Arquibancada inflama na hora certa e empurra o Botafogo para a virada

O Botafogo fez uma das suas piores partidas na temporada de 2017. Expôs, mais uma vez, suas principais fraquezas. Não conseguiu se impôr, novamente, contra um time da parte de baixo da tabela. Criou muito pouco no campo ofensivo. Ainda assim, saiu com a vitória. O principal responsável? A torcida.


Nosso povo provou que a arquibancada é o principal combustível deste time. Assim como empurramos o Glorioso nas marcantes partidas da Libertadores e da Copa do Brasil, fizemos a diferença mais uma vez em um momento crucial da partida: logo após sofrer um gol. 


A reação instintiva da torcida ao ver o time esbarrar em suas limitações foi soltar a voz. Com a força da garganta, fizemos o time reagir. Menos barulhenta e participativa que o normal, nossa bancada acordou com o gol da Chape e enxergou a necessidade de intervir - como vem fazendo muito bem desde 2016.


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Após ganhar novo contrato, Vinicius Tanque fez o gol da vitória


No grito, empatamos. Com a voz, fizemos um time apático dar carrinho na linha lateral do meio de campo. Cantando, fizemos eles lembrarem o que tem sido o Botafogo 2017; fizemos o time despertar e perceber que a missão, renovada, está diante de nós. E ninguém vai cumpri-la em nosso lugar. 


Com a bola, no geral, fizemos muito pouco. Mesmo com 10 dias de treinos, não mostramos nada de novo. A armação inexistiu e abusamos de passes longos em profundidade e bolas bicadas de qualquer maneira para a área. Faltou criatividade e, como o adversário veio para não jogar, não tivemos a capacidade de furar a retranca da Chape. 


De tanto insistir, encontramos dois gols em bolas levantadas na área. Muito pouco em termos de produtividade, mas 3 pontos importantíssimos. Quem quer ficar entre os 4 primeiros também precisa ganhar jogando mal. Ninguém vai à Libertadores com o espírito que mostramos no primeiro tempo e em metade do segundo. Que isso fique bem claro dentro do vestiário. 


Nota


Gatito Fernández: 6
Mero espectador. Sem culpa no gol. 


Arnaldo: 6
Partida razoável. Precisa dosar a velocidade para não desperdiçar suas boas arrancadas. 


Joel Carli: 7,5
Sem culpa no gol. Fez seu papel na defesa e ainda ajudou na armação na hora do aperto, dando até assistência. Um legítimo capitão. 


Igor Rabello: 6,5
Atuação segura, sem grandes sustos. Teve sua vida facilitada pela retranca adversária. 


Victor Luis: 5
Vacilou no único ataque da Chapecoense, deixando Apodi entrar livre nas suas costas. No campo de ataque, também não esteve bem.


Rodrigo Lindoso: 7
O mais lúcido do meio-campo. Mais preso à marcação, tentou fazer a bola rodar para achar os espaços no campo adversário. 


Matheus Fernandes: 5,5
Limitou-se a marcar. Precisa voltar a mostrar aquela personalidade para jogar que tinha nas categorias de base. 


João Paulo: 5
Quando não está inspirado, nossa armação inexiste. Errou muitos passes e não conseguiu construir jogadas trabalhadas. Precisa caprichar mais na bola parada. 


Bruno Silva: 4,5
No primeiro tempo foi razoável, correndo e buscando espaços e tabelas. No segundo, voltou desligado e displicente, errando passes fáceis e sendo desarmado constantemente. Irreconhecível. 


Guilherme: 6
Bastante acionado, foi participativo - sobretudo no primeiro tempo. Ainda assim, impressiona pela capacidade de tomar decisões erradas. Fazia tudo certo até o momento do passe/chute/cruzamento. Não pode ser titular. 


Brenner: 6,5
Mais um gol de oportunismo, típico de centroavante. Mas poderia ajudar mais a segurar a bola no ataque, fazendo o pivô e se movimentando para receber a bola. 


Marcos Vinicius: 5,5
Entrou para melhorar a produção ofensiva, mas pouco fez. 


Rodrigo Pimpão: 7
Entrou para melhorar o lado esquerdo do ataque e teve mais qualidade que Guilherme. Em um só lance, fez mais que o companheiro durante todo o jogo: um belo cruzamento para o gol da virada. Não pode sair desse time, gostem ou não. 


Vinicius Tanque: 7
O futebol é inexplicável. Sua renovação merece até uma CPI, mas vou dar uma trégua por ter escorado a bola pra rede no gol da virada. Ao menos, é esforçado.


Jair Ventura: 6
Apesar da vitória, o time mostrou muito pouco. Mesmo com 10 dias de trabalho, não apresentamos melhoras - principalmente na parte ofensiva. Precisa ajustar nosso jogo ofensivo, pois nem sempre conseguiremos resultados com o futebol de hoje. 


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