Chapecoense 0-2 Botafogo: voltando à velha forma

Com uma atuação impecável, relembrando o estilo de jogo implantado na arrancada de 2016, o Glorioso venceu a Chape na Arena Condá pela primeira vez na historia do confronto. 


Muito sólido na defesa e sempre perigoso nos contra-ataques, o Fogão esteve o tempo todo mais perto da vitória. Embora a Chape tenha cercado a nossa área em boa parte do jogo, nossa qualidade defensiva falou mais alto e evitou a criação de chances perigosas. Quando finalmente conseguiam furar o bloqueio, esbarravam em boas defesas de Gatito.


A atuação nesta 8ª rodada lembrou muito o início do trabalho de Jair Ventura à frente do Glorioso. A eficiência na marcação e a velocidade nos contragolpes, cedendo a posse de bola ao adversário - que não soube utilizá-la -, nos possibilitaram matar o jogo com poucas - porém eficientes - subidas ao ataque. Foram 51 desarmes do Alvinegro contra apenas 12 do adversário. E, num dia raro em 2017, os dois atacantes marcaram os gols do triunfo em Santa Catarina.


Malfalda Press/Gazeta Press
Malfalda Press/Gazeta Press

Roger e Bruno Silva não comemoraram o gol em respeito à Chape


Além do Verdão do Oeste, o Botafogo derrotou um adversário feroz e silencioso: o cansaço. Na atual temporada, já são 34 partidas disputadas em menos de 6 meses - sendo muitas delas em caráter decisivo, como a Libertadores, por exemplo. Diante da exigência com um grupo tão reduzido de atletas, podemos considerar heróico o desempenho de Jair e da equipe. Sem poder promover uma rotação maior no elenco pela falta de alternativas, nosso técnico tem mais esse obstáculo durante as partidas; superar o intenso desgaste, que afeta o desempenho do time, principalmente na parte final dos jogos. 


Apesar dos erros no planejamento e da grave situação financeira, seguimos indo muito além das expectativas. A vitória sobre a Chapecoense nos reaproximou da parte de cima da tabela, entrando no bolo que briga pelo G4. É importante acumular o máximo de pontos agora, enquanto muitas equipes - incluindo a nossa - estão dividindo-se em mais de uma competição. Quando o campeonato afunilar, estaremos com gordura para administrar uma nova classificação à Copa.


Notas


Gatito Fernández: 7
Nas poucas vezes em que foi exigido, fez boas intervenções. Cresceu muito desde janeiro.


Arnaldo: 6
Tecnica e taticamente, está bem abaixo do resto do time. Seus erros individuais e de posicionamento podem comprometer muito uma equipe que joga coletivamente. Hoje, por sorte, não comprometeu. Acertou um bom cruzamento para o gol de Pimpão.


Joel Carli: 7
Hoje, menos exposto, voltou a fazer um jogo seguro. Bem nos cortes por cima. Precisa ter mais cuidado com as faltas próximas à área. 


Igor Rabello: 7
Assim como seu companheiro de zaga, fez uma partida muito segura. A proteção de Victor Luis pela esquerda o ajuda bastante. 


Victor Luis: 7,5
Mais uma atuação impecável defensivamente. Sinto falta da sua participação no campo ofensivo, fazendo a dobradinha com Pimpão.


Rodrigo Lindoso: 8
Muito eficiente no "trabalho sujo" e na cobertura à zaga. Vem fazendo a função de Airton com muita qualidade, protegendo a defesa e entregando a bola para a transição. 


Matheus Fernandes: 7,5
Com a confiança em alta, seu futebol também vem evoluindo. Com personalidade, mostra a versatilidade de um bom volante moderno, marcando e dando qualidade na saída de jogo. 


Bruno Silva: 8,5
Gigante mais uma vez. Um leão na marcação e a boa chegada de sempre na frente. Para tirar o dez, só faltou marcar na boa chance que teve no fim do jogo. 


Rodrigo Pimpão: 9
Mais uma ótima atuação, ajudando na marcação e sendo a válvula de escape com velocidade pela esquerda. Uma assistência e um gol, mesmo que sem querer, o fizeram ser decisivo novamente. Mesmo oscilando devido ao forte desgaste, continua sendo peça-chave em nosso esquema. 


João Paulo: 7
Embora jogue na vaga do armador com a ausência de Camilo e Montillo, seu papel defensivo ainda é o mais importante. Por vezes, compõe a linha do meio numa espécie de 4-5-1. Com a bola, sai para jogar e armar os ataques, embora não tenha o cacuete de um legítimo meia. 


Roger: 6,5
Brigou com a bola em alguns momentos. Alternou bons e maus lances, mas tem sua importância - foi bem na movimentação do seu gol e ajudou com o pivô em algumas oportunidades. Ainda assim, é nítido que não se encaixa no esquema e precisa lutar contra isso 90 minutos por jogo. 


Montillo: 5,5
Entrou na vaga de Roger para dar mais velocidade e técnica ao contra-ataque, mas novamente mostrou estar completamente sem ritmo de jogo. Errou muitos passes, cruzamentos e finalizações. Precisa melhorar, pois ainda é a maior esperança de lucidez no campo ofensivo. 


Guilherme: 6
Nunca imaginei dizer isso, mas fez falta enquanto esteve machucado. Sua velocidade é bastante útil no segundo tempo, embora não muito mais que isso. 


Dudu Cearense: sem nota
Entrou instantes antes do apito final.


Jair Ventura: 8
Mais uma vez, seu time mostrou um padrão tático impressionante. Seu trabalho é muito consistente. Uma pena saber que não receberá peças que o possibilitem vôos mais altos - embora eu não duvide que ele o faça mesmo sem elas. Tem se tornado o melhor trabalho de técnico que já vi no Botafogo depois de Autuori. 


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