Barcelona 1-1 Botafogo: tranquilidade para carimbar a vaga em casa

O Botafogo voltou do Equador trazendo um ponto importantíssimo para a classificação às oitavas de final da Copa Libertadores. Isso porque o Glorioso fechou o primeiro turno da fase de grupos com 7 pontos em 3 jogos - sendo dois deles fora de casa - e agora tem duas partidas consecutivas no Estádio Nilton Santos para carimbar a vaga. 


Foi um jogo meio louco. Começamos em cima dos caras e, no primeiro lance de ataque, Roger foi derrubado na área. Pênalti. Eu, como todo bom botafoguense, logo pensei: "Será mesmo que faremos um gol logo no início? Nada é tão fácil assim pra nós". Dito e feito. Camilo, que ainda não reencontrou seu futebol, bateu rasteiro nas mãos do goleiro. 


Ainda assim, o Glorioso não se abateu e continuou martelando. Perdemos um gol atrás do outro, com a sensação de que o jogo estava tranquilo demais - e, talvez por isso, o time tenha até se desconcentrado um pouco. Sem foco, o time vacilou e, na única jogada trabalhada do Barcelona, o sistema defensivo falhou. Gatito driblado e bola na rede. Quem não faz, leva. 


Divulgação Conmebol
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Camilo até lutou, mas voltou a jogar mal


O juiz apitou o intervalo e o que mais me preocupava não era a derrota parcial, mas sim o fato de que o Botafogo havia voltado ao seu script preferido: joga bem, massacra o adversário, perde um caminhão de gols e, no fim das contas, acaba perdendo. Tomado pela raiva e pela tensão, me esqueci por alguns segundos da essência desse novo Botafogo. Mas não faz mal, ele me lembraria logo, logo. 


Veio a segunda etapa e o time equatoriano adiantou suas linhas, tentando fugir do sufoco ao jogar no nosso campo. Coitados, mal sabiam eles. Ao ficar com a bola, o Barça falsificado reativou o modo "caçador noturno" do Glorioso. Demos a bola ao adversário e buscamos os nossos letais contra-ataques. Ainda assim, a redonda insistia em não entrar. Parecia não ser nosso dia; a sorte, que tanto tem nos acompanhado desde a arrancada de 2016, parecia não ter embarcado pra Guaiaquil. 


O jogo ficava aberto e nosso meio-campo, no ímpeto de buscar a igualdade, deixava espaços atrás. O zagueirinho deles foi expulso depois de bater o jogo todo. Eis que, entre um xingamento pro Camilo e outro pro Lindoso, lembrei da nossa linda trajetória até aqui e pensei com meus botões: "um golzinho, Botafogo. Só te peço isso". 


Em mais uma bola cruzada ao melhor estilo "abafa", conseguimos mais um pênalti. Dessa vez tínhamos Sassá - o batedor oficial, segundo ele mesmo. Bola na marca e uma espera quase infinita entre o apito do juiz e a corrida do nosso iluminado atacante. Antes mesmo de a bola encontrar a rede, eu já estava aos berros na janela. "Respeita o Botafogo, caralho!", gritamos eu e Bruno Silva. 


Esse Alvinegro é encardido. Nos derrubem 6 vezes, levantaremos 7. Um time que joga no seu limite e enfrenta o mundo para provar que aqueles scripts, agora, fazem parte do passado. A prova disso é o lindo filme que estamos roteirizando. Enquanto isso, toda a América nos observa e, em silêncio, pensa: "vai ser difícil alcançar essa Estrela". 


Notas


Gatito: 7
Bela defesa quando exigido. No gol, nada pôde fazer. 


Emerson Santos: 6
Não repetiu a grande atuação da rodada anterior, mas teve atuação razoável. Alternou bons e maus momentos dentro do jogo, mas não comprometeu. 


Joel Carli: 6,5
Nosso xerife cortou várias bolas e ainda se aventurou no ataque. No lance do gol, ficou vendido com a falha coletiva. 


Emerson Silva: 5,5
Não fez má partida, mas falhou ao sair muito para marcar e deixar um buraco na primeira linha de 4, permitindo o gol do Barcelona. 


Victor Luis: 5,5
Não fez o bom jogo com o qual estamos acostumados. Apesar de ter lutado muito, não foi bem na marcação e perdeu muitas bolas no ataque. 


Bruno Silva: 7
O guerreiro de sempre. Esteve em todas as partes do campo, marcou e atacou. Quase fez um belo gol de bicicleta. Precisa maneirar nos carrinhos.


João Paulo: 7
Não chegou a repetir a atuação brilhante do jogo contra o Atletico Nacional, mas foi muito bem novamente. Dá sobriedade ao meio-campo, tem ótimo passe e muita qualidade nos lançamentos. Também é bom no combate. Tem tudo para engrenar. 


Rodrigo Lindoso: 4
Disparado o pior em campo. Errou quase todos os passes e não foi bem no combate. O ponto fraco do time. 


Camilo: 4,5
Mais uma partida apagada. É preocupante essa má fase que não acaba. Para completar, desperdiçou um pênalti que nos deixaria muito bem no jogo logo aos 2 minutos. 


Rodrigo Pimpão: 6,5
Começou bem, com toques rápidos e inteligentes, inclusive criando a jogada do pênalti. No decorrer do jogo, perdeu o fôlego e foi menos participativo do que estamos acostumados. 


Roger: 6
Esforçado, buscou o jogo fora da área. Sofreu um pênalti em bom trabalho de pivô. Embora não esteja mal, vai acabar atropelado por Sassá. 


Sassá: 7,5
Entrou e deu maior movimentação ao ataque, puxando a zaga e dando muito trabalho. Perdeu uma ótima chance de cabeça, mas se redimiu com personalidade no pênalti. Se mantiver a regularidade, ganha a camisa 9.


Guilherme: 6
Entrou e deu mais velocidade ao time, mas apareceu pouco. Jogou coletivamente e isso é bom, pois diminui a chance de errar. 


Fernandes: sem nota
Jogou cerca de 10 minutos e apenas fechou a lateral.


Jair Ventura: 8
Seu time teve o mérito de jogar melhor durante toda a partida. Não pode entrar em campo e acertar passes ou converter pênaltis. Taticamente, mais um jogo excelente. Teve o mérito de manter o time no jogo até o fim e substituiu na hora certa. Precisa de opções melhores no banco.