Botafogo, Camilo e Brenner: onde os fracos não têm vez

Ele foi contratado sob pouca expectativa e num momento conturbadíssimo para o clube. Estreou na 11ª rodada do Brasileirão - nove antes de Jair Ventura assumir - e foi o nome do jogo contra o Internacional, iniciando uma sequência de ótimas atuações que empolgou a torcida e iniciou a arrancada que levou o Alvinegro do Z4 ao G6. 


No entanto, a partir de outubro, o seu nível caiu. Ele, que já era peça principal da engrenagem do nosso meio-campo, já rateava nos momentos decisivos da inesperada luta pela vaga na Libertadores. Com o objetivo atingido ao fim do ano, fomos para as férias alegando que era apenas um mau momento e que o descanso antes da próxima temporada o devolveria seu bom futebol. 


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Como bem diria Heleno de Freitas: "O Botafogo não é lugar de covardes"


Erramos. Camilo, o camisa 10 que "deu onda", não conseguiu mais repetir as boas atuações. Com a chegada de Montillo, mudou de posição - e até usou isso como desculpa pro seu desempenho fraco. Foi barrado. Brigou com o técnico. Deixou o ego falar mais alto que o senso coletivo e se colocou acima do clube. Pecado capital. 


Nosso time funciona justamente porque sobrepõe a união ao individualismo; um por todos e todos por um. Camilo, de uma hora pra outra, perdeu a vontade de lutar pelo grupo - e acabou parando de lutar por si mesmo. Atolado em sua coleção de maus jogos, não conseguia se recuperar. Sem confiar no próprio taco para voltar à boa fase que o consagrou, largou uma renovação encaminhada, mesmo com um aumento salarial - que ele sequer merecia -, e pediu pra sair.


Optou pelo caminho mais fácil: voltar a ostentar a boa imagem que deixou em seu início do ano passado, curiosamente inaugurado contra o próprio Inter, seu próximo destino. 



"Por onde eu passei, sempre lutei pelo meu espaço. Não foi isso. Acho que aquela discussão que eu tive lá atrás (com Jair Ventura) pesou agora. Depois que o time começou a jogar bem sem mim, não me sentia confortável."



Ou seja, o sucesso do Botafogo só importava pra ele diante da boa fase pessoal. Parece que não o interessa lutar pra recuperar o prestígio que perdeu por meritocracia e o futebol que sumiu sabe-se lá porquê. Nesse time que tanto supera limites, Camilo realmente não se encaixa com esse discurso. No Glorioso, os fracos não têm vez. 


A negociação


Falando sob o viés técnico da situação, a negociação entre Botafogo e Internacional, envolvendo Camilo e Brenner, tem prós e contras bem cristalinos. De fato não foi a negociação dos sonhos pra nós, mas existem observações importantes a serem levadas em consideração. 


1) O Alvinegro contratou Leo Valencia e Marcos Vinícius; João Paulo tem feito ótimos jogos quando adiantado a armador; Leandrinho, recuperado de lesão, pode ter uma sequência. Dessa forma, temos boas opções para o meio-campo e Camilo poderia virar até 5ª opção de Jair - nada absurdo diante do seu futebol inexistente. 


2) Aliado a isso, a urgência em conseguir peças para o ataque foi destacada até pelo próprio Roger, atualmente o único nome disponível. Brenner chega pra fazer sombra ao nosso camisa 9 e disputar a vaga, o que já dá um alívio e aumenta o leque de Jair. 


3) Camilo tem 31 anos e Brenner, 23. Do ponto de vista de negócios futuros, o atacante pode render mais dinheiro numa possível transferência. 


4) Em 2017, Camilo fez 27 jogos e apenas um gol. Assistência, também apenas uma - em um lance de bola parada. Brenner tem 26 jogos e 13 gols, sendo artilheiro do Campeonato Gaúcho. 


5) O principal ponto negativo, ao meu ver, está no contrato de Brenner: o atacante chega apenas por empréstimo com passe fixado (valores não revelados) e apenas 20% de seus direitos atrelados ao Botafogo, o que diminui consideravelmente nossa margem de lucro numa futura venda. 


6) O clube terá perdoada uma dívida que poderia nos complicar com penhoras futuramente. Mais uma herança daquele dentista maldito, dessa vez envolvendo o lateral-esquerdo Marcelo Cordeiro. Devemos ao Inter cerca de 600 mil reais.  


7) Pode haver, ainda, uma compensação financeira por parte do Internacional. Esse valor poderia ser utilizado na compra do meia Robinho, do Figueirense, já sondado pelo clube - isso não é especulação, mas sim um chute. 


8) Ficamos, ainda, com 50% dos direitos de Camilo - o que nos renderia metade da grana de uma improvável venda do atleta no futuro. 


O mais importante é que não transformemos nossa insatisfação com tudo isso em pedras na mão contra o novo contratado. Brenner chega pra ocupar uma lacuna importante no elenco e, por ser jovem, pode oscilar. Ele precisará do nosso apoio e tem potencial pra deslanchar com nossa camisa. Vamos incentivá-lo em sua integração a esse grupo batalhador e fazê-lo parte importante do time. O momento é de união em prol do Botafogo!


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