Atlético-GO 1-1 Botafogo: castigo para os olhos

Há tanta coisa pra criticar que fica até difícil de iniciar o texto. O único acerto hoje, aliás, foi escalar o time reserva e preservar os titulares dessa maratona insana que vivemos desde janeiro. Do apito inicial pra lá, no entanto, foi um show de horrores. Em noventa e poucos minutos, o Botafogo conseguiu trocar passes decentes em duas vezes. Em uma delas, saiu o gol; na outra, perdemos sem goleiro. 


Mesmo atuando com os suplentes, o jogo seria bastante fácil. Digo "seria" porque o alvinegro resolveu simplesmente não agredir o lanterninha da competição, tocando bola na defesa e sem ter a capacidade mínima pra uma tabela ou um chute de longa distância. Do goleiro ao ponta esquerda, pouquíssimas coisas foram elogiáveis hoje. Diante do ótimo momento que vivemos em 2017, um jogo desses é inadmissível. 


O time foi apático, preguiçoso, desligado e completamente irritante. Uma atuação dessa não pode ser tratada como tropeço ou fatalidade nem se usássemos os juvenis. Espero que, já no vestiário, Jair tenha descascado a orelha dos atletas de tanto gritar. Todo o elenco precisa lembrar dessa atuação a cada vez que voltar a campo: uma aula completa do que não fazer dentro das quatro linhas. 


Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

Emerson Silva demora a cortar e cede gol irregular ao Atlético


A falta de entrosamento e a baixa intensidade - principalmente do meio-campo, sem algumas de suas principais peças - acabou tirando quase toda a nossa competitividade. Sem conseguir produzir na saída de bola, foi engolido pelo adversário em vários momentos e sequer conseguiu contra-atacar. O problema só não ficou maior devido à ausência de capacidade técnica do Dragão, que conseguiu ser pior que nosso desesperador time reserva. 


Ainda assim, conseguimos sair na frente faltando 20 minutos pro apito final. Mesmo com todos os erros, tivemos a vitória ali, na palma de nossas mãos, mas a deixamos escorrer entre os dedos por pura falta de atenção e vontade. É pra tirar qualquer um do sério. Quem esteve em campo hoje merece, no mínimo, algum tipo de advertência. Em time grande precisa haver cobrança, e o que vimos hoje foi inadmissível. 


Vale mencionar também mais um erro de arbitragem contra o Botafogo. É justo afirmar que o time não merecia a vitória mas, se pararmos pra colocar na ponta do lápis, a lista de jogos em que fomos prejudicados é enorme. Sem forçar a memória, cito hoje, Coritiba, Vasco, Corinthians, Santos, Sport, Atlético-MG e Grêmio. É hora da diretoria tomar uma providência, mesmo que, como sempre, não dê em nada - já que a CBF é uma vergonha e isso não é novidade pra ninguém. 


Resta a nós, torcedores, tomar dois litros de maracujina e tentar apagar essa partida da memória até a próxima quarta-feira. Em nossa casa, teremos uma batalha importantíssima contra o Atlético-MG pela Copa do Brasil. Hora de encher a bancada e apoiar até o fim, daquela maneira que só nós sabemos. Apesar da atrocidade que foi o jogo de hoje, esse grupo merece nosso incentivo. Até lá!


Notas


Jéfferson: 6
Foi bem nas duas vezes em que foi exigido, mas, com a bola passando por seus pés tantas vezes, o risco de errar era grande - e o lance do gol adversário começou em uma bola que soltou na fogueira. 


Luis Ricardo: 6
Um dos mais lúcidos com a bola nos pés, embora a completa falta de ritmo e confiança ainda reflitam em algumas precipitações. 


Marcelo: 6,5
Cortou várias por cima e por baixo. Seu índice de erros foi bem menor em relação ao resto do time. 


Emerson Silva: 2,5
O primeiro lance do jogo, onde deixou a bola escapar pela lateral, já mostrou o que estava por vir. Dezenas de passes errados, complicações na saída de bola, vacilos na marcação e, como a cereja do bolo, a demora patética pra afastar a bola - que acabou gerando o gol de empate. 


Gilson: 5,5
É incrível como consegue deixar tantos espaços na defesa. Seu lado é uma avenida sempre. Melhorou ao passar pro meio-campo com a entrada de Victor Luis e fez cruzamentos perigosos - em um deles, assistência pra gol. 


Dudu Cearense: 4
Não tem mais pique pra jogo profissional de Série A. Muitos erros de passe na saída de bola - inclusive no gol do Atlético - e muita lentidão pra jogar. Em alguns momentos, perdeu na velocidade pro "gordinho" Walter. 


Fernandes: 4,5
Também esteve péssimo nas decisões. Quase sempre escolhendo a jogada errada, foi presa fácil. Errou muitos passes e foi desarmado com muita frequência. Não consegue repetir as boas atuações que teve na base. 


Bruno Silva: 4,5
Após uma sequência de jogos sendo o melhor do time quase sempre, agora vive um mau momento. Força desproporcional em algumas faltas, pareceu desligado e desinteressado. No segundo tempo, sumiu completamente. 


Guilherme: 3
Voltando a atuar como extremo, foi um desastre. Perdeu todas as bolas ao tentar sua única jogadinha - um corte para a direita - e simplesmente abandonou a obrigação de marcação. Bizarro nas finalizações, inclusive perdendo gol sem goleiro, e também nos cruzamentos. É difícil ter paciência pra aturá-lo por 90 minutos. 


Marcos Vinícius: 5
Depois de ótima estreia diante do Fluminense, não conseguiu repetir o nível. Hoje, esteve apagado em boa parte do jogo. Foi outro que errou muitos passes. 


Vinicius Tanque: 5,5
Uma negação. Nulo durante praticamente toda a partida. Seu gol o salvou - e também aumentou sua nota, obviamente - mas não apaga a péssima atuação. Simplesmente não tem justificativa a sua presença na equipe principal de um time grande.


Victor Luis: 6
Sua entrada melhorou um pouco o nível do time na saída de bola pela esquerda - que logo proporcionou o gol.


Leandrinho: 6
Melhorou ligeiramente o toque de bola no meio-campo, dando mais dinâmica e velocidade. Infelizmente, o Atlético cresceu no fim do jogo e não pôde ser mais explorado.


Lucas Campos: sem nota
Sem tempo pra mostrar algo do seu ótimo repertório nos juniores.


Jair Ventura: 5,5
Acertadíssima a decisão de poupar quase todos os titulares. No entanto, assim como creditamos a ele as boas apresentações táticas do time, é justo que seja também responsabilizado pelos dias ruins. A equipe não mostrou um mínimo de padrão de jogo, com jogadores sem manter posição e fugindo muito do que estamos acostumados a ver. Seu material humano é limitadíssimo, como pudemos ver hoje. Precisará fazer milagre pra chegar até dezembro mantendo o padrão sem perder jogadores por lesão. 


| Seja sócio-torcedor Sou Botafogo


| Siga-me no Twitter: @pedrochilingue