Sport 1-1 Botafogo: classificação eletrizante contra 12

Detesto falar de arbitragem em meus textos. Às vezes cito um erro ou outro, contra ou a favor, que tenha alguma relevância para a crônica num geral. No entanto, é impossível falar sobre o jogo de hoje sem citar o assalto - sim, não tem outra palavra - cometido pela bandeirinha Tatiane Sacilotti Camargo. O impedimento inacreditável e inexplicável, evitando o que seria o segundo gol do Botafogo, mudaria o jogo e praticamente confirmaria o Alvinegro nas quartas de final da Copa do Brasil.


Vamos do início: o Glorioso fazia uma de suas melhores partidas da temporada. Consciente e tranquilo, o time estava bem postado em campo e administrava o confronto sem sustos. Com toque de bola envolvente, não demorou para abrir o placar em lindo gol de Roger, após bom passe de João Paulo. Com o 1 a 0 no placar, restava ao Fogão esperar o desespero do Sport e matar o confronto. 


Foi o que aconteceu. O time pernambucano se lançava ao ataque em busca do gol de empate, mas era totalmente neutralizado pelo Botafogo. Nos minutos finais da primeira etapa, em uma atuação de manual, o time roubou uma bola no meio-campo e lançou-se à área. Eis que isso aconteceu: 


Reprodução Twitter / Botafogo Oficial
Reprodução Twitter / Botafogo Oficial

Impedimento absurdo marcado pela bandeirinha Tatiane Camargo


Roger recebeu de Camilo e, com tranquilidade, apenas rolou para Pimpão estufar as redes e abrir 2 a 0 no placar. Com a vantagem, o Glorioso estaria muito confortável. No entanto, a assistente FIFA (!!!) conseguiu enxergar impedimento num dos lances mais fáceis da historia do futebol. Das duas, uma: ou ela é cega, ou estava mal intencionada. Também tem, claro, a possibilidade de não saber que, pela regra, não há irregularidade se o jogador está atrás da linha da bola. 


Diante da anulação absurda, o Leão veio com tudo no segundo tempo. Embora sem muita inspiração, o campeão de 87 pressionou durante os 45 minutos finais. Empatou a partida com gol de Durval em bola cruzada na área, aumentando a tensão do Botafogo - que já estava completamente sem fôlego até mesmo para encaixar contra-ataques como o do gol mal anulado. 


O time se segurou como pôde até os 50 minutos para comemorar uma merecidíssima classificação às quartas de final. Quanto à bandeirinha, espero que seja impedida pra sempre de exercer tal função. Dez anos depois, ainda nos ronda o fantasma da infeliz Ana Paula de Oliveira. Espero que o clube tome providências e que a CBF, para variar um pouco, seja uma entidade séria e puna severamente essa incompetente que quase pôs a perder o trabalho de toda a nossa equipe e comissão técnica. 


Contra tudo e contra todos, vamos às quartas de final. Num ano tão especial como vem sendo esse 2017, não seria nada mal encerrar a maldição da Copa do Brasil. Pra cima deles!


Notas


Gatito Fernández: 7
Tranquilo, fez-se presente quando necessário. 


Emerson Santos: 6,5
Correto na defesa, displicente no ataque. Precisa caprichar mais nos passes.


Joel Carli: 7,5
O ponto de equilíbrio da defesa. Muito bem nas bolas aéreas e nos cortes. Sua experiência é fundamental. 


Igor Rabello: 8
Cresce a cada jogo. Muitos cortes pelo alto e desarmes precisos. Precisa ter mais malandragem nas bolas cruzadas - o que, logicamente, ganhará com o tempo.


Victor Luis: 8
Hoje foi o lateral que conhecemos. Ligado, vibrante, intransponível na defesa e solidário no ataque. 


Aírton: 7,5
Embora ainda sem ritmo de jogo, foi importante ao ditar as ações no meio-campo. Bem nos passes, mostrou a excelente saída de bola habitual. 


Rodrigo Lindoso: 7
Eficiente, fez o jogo rodar no meio-campo e ajudou no combate. Saiu machucado - mais uma lesão muscular.


João Paulo: 8,5
Um gigante em campo. Mesmo atuando como extremo, que não é sua especialidade, esteve ótimo no combate e apareceu com qualidade no campo ofensivo - inclusive, dando linda assistência para o gol de Roger. Supriu bem a ausência de Bruno Silva. 


Rodrigo Pimpão: 7
Rápido e inteligente, foi a válvula de escape pela esquerda. Teria feito o gol da classificação ainda no primeiro tempo, mas a bandeirinha não permitiu. Vem mostrando desgaste e pode precisar ser poupado. 


Camilo: 4
Errando passes muito simples e jogadas fáceis. Não há explicação para sua péssima fase desde o ano passado. Sua melhor participação foi sem querer, ao ganhar bola espirrada no meio-campo e originar o segundo gol, que acabou mal anulado. 


Roger: 8
Sua melhor atuação pelo Botafogo, especialmente na primeira etapa. Saiu da área, buscou jogo, fez um lindo gol e foi bastante participativo. Jogamos num esquema que não favorece o seu estilo de jogo, por isso precisa sempre se superar. Que o gol e a atuação sirvam para inspirá-lo. 


Dudu Cearense: 5,5
Embora tenha qualidade, entrou num ritmo abaixo do que o jogo exigia. O meio-campo caiu um pouco com sua entrada, ainda no primeiro tempo.


Guilherme: 4
Hoje resolveu jogar sozinho. Com a partida à feição de suas características, poderia brilhar; no entanto, errou quase tudo que tentou. Egoísta, fominha e improdutivo. 


Matheus Fernandes: 6
Entrou para substituir o exausto João Paulo e fechou bem os espaços pela direita. 


Jair Ventura: 8
Mais uma vez, seu time se superou e o trabalho tático sobressaiu. Precisa de peças, pois não tem ninguém para substituir Camilo, Pimpão, Roger e os extremos. Sem reposições homogêneas no banco, o elenco não aguentará o tranco da temporada e o nível do futebol irá cair. 


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