O que outros clubes do interior mostram ao Xavante?

Desde que o Brasil-RS reencontrou os caminhos das vitórias, especialmente quando retornou à Série A do Gauchão em 2013, muito se discutiu até que ponto seria possível fazer frente à hegemonia da dupla Gre-Nal no estado. Atualmente na Série B do Campeonato Brasileiro  -  assim como o Juventude -, o Xavante é tido como uma das forças do interior que podem, enfim, levantar o caneco estadual. 


Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil
Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil

Pela Copa da Primeira Liga, há algumas semanas, o Brasil perdeu por 2 a 1


No entanto, isso ainda não ocorreu. De 2014 até agora, o Xavante foi bicampeão do interior (título que não conquistava desde 1984) e cresceu em nível nacional. Ensinou ao restante do interior, de certa forma, que é possível caminhar com as próprias pernas. Todavia, no mesmo período, o Brasil venceu apenas uma vez algum da dupla: o Grêmio, por 1 a 0, em Porto Alegre no Gauchão de 2015 (antes, em 2014, em casa empatou com o Grêmio; em 2015 voltaria a empatar, dessa vez com o Internacional em Rio Grande).


A explicação? O ‘abismo’ entre Xavante (assim como o interior como um todo) e dupla Gre-Nal, representado pelas diferenças técnicas, financeiras e estruturais dos clubes, por exemplo. É uma visão consciente ou pouco ambiciosa? A resposta talvez esteja nas primeiras rodadas do campeonato gaúcho deste ano.


Se há algo que os outros clubes do interior estão mostrando ao Xavante neste Gauchão é exatamente a capacidade de encarar de frente os gigantes do estado. A SER Caxias, por exemplo, venceu no estádio Centenário o Grêmio (2 a 1) e empatou com o Internacional no Beira-rio (1 a 1). Fez incríveis quatro pontos em seis e agora regozija-se com a ótima campanha.


Elenise Martins/assessoria ECNH
Elenise Martins/assessoria ECNH

Novo Hamburgo venceu em pleno Beira-rio por 2 a 1 e tem a melhor campanha do Gauchão


Juntos, nas primeiras quatro rodadas, a dupla Gre-Nal disputou 24 pontos contra os times do interior e conquistou apenas dez — pior para o Internacional que tem apenas 3 pontos e é o primeiro fora da zona de rebaixamento. Veranópolis, Novo Hamburgo, Passo Fundo e São José-POA conseguiram vencer as gritantes diferenças e somaram pontos dentro ou fora de casa. 


O sentimento do torcedor rubro-negro é muito claro: ele sabe que é sempre complicado arrancar pontos dos clubes da capital, mas diante de todas as circustâncias (Inter em mau momento; Brasil com o maior investimento do interior gaúcho; outros interioranos pontuando frente à dupla) é possível encarar. É no mínimo obrigatório acreditar que é possível.


Para sobrepujar o abismo — e o tabu


Neste ano o Brasil enfrentou apenas o Internacional. A partida valeu pela Copa da Primeira Liga; e perdeu, com um jogador a menos, por 2 a 1 no Beira-rio. A história pode finalmente mudar na noite deste sábado (25), pois volta à capital do estado para enfrentar novamente o colorado.


No entanto, para superar o maldito e supracitado abismo, o Brasil precisa passar por cima, também, de um tabu de duas décadas sem vencer o Internacional, seja em Porto Alegre ou em Pelotas. Segundo os números do pesquisador Izan Muller (em matéria especial para o Blog Xavante), os clubes se enfrentaram 109 vezes: o Inter venceu 68; foram 24 empates; e o Brasil comemorou apenas 17 vitórias.


O último triunfo rubro-negro no campo rival foi em 1984, por 1 a 0, com gol de Bira - este time, aliás, foi a base daquele de 85, quando o clube da Baixada chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro e terminou em terceiro lugar. No Bento Freitas, a última vitória foi em 1996, também por 1 a 0, e o gol foi marcado por Pablo. 


Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil
Carlos Insaurriaga/assessoria GE Brasil

Os resultados tendem a ser ruins, mas a torcida Xavante é sempre uma certeza


Desejo que todos esses números negativos sirvam para incitar o sentimento de indignação no vestiário; que o crescimento do Xavante em nível nacional se reflita no campo; que o mau momento do Inter no estadual seja outro fator determinante; que os jogadores fitem as arquibancadas e encontrem a Xavantada (essa nunca perdeu um jogo); e que, por fim, os resultados dos outros clubes do interior nos mostrem uma coisa: dentro do gramado e no bico da chuteira o abismo pode ficar um pouco menor. À vitória!