Botafogo 1-0 Bahia: prazer pelo sofrimento

O Botafogo conquistou sua segunda vitória consecutiva em casa e sem sofrer gols no Campeonato Brasileiro. Essa manchete pode parecer bem tranquila, mas só o torcedor alvinegro sabe o quanto foi sofrida essa importante vitória - que nos coloca com 6 pontos em 9 disputados, no bolo de cima da tabela. 


O primeiro tempo foi morno demais e praticamente não causou emoção. Tirando uma falta perigosa cobrada por Camilo, a arquibancada só se levantou momentos antes do apito final - e foi para comemorar mais um lindo gol de Bruno Silva. O volante, que está em fase iluminada e artilheira, recebeu de Pimpão e encobriu o goleiro para fazer o gol da vitória. 


Mas, é claro, o jogo esteve longe de ser tão simples assim. Toda a emoção que faltou na primeira etapa transbordou nos 45 minutos finais. Ao perder João Paulo, machucado, nosso treinador colocou Gilson e mudou um pouco a maneira de jogar, embora mantendo o desenho tático. Até o time se reencontrar em campo, o Bahia, que tem um bom time, levou muito perigo diante da nossa meta. 


Enquanto isso, o Glorioso desafiava a máxima do "quem não faz, leva" e perdia chance atrás de chance nos contra-ataques. Enquanto brilhava a estrela de Gatito debaixo de nossa meta, Pimpão deixava os companheiros na cara do gol em sequência. Camilo, Joel, Guilherme, todos perderam gols feitos. À torcida, só restava cantar e rezar. 


Satiro Sodré/SS Press
Satiro Sodré/SS Press

Bruno Silva vem comandando o excelente momento do Botafogo em campo


O Botafogo, afinal, é assim mesmo. Tem prazer pelo sofrimento, tesão pelo nervosismo, e transforma uma terceira rodada de trinta e oito em uma final de campeonato. Bola pro mato, corte em cima da linha, goleiro fazendo milagre. E isso é só o início de mais uma caminhada épica - como foi a de 2016. 


A gente reclama, mas até que gosta. No fim das contas, o torcedor de alma botafoguense se reconheceu muito mais no triunfo de hoje do que no da semana passada, contra a Ponte Preta. Fora todo o romantismo, precisamos calibrar a pontaria: se tivéssemos convertido ao menos duas das cinco chances claras desperdiçadas, pularíamos do oitavo lugar para o terceiro, apenas pelo saldo de gols. 


Agora é manter a boa fase e preparar o time para o desafio de quarta-feira, pela Copa do Brasil, diante do Sport. Um empate nos classifica às quartas de final dessa taça que nos escapou em 99, mas pode vir agora. Basta manter o espírito de luta e aplicação máxima que esse time vem demonstrando de forma impressionante desde o ano passado. Pra cima deles, Glorioso!


Notas


Gatito Fernández: 10
Hoje, dez é pouco. Fez inúmeras defesas muito difíceis e foi peça fundamental para os 3 pontos. Vem queimando a língua de muita gente - incluindo a minha. Grande trabalho dele e do preparador de goleiros, Flávio Tênius. 


Arnaldo: 7
Boa atuação. Vem surpreendendo pela adaptação rápida à filosofia do time. Fez partida correta, marcando e apoiando, e acertou lindo lançamento para Camilo - que perdeu a chance clara de gol.


Marcelo: 6,5
Embora envolvido em alguns lances, fez uma partida de mediana pra boa. Tem futebol pra jogar bem mais.


Igor Rabello: 7,5
Impressionante sua evolução desde antes do empréstimo ao Náutico. Muito bem no combate pelo chão, roubando e antecipando várias bolas. Se mantiver o nível, briga pela titularidade. 


Victor Luis: 5,5
Aguerrido como sempre, mas não fez um bom jogo tecnicamente. Perdeu bolas bobas e errou lances fáceis. 


João Paulo: 6,5
Bem ao preencher os espaços do meio-campo e impedir avanços do rápido time do Bahia. Sua ausência foi muito sentida logo ao sair de campo. Pode caprichar mais nos lançamentos e passes.


Rodrigo Lindoso: 6,5
Assim como João, fecha bem os espaços. Hoje mais preso à marcação, fez bem a saída de bola ao rodar o jogo com inteligência. Voltou ao seu bom nível de jogo do ano passado, mesmo quando não brilha. 


Bruno Silva: 8,5
Sua fase é impressionante. Não só pelos gols, mas pela intensidade do seu jogo. Como extremo, dá combate protegendo o lateral e ainda tem fôlego pra chegar com qualidade ao ataque. Precisa apenas controlar a questão dos cartões. 


Rodrigo Pimpão: 8
Ausente na fraca atuação contra o Estudiantes, mostrou sua importância ao fechar espaços e chegar bem no apoio. Deixou os companheiros em condições claras de gol em pelo menos quatro oportunidades. Numa delas, lindo passe para o gol de Bruno Silva. 


Camilo: 6
A presença de um armador, por si só, faz melhorar a rotação do meio-campo. Ainda assim, não é nem sombra do Camilo que nos ajudou naquela arrancada de 2016. Perdeu duas chances claras de gol e não chega mais com ímpeto e confiança na armação das jogadas, sempre com passes pro lado. 


Joel: prefiro furar meus olhos
Não tem como. O melhor que consegue fazer é dar sequência aos lances com toques pro lado pra não atrapalhar o fluxo do time. Quem disse a esse cidadão que ele é jogador de futebol precisa ser punido. Perdeu um gol que até minha vó faria. Se os céus permitirem, foi sua última participação com nossa camisa - caso sua devolução seja realmente uma exigência do clube na negociação por Sassá.


Gilson: 6,5
Entrou dando velocidade e dinamismo ao meio-campo, mas deveria ter ajudado mais na marcação pelo lado esquerdo. O time passou a ser pressionado depois de sua entrada em campo. 


Guilherme: 5,5
Triste ver a torcida pedir pela entrada de um jogador medíocre como ele. Teve a chance de brilhar, mas perdeu um gol totalmente livre, quase na pequena área. Dava pra ajeitar, tomar um café, telefonar pra mãe, escolher o canto e marcar - mas chutou afobado, de primeira, em cima do goleiro. De resto, a correria improdutiva de sempre. Seus lampejos não têm mais aparecido. 


Matheus Fernandes: sem nota
Jogou 10 minutos e se limitou a fechar espaços no meio-campo. Sem tempo para análises mais profundas.


Jair Ventura: 7,5
Seu time venceu a segunda seguida no Brasileirão sem sofrer gols em casa. Tem domínio do grupo e, mesmo quase implorando por reforços, consegue segurar a onda. Sua opção por Gilson ao invés de Airton - estaria esse sendo "preservado" pelos problemas na renovação? - acabou dando espaços para o Bahia pressionar. Ainda assim, seu trabalho tático é muito sólido.


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