Chape 1 x 0 Figueira - nunca é apenas mais um jogo

Gilberto Pace Thomaz/Chapecoense
Gilberto Pace Thomaz/Chapecoense

Carlinhos dando aquela derretida na marra do Figueira antes do jogo

Uma partida entre Chapecoense e Figueirense nunca é só uma partida entre Chapecoense e Figueirense. Primeiro, porque a partida nunca começa apenas quando o árbitro apita o início do jogo. Tentar encontrar o início da rivalidade entre a Chapecoense e os times do litoral é como tentar descobrir quem veio primeiro, o ovo ou a galinha.


Mas para começar a entender o tamanho do jogo deste domingo, em que Chapecoense e Figueirense se encontraram pela Série A, precisamos voltar a 2013 - mais precisamente para a Série B daquele ano. O famigerado em que a Chapecoense, recém saída da Série C, aparecia para o Brasil como a sensação nacional. 


Na penúltima rodada da segunda divisão, quando já estava garantida na elite, a Chape enfrentava o Icasa no Romeirão. Papo sério para as duas equipes, apesar da motivação que bateu depois do acesso diante do Bragantino na rodada anterior. Já a equipe do Ceará estava no quase. Para poder figurar na Série A do ano seguinte, o Icasa precisava vencer a Chapecoense, sem perder de olho o restante da rodada. Isso porque, do outro lado, quem buscava a mesma vaga para subir era o Figueirense, que naquela rodada recebia em casa o Asa de Arapiraca. Quer dizer, talvez o Furacão do Estreito quisesse ainda mais que nós a vitória do Verdão do Oeste.


No fim, foi o que aconteceu. Em Juazeiro do Norte, a Chapecoense marcou o Icasa sem folga. Bruno Rangel abriu o placar no início do primeiro tempo, e Chapinha respondeu empatando para os donos da casa seis minutos depois. O Romeirão virou um caldeirão (ba-dum-tss!) e o jogo ficou apertado para os dois times. Aos 23, Paulinho Dias segurou a bola e arriscou de fora da área. Vitória nossa e o canto de "eu acredito!" da torcida cearense ficou no ar. Em Floripa, Pablo marcou aos 23 do primeiro tempo e Éverton Santos aos 37 do segundo - vitória tranquila do Figueira. 


A Chapecoense já tinha cumprido seu dever com o torcedor e tinha, na última rodada, a partida contra o Palmeiras como um momento festivo. Na mesma rodada, o Figueirense enfrentava justamente o Bragantino e ainda precisava de um empurrãozinho. Sem erro. Na moral. Bruno Rangel marcou de pênalti no primeiro tempo e aquele dia modorrento ainda terminou com o empate entre Bragantino e Figueira. Mais um catarinense na Série A. Podemos e devemos dizer, que o clube da Capital catarinense “deve” esse acesso à Chape que após consolidar-se na elite continuou com a seriedade que lhe é peculiar até hoje.


A Chape, em 2013 não "quis" ajudar o Figueirense. Foi jogar seu jogo, encarou com seriedade e tinha como objetivo ficar mais próximo do até então campeão, Palmeiras. Carregar o Figueirense foi um dano colateral. Quis o destino - e ele poderia ter sido ainda mais sagaz caso o jogo fosse daqui a duas rodadas - colocar frente a frente as equipes Catarinenses justo em um momento crítico e pontual do campeonato. De um lado Chapecoense em seu melhor momento na história, vinda de um resultado épico contra o San Lorenzo pela Sul Americana, e do outro o Figueirense, vivendo um inferno que só astral explica. Só pela rivalidade o jogo já seria importante, mas era pouco.


Márcio Cunha/Mafalda Press/Gazeta Press
Márcio Cunha/Mafalda Press/Gazeta Press

Kempes, um criminoso no rebote


Como manda o figurino dos campeonatos de pontos corridos, a emoção das últimas rodadas ficou a cargo da metade de baixo da tabela. Nada que a gente não consiga resolver. O objetivo da Chapecoense hoje era de *apenas* vencer e atingir sua meta de 45 pontos no Brasileirão. Com Neto substituído antes de entrar em campo, Gil substituído na metade do primeiro tempo, Marquinhos Pedroso expulso desfalcando o Figs e até com o fantasminha da B passeando pelas arquibancadas, Kempes pegou o rebote na finalização de Lucas Gomes e não teve chance para Gatito Fernandes. 


Vitória da Chapecoense, 46 pontos na tabela e, sem querer querendo, Figueirense cara a cara com o rebaixamento. 


A taxa é zero o juro é alto vamos conversar
Ressarcimento pagamento vamos negociar (2x)
Aquela dívida de uns anos atrás está bem viva
Você não lembra mais (x2) ♫



Colaboração: Daniel Fasolin, repórter da Rádio Super Condá - siga @FasolinDaniel