Botafogo 2-2 Coritiba: sono, cera e tropeço

Para quem gosta de futebol, um bom jogo para se assistir. Para um botafoguense, um empate que poderia ter sido uma vitória, caso o time tivesse acordado um pouco mais cedo e disputado a partida com seriedade desde o apito inicial. 


Quase todo mundo tem o costume de dormir até tarde. E, diferente da torcida, que acordou cedo e compareceu em bom número no Estádio Nilton Santos, o Glorioso entrou em campo sonolento. Perdendo a posse por várias vezes na intermediária e cedendo muitas bolas ao Coritiba, o Alvinegro foi pego no contragolpe e cedeu um pênalti infantil. 


Nem mesmo o gol foi suficiente para tirar o Fogão do estado de ressaca. O time errava muitos passes no meio-campo e não conseguia criar oportunidades. Até que, em uma bola perdida, Gilson finalmente foi à linha de fundo e encontrou João Paulo, que desviou para Roger empurrar pra rede. O gol, quase que achado, serviu para acordar nossa equipe e recolocá-la no jogo. 


Satiro Sodré/SS Press
Satiro Sodré/SS Press

Roger desencantou no Brasileirão e teve boa atuação


No segundo tempo, o Coritiba resolveu simplesmente não jogar. Cavando muitas faltas e fazendo cera em todas as jogadas, o Coxa teve atitude de timeco - o que não combina com sua tradição. Enquanto só um time tentava marcar, o juiz caiu na cavada de Rildo e marcou um pênalti pra lá de polêmico - sem usar o mesmo critério rigoroso em lance com João Paulo na entrada da área contra o último homem adversário, por exemplo. 


No mais, o Botafogo, apesar de toda a superação, viveu um dia ruim. As coisas não funcionaram tática e tecnicamente. Novamente faltou poder de criação. A superação ajuda, mas não é solução e nem ganha todos os jogos. A diretoria precisa buscar peças pontuais que agreguem ao poderio ofensivo qualidade técnica, visão de jogo e um passe final mais caprichado. 


Diante do tropeço, da cera e da arbitragem tendenciosa, não tem como sair feliz do Niltão. Não há tempo para lamentar, visto que, na quarta-feira, já há novo desafio. Fora de casa, enfrentaremos o Vitória, até então o lanterna da competição. Momento ideal para vencermos a primeira fora de casa e darmos um salto à parte de cima da tabela. 


Notas


Gatito Fernández: 7
Sem culpa nos gols, fez excelente defesa em finalização de fora da área, evitando o pior enquanto buscávamos a virada.


Arnaldo: 5
No 1º pênalti, sequer aparece na imagem. Deixou Carli no mano a mano. No 2º, foi facilmente driblado. No restante do jogo, foi participativo. Precisa caprichar mais na linha de fundo. 


Joel Carli: 5,5
Irreconhecível. Lento e mal posicionado, cometeu dois pênaltis; o primeiro, claríssimo. O segundo bastante duvidoso, mas foi inocente ao dar o bote. Percebeu que estava mal e foi ao ataque, diminuindo o prejuízo - do time e de sua nota - ao marcar o gol de empate. 


Igor Rabello: 6,5
Sem culpa nos gols, bem mais uma vez nas bolas cruzadas. 


Gilson: 6,5
Um pouco atrapalhado com a bola, mas fez bom cruzamento no lance do 1º gol. Precisa ir mais à linha de fundo. 


Matheus Fernandes: 5,5
Bem nos desarmes, mas errou demais na saída de bola. Em um dos lances, saiu o pênalti do 1º tempo. Tem potencial para melhorar. 


Rodrigo Lindoso: 5
Não repetiu a boa atuação do meio de semana. Embora tenha fechado espaços, foi nulo na saída de bola - e o time sentiu. 


Bruno Silva: 5,5
Apagado, novamente pareceu distraído. Errou um cruzamento simples, onde sairia o gol da virada. Sua performance passa muito pela entrega, algo que não ocorreu hoje. 


Rodrigo Pimpão: 5
Uma de suas piores partidas. Não deu sequência a praticamente nenhum lance, errando passes bobos ou sendo desarmado com facilidade.


João Paulo: 7
Improvisado como meia, distribuiu bem o jogo e mostrou muita raça. Desvio importante no gol de Roger. Além disso, também ajudou na marcação, dando o primeiro combate do meio-campo.


Roger: 7,5
Um de seus melhores jogos com nossa camisa. Ligado, se apresentou e brigou, às vezes sozinho, contra toda a zaga do Coxa. Fez um gol de centroavante e se posicionou bem para receber em outros. O time explorou mais a linha de fundo, favorecendo seu estilo de jogo. Pode melhorar ainda mais, mas esse é o caminho.  


Walter Montillo: 5
Ainda totalmente sem ritmo, foi mal. Errou passes simples, demorou a dar sequência nas jogadas e irritou a torcida. Precisamos que melhore muito. 


Renan Gorne: sem nota
Jogou 10 minutos com o Botafogo no abafa. Sem condições de análise.


Wenderson: sem nota
O mesmo que Gorne, com o agravante de ter entrado fora de sua posição. 


Jair Ventura: 6
Hoje, o time não funcionou nem taticamente. Como isso é bem raro, dá pra considerar que foi apenas um dia ruim. Tecnicamente, não há o que fazer: o time vem se superando, mas precisa ser reforçado. Finalmente utilizou o Gorne, ao menos para tirar o peso da estreia. 


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