Chape: como quatro meses podem mudar a cor do céu

Sirli Freitas/Chapecoense
Sirli Freitas/Chapecoense


Muita gente se recusa a acreditar, mas não é demagogia nenhuma dizer que a força da Chapecoense vem de dentro. Sempre veio. Ela pode atender por diversos nomes. Há quem chame de Deus, de destino, de competência, de vontade, de qualquer coisa. Mas essa força está lá, o tempo todo, fazendo o céu se abrir e o sol raiar pra nós.


Ela existe desde aquele gol de Orlandinho, após o cruzamento de Casquinha quase na linha de fundo. Desde aquele tempo em que os torcedores da Querida Associação saíam em caravana para ver o Verdão jogar no Estádio da Montanha. Desde aquele gol de Jaime no 4 x 3 contra o Avaí. Desde aquela época das pesadas camisas de linho, da arquibancada de madeira, do jogo amistoso contra o Vasco. Faz parte de nós.


Essa força ficou ainda mais intensa quando Vicente Arenari colocou Pedro Paulo, Cambé, Nei, Maringá, Paulo Rink e Índio para pisarem juntos no gramado do Regional. Um ano depois, essa força virou explosão e ecoou por uma madrugada inteirinha em Chapecó. Mas foi lá no começo dos anos 2000 que descobrimos que essa força jamais deixaria de existir.



E foi de lá pra cá que percebemos como essa força é capaz de tornar as pessoas mais unidas, mais corajosas e mais resistentes. Essa força entrou em campo por dez anos ao lado de Nivaldo, sob o olhar severo das balizas. Ela estava lá no gol espírita de Fabio Wesley, na sintonia imbatível de Cleverson, Neílson e Aloísio, e em cada um dos gols de Bruno Rangel. Essa força chegou até a virar uma fuerza!


No dia 29 de novembro de 2016, o céu ficou tão nublado e dia foi tão sombrio que a força mal podia ser vista a olho nu. Por baixo de cada camisa verde e branca, um coração inteiramente despedaçado doía mais e mais a cada pulso. Os fins e os começos ficaram irreconhecíveis e cada gota de chuva queimava como brasa. 


Muita gente achou que jamais voltaríamos a encontrar essa força. 


Eis que agora, às vésperas de completarmos quatro meses desde o acidente, o sol se agiganta de novo na Arena Condá. Embora ainda existam nuvens no horizonte, o céu se abriu e já podemos olhar para cima sem medo da chuva.


A força que sempre veio de dentro de nós hoje a reverberar em cada novo sorriso toma as arquibancadas, na esperança que vem na bagagem de cada novo adversário e em cada experiência trocada dentro e fora de campo. Mas o que antes ainda não tinha forma, agora é sólido - é concreto, é visível e inquebrável. E qualquer um pode olhar diretamente para essa força. Basta olhar para cada passo dado por Alan Ruschel, Neto e Jackson Follmann. Lá estará ela, brilhando e abrindo o céu mais uma vez.


Do gramado ao céu, estamos preparados para receber o Atlético Nacional pela Recopa. 


Sirli Freitas/Chapecoense
Sirli Freitas/Chapecoense

Que esses sorrisos jamais se fechem, amém!