Botafogo 3-1 Fluzinho: todo clássico tem seu valor

Já é um lugar-comum, mas continua sendo inevitável comentar: é constrangedoramente ruim o regulamento inventado pela patética FERJ. Mais do que isso, é algo pra ficar na história como o pior modelo de Estaduais de todos os tempos no futebol brasileiro. Ainda assim, a vitória contra a turma do Circo Garcia traz, sim, alguns fatores positivos. 


Embora nossa federação tenha conseguido criar dois turnos sem importância alguma, clássico é clássico - mesmo sendo difícil ver a galera da Série C como rival, foi ótimo assistir nossos reservas amassando o adversário e só não metendo mais gols por pena, mostrando bom padrão tático mesmo com uma escalação quase que 100% alternativa. 


O Botafogo dominou o jogo inteiramente ao liquidar a fatura com um gol no primeiro minuto da partida. Mostrou consistência, principalmente no meio-campo, e alguma velocidade no ataque. Não foi nem um pouco difícil; é triste ver um cara como o Abelão, a quem admiro muito, comandando um amontoado daqueles. Só não é mais vergonhoso do que não ter nenhum título internacional em mais de 100 anos de existência.


Satiro Sodré / SS Press / Botafogo
Satiro Sodré / SS Press / Botafogo

Dudu aproveitou a oportunidade e vibrou muito com o gol marcado


A única coisa que destoou foi a demonstração de que a arbitragem do Carioca está no mesmo nível do regulamento: patético. Ao contrário de certos clubes, não acho que "roubado é mais gostoso". O segundo gol, embora não tenha feito tanta diferença na historia do jogo, veio em um impedimento constrangedor. Um cara que tá ali só pra isso e não enxerga uma irregularidade clamorosa daquela precisa ser internado - ou, no mínimo, impedido de bandeirar pra sempre. 


Outro fator positivo foi rodar o elenco e descansar os titulares usando a garotada da base. Cresci ouvindo que Xerém era o terror, mas hoje vejo o Glorioso com o melhor trabalho em categorias inferiores no Rio de Janeiro. Ainda assim, continua sem explicação a completa falta de oportunidades para nomes como Yuri e Renan Gorne. 


Noves fora, o Fluminense continua ridículo e minúsculo. Deu pena de ver aquela meia dúzia de torcedores, no nosso estádio, tentando apoiar um bando. Aliás, os caras tão poupando os titulares pra quê? Passar vergonha na Copa do Brasil ou fazer mais um jogo inútil pela Primeira Ninguém Liga? Fica aí o grande questionamento. 


Espero, agora, conseguir parar de rir da galera do Tapetão a tempo de ver o que realmente importa: o jogo dificílimo da Libertadores, fora de casa, contra o Atlético Nacional da Colômbia. Precisamos defender com perfeição sem perder o ímpeto de atacar. Sorte aos nossos guerreiros!


Notas


Gatito: 7
Nas duas únicas vezes em que precisou trabalhar, foi muito bem: cara a cara com Marcos Júnior, no primeiro tempo, e em cabeçada de Pedro, no segundo. 


Fernandes: 6
Visivelmente desconfortável ao jogar improvisado, conseguiu fazer um jogo razoável aos trancos e barrancos - apenas preso à marcação. No fim, fez pênalti bobo. 


Renan Fonseca: 6
Mesmo em jogos completamente controlados, consegue dar um jeito de nos irritar: espanada torta, erro na saída de bola, cartão amarelo sem necessidade... Uma temeridade estar em campo. 


Igor Rabello: 7
Algumas pequenas falhas de posicionamento, mas fez um bom jogo. O gol logo no início dá moral. Mostrou que poderia estar crescendo desde o início se jogasse na vaga de Renan Fonseca nos times mistos. 


Gilson: 7,5
Seguro na defesa e boa presença no campo de ataque. Duas boas assistências em bola parada - vem mostrando bom aproveitamento nos cruzamentos. Evoluiu, mas ainda não confio 100%. 


Rodrigo Lindoso: 5
Chance boa de mostrar bom futebol e recuperar algum espaço no elenco, mas fez um jogo ruim. Vulnerável na marcação e disperso na criação, deixou a desejar. 


Dudu Cearense: 6,5
Jogador de boa técnica, cadencia o meio-campo e tem qualidade no toque de bola. Bonito gol de cabeça, apesar do impedimento. Quando o jogo acelera, não consegue acompanhar o ritmo. 


João Paulo: 6,5
Jogo de formiguinha. Começou na direita, inverteu com Guilherme durante o jogo e, em alguns momentos, também apareceu por dentro. Sempre eficiente taticamente, ajudou bem na marcação.


Guilherme: 6
Voluntarioso e nada mais. Não tem maturidade e consciência tática para jogar como extremo. Em jogos difíceis, pode complicar. É jogador para, no máximo, entrar na reta final do jogo e botar sua correria. Confesso que me tira o sono vê-lo com tantas oportunidades enquanto Yuri sequer pisa em campo. De positivo, a assistência pro belo gol de Sassá.


Camilo: 5,5
Após fazer um papelão injustificável durante a semana, teve a chance de mostrar que pode render em sua posição de ofício. Resultado: mais um jogo apagado, se arrastando em campo e errando lances fáceis. Antes de exigir qualquer coisa, precisa recuperar seu bom futebol, perdido em algum lugar desde e reta final do Brasileirão do ano passado. 


Sassá: 9
Vive seu melhor momento na parte técnica desde que subiu aos profissionais. Ótimo jogo de pivô, jogo coletivo, bons dribles, muita velocidade, faltas sofridas e cartões para diversos adversários e um belo gol. Diretoria precisa se apressar para renovar o contrato antes que o percamos mais um jogador de graça.


Vinicius Tanque: 5
Sua entrada diminuiu drasticamente a força ofensiva do time e a capacidade de segurar a bola no ataque e criar oportunidades. Falta qualidade. Enquanto isso, Gorne não atuou um minuto sequer para ser testado no Carioca.


Pachu: sem nota
Com o jogo ganho, praticamente não participou.


Matheus Fernandes:sem nota
Também atuou poucos minutos, sem condições para análise. 


Jair Ventura: 8
Quando troca-se toda a escalação e mantém-se o padrão tático, fica cristalino o bom trabalho do treinador. Além disso, mostrou controle total sobre o grupo e boa visão de jogo ao inverter os extremos (João Paulo e Guilherme) de acordo com a necessidade do momento; ora para proteger Fernandes, ora para segurar o lateral adversário. Desde o ano passado, consegue trabalhar com o que tem, transformando um elenco mediano em times competitivos - além de aumentar a capacidade de fazer gols em relação à temporada anterior.