Botafogo 3-0 Atlético-MG: CPF na nota?

A arquibancada pulsou. O estádio tremeu. O time, brigador como sempre, incorporou toda a energia que saía de nossas gargantas e palmas. A cada bola disputada, a cada dividida vencida, a cada posse retomada, eles vibravam e nós também. A sintonia esteve forte como nunca. A vítima de hoje foi o nosso freguês mineiro, mas poderia ser qualquer outro time. A simbiose que rolou entre os jogadores e nós derrubaria qualquer adversário. 


O Botafogo deu um show de bola. Fugindo de nossa proposta de jogo, dominamos as ações desde o apito inicial. Encontramos o gol que precisávamos logo aos 5 minutos e ganhamos moral. Ficou difícil pro Galo, que, atordoado, não sabia nem o que fazer com a bola. Respeito o Atlético-MG, mas a freguesia deles é espantosa. Depois dos 3 a 0, do show na bancada e da classificação, resta apenas uma pergunta: vai CPF na nota, freguês?


Dava pra ver nos olhos de nossos guerreiros a vontade que entraram em campo. Essa classificação, espantando alguns fantasmas dessa competição que tanto nos maltrata, é mais um feito significativo de um grupo que não para de fazer historia. Derrubando barreira por barreira, essa equipe nos faz imaginar qual será o seu limite - se é que ele existe. O fato é que, lutando pelo nosso destino enquanto o clube se endireita almejando um futuro melhor, não há quem tenha motivos pra duvidar da nossa capacidade de superação.  


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

União e muita vontade: a receita do Botafogo se repete na Copa do Brasil


Na semifinal, fase que disputamos apenas em três oportunidades, encontraremos aquele rival imundo da Gávea. Para exorcizar nossos fantasmas de uma vez por todas, esse confronto pode significar um divisor de águas pra nós: devolver a eliminação de 2013, ter a chance de vingar a final que perdemos em 99 e, sobretudo, a que nos roubaram o direito de disputar em 2007. 


Nosso time tem colhões. Esses caras carregam no peito a nossa maior paixão e são dignos de nossos aplausos. Merecem, também, que lotemos nossa casa e façamos a diferença - como gostam de berrar outros times por aí, mas sem sequer fazer barulho. Nós, sim, sabemos o que é ser o 12º jogador; portanto, sejamos. "Quero te ver campeão de novo, vou te apoiar até o final". Chegou a hora de voltar às glórias. 


Notas


Jéfferson: 6,5
Com uma ou duas boas intevenções, apenas assistiu ao passeio do Botafogo. 


Emerson Santos: 5
Destoou do restante do time em termos de vontade. Molenga, desinteressado e descomprometido. Se não está afim de jogar ou já está com a cabeça em outro lugar, que peça o boné. Todas as chances do Galo surgiram pelo seu lado.


Joel Carli: 8,5
Cortou todas, se virou como pôde contra a velocidade dos atleticanos e ainda fez o gol que abriu o caminho pra classificação. Capitão!


Igor Rabello: 8
Monstro nos desarmes. Cortou muitas jogadas, de tudo quanto é maneira. Cresceu demais como jogador. 


Victor Luis: 7
Corre como se sua vida dependesse exclusivamente das vitórias. Fechou o lado esquerdo e ajudou também no meio-campo. 


Rodrigo Lindoso: 7,5
Bem demais nos desarmes e nos lançamentos longos, como no lance do 2º gol. Quando está bem, o meio-campo funciona melhor. 


Matheus Fernandes: 7,5
Enquanto eu escrevia sua nota, ele roubou mais umas 10 bolas. Chega quietinho, como quem não quer nada, desarma e sai pro jogo. Meio-campista completo. Um grande futuro o espera. 


Bruno Silva: 7
Duas assistências e muita correria. Tecnicamente, ainda um pouco abaixo do que nos acostumamos a ver - mas, ainda assim, muito eficiente. 


Rodrigo Pimpão: 4,5
Talvez sua pior partida esse ano. Não deu sequência às jogadas, errou muitos passes bobos e não mostrou a mesma eficiência de sempre na cobertura, que é o seu diferencial. Como o time estava inspirado, acabou passando batido. 


João Paulo: 9
Onipresente. Joga demais em todas as fases do campo, marcando com eficiência e aprimorando cada vez mais a técnica no apoio. Mostrou belo repertório de dribles, passes e cruzamentos. Um monstro!


Roger: 9
Ao contrário de Pimpão, fez sua melhor partida pelo Glorioso. Correu demais, fez gol de centroavante, distribuiu canetas e não parou de correr um segundo sequer. Saiu ovacionado de campo, merecidamente. 


Guilherme: 6
Entrou pra puxar contra-ataque, mas definitivamente não pode substituir Pimpão, já que ignora a necessidade de recomposição - o que levou Jair a mexer novamente. 


Gilson: 6,5
Entrou pra fechar o lado esquerdo e liberar Guilherme, mas acabou premiado com um bonito gol. 


Leandrinho: 6,5
Vem numa crescente e já merece jogar por mais tempo. Roubou a bola e iniciou a jogada do gol que sacramentou a vitória. 


Jair Ventura: 8,5
Após alguma turbulência, conseguiu fazer o time funcionar novamente. Vem conseguindo alternar a proposta de jogo, o que é muito importante - hoje, jogamos com a posse e pressionando o Galo em vários momentos. Vale lembrar que é apenas seu primeiro ano como treinador profissional e a evolução já é nítida. 


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