Cinco anos de Rogério Zimmermann no comando do Xavante

Pelo caminho, enfrentou muitos questionamentos, críticas e desafios com capacidade suficiente para derrubá-lo. Também celebrou inúmeras vitórias, acessos nacionais e devolveu o destaque que o clube da Baixada sempre buscou merecer. Neste dia 21 de maio de 2017, Rogério Zimmermann completa cinco anos de sequência de trabalho. Em outras palavras, é o atual segundo técnico mais longevo do futebol brasileiro. 


O contexto no qual o Brasil iniciou a Série B do Campeonato Brasileiro neste ano foi bastante semelhante ao vivido em 2016: uma campanha no campeonato estadual bastante decepcionante e com diversas dúvidas na mente do torcedor. “Será que com este elenco podemos nos garantir na Série B?”. Quase todos pensam, provavelmente até o próprio Zimmermann.


Divulgação/assessoria GE Brasil
Divulgação/assessoria GE Brasil

O segundo técnico do futebol brasileiro há mais tempo no cargo ao lado do primeiro, Carlos Tencati, do Londrina


No entanto, o ano de 2016 nos ensinou que os ventos podem, enfim, e repentinamente, mudar de direção. Depois de um primeiro turno espetacular na segunda divisão nacional, o Xavante beliscou o G4, mas perdeu o fôlego na reta final, muito por conta do acréscimo de investimento de outros clubes mais fortes e acostumados à competição. 


Atualmente, Rogério Zimmermann enfrenta, com justiça, muitas críticas. O Gauchão não foi nada agradável, com a fuga do rebaixamento na última rodada, que só foi garantida após a vitória do Caxias em cima do Ypiranga. Mais um golzinho da equipe de Erechim e o clube da Baixada estaria hoje na segunda divisão estadual, ao lado do maior arquirrival.


O que não é possível aceitar são críticas ao “modus operandi” de Rogério Zimmermann, que, apesar de sutis mudanças ao longo do tempo, sempre trabalhou da mesma forma. Os seus métodos de trabalho nunca foram questionados em tempos de glórias e vitórias, e inclusive foram incentivados por grande parte da torcida Xavante, que enxergou nele boa parte do DNA que a compõe: sanguíneo, teimoso, polêmico e provocador. 


Divulgação/assessoria GE Brasil
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Em clássico Bra-Pel, Rogério Zimmermann não aceita perder nem na provocação


Ora, é preciso ter sangue fervente nas veias para fazer parte da maior e mais fiel, assim como teimosia para suportar as eternas dificuldades e os inúmeros fracassos ao longo da história, além das atitudes e provocações irreverentes que sempre foram marcas dos Xavantes. Ou estou errado?


Não é possível prever o futuro, contudo. O futebol praticado pelo time do Brasil talvez não evolua e os resultados continuem abaixo do esperado, pondo fim à segunda passagem de Zimmermann no Bento Freitas. Ou tudo pode mudar com uma arrancada na Série B e a certeza de mais um calendário fantástico para o ano que vem. Só o tempo dirá.


Porém, o que o tempo já registrou, meus caros, ninguém é capaz de apagar e os números são inquestionáveis. O jornal pelotense Diário da Manhã consultou o pesquisador Izan Muller, que divulgou alguns dos feitos de Rogério Zimmermann no Grêmio Esportivo Brasil. 


Faltam apenas cinco partidas para alcançar a marca de 400 jogos no comando do escrete rubro-negro. Com isso, estará a 69 jogos de se tornar o treinador com o maior número de partidas, superando Paulo de Souza Lobo, o Galego. Somadas as duas passagens (final de 2003 a janeiro de 2006; maio de 2012 — ), em 395 jogos tem 183 vitórias, 127 empates e 85 derrotas.


Traz no currículo dois títulos de campeão gaúcho da segunda divisão (2004 e 2013), dois títulos de Campeão do Interior (2014 e 2015), um Citadino de Pelotas (2004), além dos acessos nacionais à C e à B e as participações inéditas nas edições de 2013, 2014 e 2016 da Copa do Brasil.


Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil
Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil

Em 2013, devolveu o clube à primeira divisão estadual, competição a qual o Brasil não disputava desde o acidente em 2009


Eu não posso afirmar que o tempo de Rogério Zimmermann terminou no Brasil, ou ainda que vá permanecer por mais cinco anos. A única certeza é a de que ele foi e é odiado por todos aqueles que torcem para o insucesso do Brasil. Afinal, por mais que deixe um dia o cargo de técnico Xavante, o seu trabalho foi o suficiente para reerguer um gigante do interior gaúcho. E da mesma forma que diz o hino rubro-negro, “tem o seu nome gravado na história”.