Botafogo 1-2 Palmeiras: dobradinha indigesta

O Botafogo foi a campo contra o Palmeiras visando recuperar-se da derrota diante do São Paulo, no mesmo Estádio Nilton Santos, mas fez seu torcedor ir embora de cabeça quente outra vez. Cansado e sem inspiração, o Alvinegro voltou a não repetir seu padrão de jogo e perdeu mais uma no Brasileirão - a segunda consecutiva em casa e a sexta em 18 rodadas de campeonato.


A dobradinha indigesta em nossa casa aumentou a distância para o G6 e teve novamente os requintes de crueldade da última partida; o Glorioso saiu atrás no placar, buscou a igualdade, rondou a área buscando a virada e, nos instantes finais, sofreu o gol num contra-ataque. O fato é que, dessa fez, não fizemos por merecer a vitória. 


A grande e preocupante verdade é que o time está fisicamente no limite. Os titulares, que vêm se consagrando na Libertadores e na Copa do Brasil, não têm mais o mesmo ritmo de antes - pois precisam atuar em praticamente todas as partidas. Como nosso elenco não possui um leque de alternativas, não conseguimos montar escalações alternativas para descansar os principais nomes. 


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Luis Ricardo foi mal e deu espaços pelo lado direito


Estamos em um momento decisivo da temporada e vivendo uma fase que há muito não desfrutávamos; embora não seja o ideal, já passou da hora de abrirmos mão do Campeonato Brasileiro, priorizando os dois torneios mata-mata e descansando nossas melhores peças. Contra o Cruzeiro, no próximo domingo, já deveríamos entrar com uma escalação completamente reserva - mesmo que haja necessidade de improvisar em uma ou outra posição. 


Nas próximas semanas deste mês de agosto teremos, ao menos, três grandes decisões: o jogo de volta contra o Nacional-URU e os dois confrontos com o Flamengo. Para emplacarmos o futebol dos grandes momentos que já consagraram esse grupo, no entanto, precisaremos de nossos guerreiros descansados e prontos pro combate. 


À torcida, resta apagar da memória as duas fatídicas derrotas pelo Brasileirão e recarregar as energias para o que realmente importa em 2018. Com time e bancada energizados e em harmonia, voltaremos a sorrir, vibrar com triunfos e, se tudo der certo, levar novas taças para General Severiano.


Notas


Gatito Fernández: 6,5
Sem culpa nos gols. Fez duas grandes defesas, mas errou em uma saída de bola que quase resultou em gol do Palmeiras. 


Luis Ricardo: 4
Deixou muitos espaços na defesa e foi nulo no ataque. No gol derradeiro, praticamente tirou o corpo da reta do cruzamento. Lembrou o Luis Ricardo de 2015.


Joel Carli: 6
Esteve perdido durante a maior parte do tempo, assim como toda a defesa. Precisa acelerar a saída de bola. 


Igor Rabello: 3,5
Irreconhecível. Entregou vários lances, perdeu quase todas pelo alto, fez um gol contra e perdeu outro feito no ataque. Muita displicência. 


Victor Luis: 7
Fechou bem seu lado e ajudou como pôde no setor ofensivo. Um dos mais lúcidos. 


Rodrigo Lindoso: 5,5
Hoje, não estava legal. Aparentando cansaço, errou lances simples e falhou na cobertura. 


Matheus Fernandes: 6
Oscilou e alternou erros bobos na saída de bola com grandes jogadas como a do lance do gol. Também já começa a ser atingido pela maratona de jogos. 


João Paulo: 5,5
Talvez o jogador que mais corre e se doa, é o mais afetado pela sequência. Faz todas as funções no meio-campo. Cansado, não teve uma boa noite. 


Bruno Silva: 4,5
Nem sombra do jogador intenso e dinâmico que estamos acostumados a ver. Por vezes, se escondeu atrás da marcação. Muito mal. 


Rodrigo Pimpão: 5
Como depende muito da parte física para fazer funcionar seu jogo tático, vem tendo atuações irritantes. Precisa descansar, pois sua função é vital em nosso esquema. Mérito do posicionamento - irregular, por sinal - no gol, mas muitos erros de passe. 


Roger: 4,5
Saiu muito da área para buscar jogo, mas não foi eficaz. Fez falta completamente desnecessária no lance do primeiro gol do Palmeiras. Também perdeu chance clara na frente do gol. De bom, o cruzamento para o gol de Pimpão. 


Leo Valencia: 7
Mostrou desenvoltura e muita vontade. Bons dribles e passes. Ótimo lançamento para Roger no gol de empate. Deixou a torcida esperançosa com seu bom futebol. 


Guilherme: 4
Entrou, repetiu o seu mesmo drible de sempre em quatro ou cinco tentativas e errou todos os passes. 


Brenner: sem nota
Entrou no desespero pós-gol do Palmeiras, já nos minutos finais. Sem condições de avaliar. 


Jair Ventura: 4
Seu erro capital foi tirar Matheus Fernandes, que povoava o meio, ao invés de Pimpão, cansado e nulo, para colocar o Guilherme. Abriu o time e chamou o Palmeiras. Ao perder a consistência no meio-campo, cedeu contra-ataques desnecessários e acabou levando o gol. Não é sempre que colocar 3 atacantes em campo é errado, vale frisar; mas, hoje, mexeu mal demais. Nas próximas partidas do Brasileirão, precisa escalar apenas reservas - ou a vaca vai pro brejo. 


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