Botafogo 3-4 São Paulo: cochilada imperdoável

É difícil de explicar e mais ainda de entender. O time que vemos fazer historia semana após semana, que joga ligado no 220v todas as partidas, que luta por todas as bolas até o fim, hoje merece as críticas severas por um pecado inadmissível no futebol: achar que o jogo já está ganho. Num duelo de altos e baixos contra um adversário desesperado, o Botafogo "dormiu" nos 10 minutos finais e tomou três gols, jogando fora uma vitória importantíssima dentro de casa. 


Após tomar mais um gol por puro preciosismo - após o vacilo contra o Atlético-GO, novamente entregamos a bola dentro de nossa área - o alvinegro deu a volta no resultado e aquela falha ficou parecendo apenas um deslize. Após superar mais um erro grave de arbitragem e virar o placar para 3 a 1, encaminhávamos um triunfo que nos jogava ao quinto lugar, na porta do G4 e, como sempre digo, nos colocando no bolo - o que é o mais importante nesse momento do campeonato. 


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Apesar da derrota, Marcos Vinícius foi o destaque do Botafogo com 2 gols marcados


Aí é que veio a surpresa desagradável: com a folga no placar, o time relaxou. Achou que não precisava mais estar tão ligado e sofreu um caminhão de gols bobos em dez minutos. Não dá pra culpar ninguém individualmente, tampouco dizer que foi apenas um apagão. O Botafogo cochilou e, passivo, viu o São Paulo, com a corda no pescoço, virar o placar de forma inaceitável. Ressuscitamos mais um defunto. 


Que esse resultado trágico sirva, ao menos, pra ser uma eterna lição. Não podemos, em hipótese alguma, achar que uma partida está ganha. Do outro lado sempre haverá um adversário pronto para dar o bote e se aproveitar de nossa hesitação. O Botafogo atual, o que conhecemos, não é o que vimos hoje; foi um vulto do fantasma dos fracassos de anos atrás, algo que não nos cabe mais diante de um elenco tão aguerrido. Lutem o dobro para mostrar que assimilaram o erro e jamais o cometerão novamente. Estamos aqui, mais do que nunca, para apoiá-los. 


Nada de reações desproporcionais da nossa parte, pois o saldo ainda é muito positivo. Como numa relação de pai e filho, amamos o Botafogo e o admiramos por tudo o que vem fazendo e crescendo, mas esse é o momento de dar aquele esporro rigoroso e pesado. Sem azedar a relação, sem jogar tudo no lixo por conta de uma merda que fizeram; mostrar que erraram e seguir de mãos dadas.


Cabeça erguida e vamos em frente. Não há tempo a perder, temos muito a conquistar. 


Notas


Gatito: 7
Mais um pênalti escandalosamente mal marcado, mais uma grande defesa. Com Gatito, pênalti roubado não entra - e não roubado também. Nos outros gols, não vi culpa dele. 


Luis Ricardo: 6,5
Gradualmente recuperando a forma física, mas a técnica não se desaprende; fez boas jogadas pela linha de fundo e, numa delas, deu ótima assistência para Guilherme. 


Joel Carli: 5,5
Foi envolvido pelo rápido ataque do São Paulo e, assim como toda a defesa, falhou em alguns dos gols. Não pode ficar no mano a mano com atacantes velozes, como aconteceu hoje. 


Igor Rabello: 6
Um pouco melhor que seu companheiro por ter mais mobilidade, mas também teve sua parcela de culpa - principalmente no gol em bola aérea, que ele teria cortado se estivesse ligado como de costume. 


Victor Luis: 5,5
Teve muito trabalho na marcação, o que limitou suas subidas ao ataque. Precisa caprichar mais nos cruzamentos. 


Matheus Fernandes: 7
Inúmeros desarmes na intermediária, facilitando saídas em contra-ataque. Pode ter mais personalidade pra arriscar chutes e enfiadas de bola, tem técnica pra isso. 


Rodrigo Lindoso: 6,5
Também fez bom trabalho sujo no meio-campo durante boa parte do jogo. Na reta final, cansou e afrouxou a marcação, permitindo avanços do São Paulo. 


João Paulo: 4,5
Esteve em um dia muito ruim. Deu um gol de presente por puro preciosismo e falhou também nas bolas aéreas. Com a posse, errou muitos passes e lançamentos fáceis. Dia atípico. 


Rodrigo Pimpão: 6,5
Hoje limitou-se a marcar, pois a maratona de partidas já vem afetando diretamente seu rendimento. Como sua função demanda uma longa faixa de campo, não tem conseguido ir e voltar com a mesma intensidade do início de temporada. Ainda assim, quase fez dois belíssimos gols. 


Marcos Vinícius: 7
Desencantou com dois gols de fora da área, algo que falta ao nosso time. Arrisca sem medo de errar. Fez bom jogo, mas saiu cansado na metade do segundo tempo. 


Roger: 6
Mais discreto depois da atuação de gala na Copa do Brasil, não participou muito das jogadas de ataque. Ajudou na defesae nas saídas de bola, buscando o pivô. 


Guilherme: 6,5
Entrou descansado para puxar contra-ataques e fez bela jogada, finalizando-a com o terceiro gol. Ainda assim, desperdiça muitas oportunidades. Precisa melhorar esse aproveitamento e soltar mais a bola. 


Victor Lindenberg: 6
Discreto em sua estreia como profissional. É mais um jovem com muito potencial. 


Brenner: 6
No pouco tempo em campo, mostrou disposição e boa mobilidade. Fez um bom pivô no meio campo. Aparentemente, vai ajudar bastante. 


Jair Ventura: 6,5
Foi a campo com o melhor time disponível, mas nossa intensidade não foi tão forte como em outros jogos. A equipe oscilou em vários momentos e, nos minutos finais, cochilou. Precisa cobrar atenção durante os 90 minutos. 


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