Botafogo 0-0 Flamengo: decisão para o Maraca

Satiro Sodré / SS Press / BFR
Satiro Sodré / SS Press / BFR

Luis Ricardo não fez boa partida


Tudo igual na primeira partida da semifinal da Copa do Brasil. Botafogo e Flamengo criaram pouco e não saíram do zero no Estádio Nilton Santos. Para o Alvinegro, o melhor dos empates; na semana que vem, no jogo de volta, qualquer empate com gols no Maracanã nos classifica. Basta jogar com inteligência que a vaga será nossa. 


O Glorioso chegou ao quarto jogo consecutivo sem sofrer gols. Em compensação, teve seu pior rendimento ofensivo em muito tempo. Como as expectativas antes do confronto eram altas, a torcida acabou saindo um pouco decepcionada - enquanto os mulambos, que demonstravam até certo medo antes do apito inicial, comemoraram timidamente o fato de não terem perdido.


Faltou ao Bota a mesma pegada das vitórias contra Nacional e Galo. Ditando o ritmo e pressionando desde o início, teríamos derrotado um combalido e arrastado Urubu. No entanto, recuamos demais e permitimos que o Fla respirasse com a bola nos pés e tocasse a bola tranquilamente no meio-campo enquanto o tempo corria. Sem conseguir contra-atacar uma vez sequer, atrair o time dos caras para nossa intermediária acabou sendo inútil e desnecessário.


Fora de campo, tivemos uma noite de muitas cenas lamentáveis. Boa parcela das duas torcidas se preocupou apenas em torcer e apoiar, mas os idiotas roubaram a cena dos dois lados: enquanto flamenguistas arremessavam objetos e gesticulavam espetos de churrasco, houve um botafoguense cometendo ato de racismo - denunciado pelos próprios alvinegros - e brigas com a polícia no setor Norte. Ao que parece, não há mais espaço para rivalidades sadias, zoações e brincadeiras. A geral do Maraca morreu e, com ela, levou nossa civilidade. 


Embora não tenha vencido, o Fogão conseguiu o melhor dos empates. Como não tomou gols em casa, jogará fechado. O Flamengo, com o apoio de sua torcida, vai querer vir pra cima. Ao melhor estilo 2016, devemos nos fechar atrás e aproveitar os espaços deixados pelo rubro-negro. Com inteligência e confiança, temos todas as condições de trazer a classificação pra casa.


Na próxima semana, a segunda partida acontece no ex-Maracanã. Com ingressos a impressionantes R$ 150 e a tensão nos arredores, não parece que teremos um grande espetáculo nas arquibancadas. Resta ao Botafogo seguir fazendo historia em campo e aproveitar essa ligeira vantagem de um empate sem gols. 


Notas


Gatito Fernández: 7
Pouco trabalhou. Quando exigido, fez incrível defesa cara a cara com Berrío. 


Luis Ricardo: 5,5
Muitos passes errados e pouca participação ofensiva. Ficou devendo. 


Joel Carli: 6,5
Segurança na defesa, anulou as poucas subidas do Fla. Expulso em lance bobo com Muralha, será importante desfalque. 


Igor Rabello: 6,5
Mostrou inteligência para controlar o ataque adversário. Trabalhou bem.


Victor Luis: 7
Muita disposição e poder de marcação, ganhou todas pelo seu lado. Ofensivamente, pouco criou. 


Rodrigo Lindoso: 6,5
Ocupou a intermediária e bloqueou as tentativas de bola em profundidade. 


Matheus Fernandes: 5
Errou muitos passes, algo raro em seu jogo, e não mostrou o seu bom futebol de sempre. Pode ter sentido o peso da partida. 


Bruno Silva: 6
Correu o jogo todo, mas foi pouco eficiente. Não viveu uma noite inspirada. 


Rodrigo Pimpão: 6
Assim como Bruno, não estava em um bom dia. Para piorar, em um carrinho forte e desnecessário no meio-campo, levou o amarelo e está fora da partida de volta. Desfalque complicado. 


João Paulo: 7
Foi quem mais tentou. Marcou muito, ajudou na saída de bola e tentou se aproximar da área. Foi o mais lúcido do time. 


Roger: 6
Isolado, brigou sozinho com os zagueiros e praticamente não encostou na bola. Poderia ter sido mais acionado. 


Marcelo: 6
Entrou para ocupar a vaga de Carli, expulso, e não comprometeu. Na saída de bola, precisa caprichar mais nos passes. 


Guilherme: 6
Entrou na vaga de Pimpão para renovar o fôlego do time, mas pouco criou. Precisará estar em dia inspirado caso seja escolhido como titular na próxima quarta. 


Gilson: 5,5
Entrou para liberar Guilherme e fechar o lado esquerdo, mas pouco foi notado em campo. É a outra alternativa para titular na semana que vem. 


Jair Ventura: 6
Seu time cumpriu o objetivo de não tomar gols, mas praticamente abdicou de jogar. Deveria ter tentado impor seu ritmo dentro de casa, como fez nos últimos mata-matas. 


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