'O Brasil é um Flamengo pequeno', disse o técnico Cuca

Enquanto eu assistia aos minutos finais do empate contra o Londrina no estádio Bento Freitas, na noite da última terça-feira, recordava-me do que o técnico palmeirense Cuca falou a respeito do Xavante, no Programa Resenha ESPN, no último dia 14 de maio. “O Brasil é um Flamengo pequeno. É uma cobrança, uma torcida…”, disse, sem meias palavras.


Divulgação ESPN
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O Brasil foi um dos primeiros clubes na carreira do atual campeão brasileiro


De fato, foi uma noite na Baixada de muitas cobranças. Inicialmente de muito apoio, é verdade, e de bom público, apesar do horário ruim para os trabalhadores, da campanha decepcionante iniciada no estadual e que ainda perdura. E ainda apesar da declaração do atual presidente Xavante, Ricardo Fonseca, que chamou o torcedor rubro-negro de oportunista. Todos nós admitimos a passionalidade do torcedor, mas é de uma ingratidão quase inacreditável dizer tais palavras a respeito do único combustível que move há mais de cem anos o Brasil - e esta é a principal diferença entre os rubro-negros.


Depois da derrota por 2 a 0 para o (em crise) Guarani de Campinas, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, na estreia da Série B, uma vitória contra o Londrina, no Bento Freitas, seria fundamental. E, apesar de um primeiro tempo mais equilibrado, o time Xavante resumiu-se a poucas jogadas trabalhadas e a muitos erros de passe, inclusive o que originou o gol de empate do time paranaense.


A estreia de Rafinha foi bem interessante, especialmente nos primeiros 45 minutos. Elias também apareceu na primeira etapa. O gol marcado por Rodrigo Silva, de pênalti, foi bem batido, mas infelizmente não consigo destacar outros pontos positivos. Com as contratações feitas e bem recebidas pela torcida, o time se reconstrói e abre margem para crescimento, mas o futuro é assustador. O susto que o clube não teve na Série B do ano passado talvez passe agora. E os próximos dois adversários são "apenas" Goiás, fora de casa, e Náutico, em Pelotas.


Jonathan Silva/assessoria GE Brasil
Jonathan Silva/assessoria GE Brasil

O primeiro gol Xavante na Série B foi marcado por Rodrigo Silva, de pênalti


Apesar de ser “um Flamengo pequeno”, como afirmou o atual técnico campeão brasileiro, o Brasil tem as dificuldades naturais de um interiorano. É uma mescla ingrata porque exige muito com pouco. Neste momento, dentro de campo, parece que a fórmula tem sido a mesma: as vitórias ainda vão permanecer distantes com o que o elenco rubro-negro consegue produzir.


Mais uma vez, a "oportunista" torcida Xavante vai ter de transformar a dificuldade em mais uma oportunidade à superação. Afinal, a paixão da torcida flamenguista aproxima-se à Xavante - e não o contrário nesse caso, se me permite a correção, Cuca.