Afinal, o que a torcida Xavante quer?

Dentro de campo, a equipe rubro-negra faz o que pode. É um time competitivo, limitado como qualquer outro, que vai perder muitas vezes, mas vai ganhar outras tantas, numa briga quase incessante pela permanência na segunda divisão nacional. Esse é o peso que o Brasil pode suportar no momento. A briga pelo crescimento é estar entre os 40 do país.


A história do clube é linda, marcada por diversos momentos de superação e, na maioria das vezes, promovida pela torcida Xavante. O tamanho da importância do clube da Baixada para o futebol gaúcho e brasileiro existe muito mais por conta da Xavantada do que pelos resultados em campo. Afinal, as grandes campanhas se resumem ao primeiro título gaúcho, a algumas ótimas participações estaduais e à inigualável terceira posição na Série A do campeonato brasileiro de 1985. E só.


Porém, algumas críticas ao clube, ao treinador e a determinados jogadores parecem ser de torcedores acostumados com algo que o Brasil nunca pôde fornecer em sua história. Exigem, muitas vezes, o passo maior do que a perna. Basta notar o quanto a torcida está dividida, até mesmo no estádio. Com exceção aos pedidos por ingressos mais acessíveis e planos de sócio mais criativos, a torcida não se uniu mais. Não há opinião formada nem para as charangas no estádio - que não param de aumentar e, hoje, são (inacreditáveis) três!


Depois de duas derrotas, uma para o Ceará em casa por 3 a 2, na qual merecíamos melhor sorte; e outra para o Luverdense por surreais 4 a 0, fora de casa, onde começamos bem e terminamos de maneira melancólica; o Xavante reagiu. Recebeu no sábado, 17, o Vila Nova, detentor da melhor campanha fora de casa da competição, e venceu por 3 a 0. Partida praticamente perfeita, um luxo, com o goleiro Eduardo Martini de expectador dentro de campo. Mesmo assim, os méritos da vitória não foram creditados à comissão técnica ou aos jogadores.



O que a torcida Xavante quer, afinal?


Não é preciso ir muito longe. Em 1996, no estádio Beira-Rio, o Brasil enfrentou o Internacional pelo Gauchão. Como quase sempre, o time vermelho da capital gaúcha eliminou o Xavante: 4 a 1. “Quem não gosta de uma goleadinha?”, indagou Ibsen Pinheiro, dirigente colorado à época. Mesmo com a pesada derrota, a torcida Xavante fez festa após a partida. Os mais de 5 mil rubro-negros permaneceram na arquibancada. E encerro este texto, que é quase um lamento, com o que disse naquela noite o inspirador repórter Régis Rösing.



“O jogo acabou, a noite chegou, mas o show continuou. Ignorando o resultado, os torcedores do Brasil deram um espetáculo de devoção. Exemplo de amor que deveria ser seguido por todas as torcidas do mundo e que já deveria ter servido de motivo pro time do Brasil ser muito melhor do que é”.



Aliás, reformulo a pergunta: como a torcida Xavante presente em Porto Alegre em 1996 reagiria, hoje, no estádio Bento Freitas?