A situação do Xavante na Série B chegou ao limite

É muito complicado escrever minutos depois de mais um duro revés, após mais um 3 a 0 fora de casa. Ainda pior é a forma como as derrotas têm acontecido. Até bem pouco tempo atrás o Brasil perdia, assim como agora, mas obrigava o adversário a suar a camisa para conquistar os três pontos, mesmo fora de casa, e especialmente dentro do estádio Bento Freitas. Algo que se perdeu.


Apesar da tabela complicada, que o colocou frente a frente com clubes que há menos de um ano disputavam a primeira divisão (Internacional, América-MG, Santa Cruz e, daqui a uma semana, tem o Figueirense), o Brasil faz parecer que os adversários são quase imbatíveis, repletos de craques, que não marcam "apenas" gols, mas golaços. Apenas golaços. Foi assim contra o América-MG, contra o Santa Cruz e até contra o Luverdense!


É algo que realmente incomoda a forma como os outros times têm conseguido jogar contra o Brasil. Talvez o maior exemplo seja o Internacional. Após duas partidas sem chutar uma única vez ao gol adversário, o clube de Porto Alegre conseguiu fazer uma partida decente contra o Xavante, em Pelotas, e chutou nove vezes a gol. Foi recompensado com a vitória por 1 a 0. Na rodada seguinte, contra o Boa Esporte, no Beira-Rio, o Inter voltou a não atormentar o goleiro rival  -  e perdeu mais uma, por 1 a 0.


O Santa Cruz estreou o novo técnico contra o Brasil, na última sexta-feira (7), na Arena de Pernambuco. Depois de dois empates e duas derrotas, o Tricolor do Arruda venceu com muita tranquilidade por 3 a 0. O time coral trocou passes, marcou golaços e encheu o moral do rei dos acessos, Givanildo Oliveira (que venceu pela segunda vez o Xavante no mesmo turno; a primeira ocorreu quando ainda comandava o Ceará).


Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil
Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil

Sem poder de reação, o Brasil foi envolvido pelo Santa Cruz


A exceção foi o América-MG, que já estava em ascensão quando recebeu o time rubro-negro, mas a forma como o Coelho de Minas marcou os gols e administrou o placar incomodou a torcida. Boa parte dela já pede a mudança de comando. Será que a era Rogério Zimmermann chegou ao fim?



Em 2017, o Brasil disputou 30 jogos. Venceu sete, empatou nove e perdeu 14. O aproveitamento é de apenas 33,3%. 



Com certeza a situação do Xavante na Série B chegou ao limite. Há quase consenso de que o elenco atual oferece mais opções de qualidade se comparado ao de 2016, mas o futebol apresentado não traduz isso em campo. O Brasil tem pela frente duas partidas em casa: Oeste e Figueirense. Ambos vivem situações semelhantes à do rubro-negro. 


As vitórias são obrigatórias. Não há mais desculpas quanto a folhas salariais ou diferenças estruturais. Essas dificuldades não desapareceram e são reais, mas se o time da Baixada quiser se manter na Série B vai ter de superar essas limitações na marra - ou vai morrer esbravejando que os outros eram melhores.