A falta que Diogo Oliveira faz ao Xavante

Depois da derrota em Porto Alegre para o Internacional por 1 a 0 no último sábado, não teve como não lembrar de quem, muitas vezes sozinho, precisava resolver a meia-cancha rubro-negra. E resolvia.


Foi justamente o que faltou para o Xavante na última partida. Não havia jogada pelo meio de campo. Foi um time que enfrentou na base do chutão um clube milionário e tecnicamente superior. A receita para a derrota foi escrita e seguida com eficiência.


Sem os meias trabalhando, não havia posse de bola, não aconteciam jogadas ofensivas - exceto quando Marcinho aproveitava-se de sua velocidade para chegar à área adversária. Era defesa contra ataque. Nós torcíamos para, sei lá, um milagre acontecer, para que saísse um gol na bola parada. Qualquer coisa (e quando aceitamos qualquer coisa devemos ligar o sinal de alerta).


Sem os meias, o Xavante não jogou. As estatísticas escancararam: 73% de posse de bola para o time colorado, que também foi o que mais desarmou (mesmo com o Xavante apenas se defendendo) e que mais chutou a gol. O Internacional, que não havia vencido nenhuma partida no estadual contra quatro times do interior, finalmente jogou muito. Ou o Brasil jogou pouco?


Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil
Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil

'O maestro': sua principal função era servir os atacantes e organizar a meia-cancha


Aí com aquele meio-campo 'vazio' e inoperante, a saudade veio. O meia Diogo Oliveira, que deixou o Xavante para ir ao Paysandu, fez falta. Era o jogador que prendia a bola, que girava de um lado a outro até arranjar os espaços, até um companheiro aparecer para receber. Muitas vezes era ‘sacrificado’ na partida porque jogava sozinho. Não havia outro meia para acompanhá-lo. Contra o Vasco da Gama, na Série B, ele destruiu.


O ‘maestro’, como é conhecido no futebol. 



É preciso valorizar os jogadores que estão no clube atualmente, é óbvio, mas em tempos de dificuldade nós temos autorização para cultivar a nostalgia. Para lembrar que há poucos meses o nosso meio-campo funcionava de outra forma. O nosso time fez estrondoso som na Série B. Brigou até por G4, lembram? Rumo a Tóquio e tal.


Porém, sem maestro não há regência; e sem regência não há música.