mais tranquilos. Longe se vai, sonhando demais. 


Olhe por nós, Pallaoro. Espero que possamos orgulhar vocês todos aí em cima.


Sirli Freitas/Chapecoense
Sirli Freitas/Chapecoense

Da força de um presidente à coragem de outro. Que essa cena se repita em breve