Obrigado mestre, e até logo

A nota publicada pelo Grêmio Esportivo Brasil às 14h30min do dia 20 de julho de 2017 causou diversas reações na torcida Xavante: Rogério Zimmermann não é mais o técnico rubro-negro.


Depois de mais de cinco anos, o time vai ter de sair atrás de outro comandante. Rogério Zimmermann, que retirou o Brasil da lama da segunda divisão estadual, cumpriu a sua promessa, queiram ou não: com Zimmermann o Xavante não cai.


Somando as duas passagens (final de 2003 a janeiro de 2006; e maio de 2012 a julho de 2017), Rogério Zimmermann ultrapassou os 400 jogos com o escudo rubro-negro no peito. Conquistou dois títulos de campeão gaúcho da segunda divisão (2004 e 2013), dois títulos de Campeão do Interior (2014 e 2015), um Citadino de Pelotas (2004), além dos acessos nacionais à C e à B, com o vice-campeonato brasileiro da Série D, e as participações inéditas nas edições de 2013, 2014 e 2016 da Copa do Brasil.


Arquivo/Xasampa
Arquivo/Xasampa

Sanguíneo, teimoso, polêmico e provocador: a imagem e semelhança de um verdadeiro torcedor Xavante


Além disso, Zimmermann sempre exigiu evolução por parte do clube para renovar o seu contrato. Parece até mentira, mas atualmente o Brasil tem categorias de base e centro de treinamento. A realidade do clube da Baixada, hoje, é muito maior do que a encontrada em 2012. A evolução foi tão rápida que muitos não a compreenderam até agora. 


O ano de 2017 não começou bem. É uma verdade reconhecida pelo próprio clube. A montagem do elenco não foi a ideal e o Brasil teve a força de um time de interior com um calendário semelhante ao da dupla Gre-Nal, com jogos acontecendo em novembro, enquanto outros interioranos já iniciavam a pré-temporada.


Por essas razões, o estadual foi decepcionante e assustador, com a fuga do rebaixamento apenas na última rodada. A Série B até aqui, nivelada ao extremo, assusta pois o Brasil tem a pior defesa da competição e a possibilidade de voltar à terceira divisão é um peso quase insustentável. Diante de tudo, a direção do clube decidiu demitir o treinador mais vitorioso da história Xavante.


A torcida ainda está dividida quanto à decisão. É nítido. Porém, o legado que Zimmermann deixou ao Xavante é muito maior do que qualquer crítica feita a ele. A evolução vivenciada pelo clube em cinco anos não foi vista em cinco décadas. “50 anos em 5”, diria Juscelino Kubitschek. O mesmo digo em relação ao clube da Baixada.


Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil
Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil

Em 2014, contra o Brasiliense, o Brasil garantiu o retorno à Série C nas penalidades


A partir de agora a torcida Xavante reza para que o sucessor tenha pelo menos parte do sucesso obtido com Zimmermann. O erro não é opção à essa altura do campeonato. O novo técnico vai ter de chegar e garantir o Brasil na segunda divisão nacional por mais um ano e, dessa forma, manter vivo o legado construído arduamente nos últimos anos, com acessos após penalidades, viradas na raça e estádios com mais de 64 mil pessoas contra.


Obrigado, mestre, e até logo. A verdadeira torcida do Brasil nunca esquecerá os teus feitos. Os pôsteres estão na parede. És ídolo. Um dos maiores da história do clube. E poucas torcidas têm esse privilégio - e aos contrários nós dizemos: só olha.