Cruzeiro 0-0 Botafogo: pontinho generoso

Preocupado com a decisão de quinta-feira na Libertadores, o Botafogo foi a campo com praticamente todo o time composto por reservas. Com pouco entrosamento e sem velocidade para buscar contra-ataques, o Alvinegro jogou mal e foi dominado durante toda a partida - nas duas chances que teve, talvez as duas melhores do jogo, falhou. No fim das contas, o empate foi um resultado aceitável diante das circunstâncias do jogo. 


O Cruzeiro aplicou uma blitz nos minutos iniciais e criou boas chances ao encontrar certa facilidade para entrar em nossa área. Com as linhas espaçadas e encurralado em sua intermediária, o Glorioso tinha dificuldades para recuperar a bola - e, quando conseguia, não tinha compactação e velocidade suficientes para chegar ao campo ofensivo com perigo. Os volantes erravam muitos passes e os homens de frente pecavam pela individualidade. 


Diante da decisão acertada de Jair Ventura, que rodou o elenco e poupou suas principais peças, ficou escancarado mais uma vez o erro de planejamento na montagem do grupo, sobretudo nos extremos - Pimpão e Bruno Silva não têm reservas que mantenham a mesma dinâmica; Não há no grupo jogadores que consigam fechar a linha de meio-campo, ajudando na marcação e ainda chegando com qualidade na frente. Quando não jogam, o Bota perde muito da sua capacidade de contragolpear. 


Telmo Ferreira/FramePhoto/Gazeta Press
Telmo Ferreira/FramePhoto/Gazeta Press

Guilherme foi o menos pior do Botafogo no campo ofensivo


Na segunda etapa, o Cruzeiro se lançou ao ataque, embora sem a mesma eficiência na criação que mostrara no 1º tempo. Por isso, nos seguramos sem maiores sustos e, na reta final, diante do desespero celeste, tivemos a melhor chance da partida - prontamente desperdiçada por Marcos Vinícius, que mandou para fora e jogou no lixo a tão consagrada "lei do ex". Ainda assim, nem com a oportunidade claríssima perdida sentimos o famoso gosto de "empate com sabor de derrota". O jogo foi dos caras e não merecíamos os 3 pontos. 


O empate ficou de bom tamanho e já pode ser imediatamente ignorado em função do importantíssimo confronto de quinta-feira, no Estádio Nilton Santos, pelas oitavas da Libertadores. Com a vitória no Uruguai contra o Nacional na ida, a torcida já comprou cerca de 40 mil ingressos e promete uma linda festa em nossa casa. Vamos fazer nossa parte e apoiar até o final para seguirmos fazendo historia pela América!


Notas


Gatito Fernández: 7,5
Muito exigido, fez boas interferências e algumas defesas. Muito regular. 


Emerson Santos: 5,5
Atuação regular. Não cometeu grandes falhas, mas também não suou uma gotinha a mais do que o básico. Seu comprometimento é estritamente profissional e já parece guardar seus esforços para seu próximo clube. 


Marcelo: 6
Embora envolvido nos minutos iniciais, conseguiu se reencontrar e fazer uma partida segura com alguns bons cortes. Precisa caprichar mais na saída de bola e ser menos afobado em lances como a disputa com Sóbis, onde o juiz poderia ter assinalado o pênalti. 


Emerson Silva: 4,5
Impressiona pela facilidade com que é driblado. No primeiro tempo, Sassá passou por ele como se fosse um cone. Além disso, quase fez (mais) um gol contra. Seu nível de atuação caiu demais de uns tempos para cá. 


Gilson: 5,5
Sua dobradinha com Emerson Silva pela esquerda da zaga nos fez ter calafrios, sobretudo no primeiro tempo. No segundo, melhorou levemente. Não conseguiu ser efetivo nas raras subidas ao ataque. 


Dudu Cearense: 3,5
Disparado o pior em campo. Errou absolutamente todos os passes na saída de bola, proporcionando várias chances de perigo para o Cruzeiro. Já foi um grande jogador, mas não tem mais pique para atuar em um torneio de ponta. 


Rodrigo Lindoso: 5
Também não foi bem na saída de bola, com passes errados e bolas perdidas. Pela segunda vez seguida, fez um mau jogo. 


Bruno Silva: 5
Não entendi sua presença em campo, pois é um dos mais desgastados do elenco. Morto desde o início, não conseguiu sequer ter velocidade para ajudar nos contra-ataques. Deveria ter descansado hoje e preocupa para quinta. 


Léo Valencia: 4,5
Não foi bem em sua primeira partida como titular. Exagerou nas cavadas de falta e prendeu demais a bola - principalmente em lance de 2 contra 1, onde era só rolar para o Guilherme. Ainda assim, há de se ter paciência: o jogador, que é uma grande aposta do clube, acabou de chegar em um novo país e está pressionado pela grande expectativa. Ainda é muito cedo para tirar conclusões ou precipitar análises. Antes de tudo, vamos apoiá-lo e fazê-lo sentir-se em casa.


Guilherme: 6,5
Embora tenha irritado como de costume nos passes errados e individualidades desnecessárias, foi quem melhor se apresentou no campo de ataque. No fim, deixou Marcos Vinícius na cara do gol. 


Brenner: 6
Com o time recuado em sua intermediária, não teve muito o que fazer. Ainda assim, mostrou boa movimentação para pivô e alguns passes interessantes. Não tem velocidade para esse estilo de jogo, embora seja ligeiramente mais veloz que Roger. Outro que precisa de tempo. 


Vinicius Tanque: 5
Nulo como sempre. Jamais entenderei tamanha insistência do clube nesse jogador. 


Marcos Vinicius: 5
Jogou apenas 15 minutos. Tempo suficiente para perder um gol cara a cara. Não é ruim, mas hoje vacilou feio. 


Renan Fonseca: sem nota
Só entrou para ficarmos desesperados nos minutos finais e tristes por lembrar de sua existência no elenco. 


Jair Ventura: 6
Fez o certo ao poupar os titulares - embora eu não veja nenhuma explicação lógica para não manter o mesmo critério com o Bruno Silva, que rastejava em campo e pedia para sair. Demorou muito para mexer nas peças da frente, que precisavam de movimentação. 


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