A vitória que permitiu acreditar no milagre

Em 2003, ano em que o Botafogo disputou a Série B pela primeira e única vez em sua história, a torcida abraçou a causa e transformou o Caio Martins em um caldeirão. 


Em 2004, quando um novo descenso parecia provável, a fé e o amor falaram alto. Aos trancos e barrancos, culminando em um empate épico contra o Atlético-PR na Arena da Baixada, mesmo com o adversário na luta pelo título, o clube conseguiu evitar a tragédia de um novo rebaixamento.


Em 2009, a reta final de uma nova fuga da zona de rebaixamento fez com que o Engenhão ficasse abarrotado. Com muito apoio e vitórias marcantes como o 3 a 2 em cima do São Paulo, o povo de General Severiano conseguiu deixar pra trás mais uma vez o fantasma anunciado da queda à segunda divisão.


Em 2013, a briga foi outra, finalmente na parte de cima da tabela. No entanto, a perseguição pela tão sonhada vaga na Libertadores após 18 anos de ausência - e diante de tantos problemas que já existiam - plantou uma semente.


Agora, em 2014, quando parecia não haver mais esperança, essa semente brotou. O grito entoado no Maracanã, quando já havia o atraso de salários e tudo remava contra nossa maré, voltou à tona com um significado mais forte e intenso. "Um, dois, três, estamos com vocês!" foi resgatado com força depois do triunfo contra o Flamengo em Manaus. 


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Saudação entre time e torcida a cada vitória, tornou-se símbolo da boa fase em 2013


De fato, era o que faltava para acreditarmos no inacreditável. Vencer o Flamengo, fato que havia acontecido apenas uma vez nos últimos 23 confrontos contra o rival em Brasileirões, resgatou a esperança do mais pessimista botafoguense. 


Ainda não é um "agora não vamos mais cair". No entanto, o "já caímos" virou "até que podemos não descer", ou, pros mais otimistas, "eu acredito que não vamos cair!". Palavras fortes para descrever um grupo que é fraco, tem muitas limitações, mas nunca deixou de lutar dentro de campo. 


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Gabriel é o símbolo da reação: muita vontade, entrega e valorização da camisa


Vágner Mancini parece, finalmente, ter entendido o espírito da coisa. Jogando fechadinho como no jogo contra o Corinthians, também em Manaus, o Botafogo arrumou a cozinha e saiu nos contra-ataques. Algo que já era pedido pelos torcedores há algum tempo e nos irritava profundamente a cada escalação com 3 atacantes. Talvez seja tarde demais. Mas talvez não. A diferença é que essa última frase não existia até semana passada.


O objetivo é claro, mas não é simples. Pelos cálculos dos matemáticos, recisamos de 4 vitórias em 7 jogos. A questão é que o golaço do Wallyson - que vem se destacando, pasmem - me fez acreditar até em Papai Noel na noite do último sábado. E é com esse sentimento que vou de peito aberto para as próximas rodadas, começando pelo Cruzeiro no Mineirão (logo agora...). Pelo menos até quando o Botafogo e os números permitirem. 


Aos supersticiosos, peço que estejam afiados. Usem as cuecas da sorte, assistam aos jogos nos mesmos lugares, não mudem de posição quando sair gol, rezem pelo Jéfferson e estejam prontos pra comemorar um gol de bicicleta do Aírton. Daqui pra frente, tudo pode acontecer. 


A única certeza é que, ao final da 38ª rodada, aconteça o que acontecer, eu amarei o Botafogo ainda mais.