Botafogo 3-2 Resende: classificação com o selo Ferj de qualidade

O Botafogo fez seu papel de time grande, venceu o Resende e se garantiu não só nas semifinais da Taça Rio, mas também nas chamadas "semifinais gerais" do Carioca. E esse é o ponto: será que vale tanto risco e esforço para uma fase "final" que não é tão final assim? 


Veja bem, é isso mesmo que você entendeu: se for eliminado já no mata-mata da Taça Rio, o Alvinegro continua garantido na fase final geral. Ou seja, na prática, a Taça Rio não serve para nada nem para o Fluminense - que ganhou a também "importantíssima" Taça Guanabara e não leva o Estadual se também conquistar o segundo turno. No final das contas, só importa mesmo a classificação geral. 


Eu peguei, talvez, os últimos anos de vida do Campeonato Carioca. Times pequenos um pouco competitivos, dois turnos de tiro curto, mata-mata e os campeões de cada um se enfrentando em dois jogos finais. Quem viveu os anos 90 e o início dos anos 2000 presenciou os suspiros derradeiros da competição que já foi chamada de "mais charmosa". A impressão é que o Estadual foi enterrado com a cavadinha do Abreu. 


Embora a Ferj tenha destruído tudo e seja a única parte satisfeita com o produto - talvez por arrecadar mais dinheiro que todos os grandes juntos -, o Botafogo joga sempre para vencer. Após um primeiro turno com desempenho insatisfatório dos reservas, o grupo se recuperou e se classificou em primeiro lugar do grupo B, obtendo a vantagem do empate no clássico contra o Fluminense. 


Vitor Silva / SSPress / Botafogo
Vitor Silva / SSPress / Botafogo

Muito pedido pela torcida, Sassá entrou e fez lindo gol de bicicleta


Diante do planejamento da Libertadores, é muito provável que entremos em campo com um time alternativo - e, desde já, manifesto aqui o meu total apoio a essa decisão. É sempre bom disputar títulos, mas, numa escala de importância, é risível a relevância do Carioca diante da Copa Libertadores. Além disso, é uma boa oportunidade para elevar o nível de cobrança sobre nossos reservas. 


Sobre a partida de hoje, o Glorioso fez o suficiente para superar um fraco e aguerrido Resende. Precisando do resultado para não disputar a seletiva do Carioca 2018, os caras não abdicaram de atacar. Em alguns momentos, levaram perigo ao nosso sistema defensivo - que estava exposto pela falta de compactação do nosso meio-campo. Coletivamente, não tivemos uma boa exibição. 


No próximo final de semana, então, reencontramos o Fluminense. Contra eles, demos nosso maior vacilo da temporada ao sofrer aquela virada bizarra dentro de casa. Que isso sirva de motivação para o nosso time mostrar nossa superioridade em relação ao timinho das Laranjeiras - sempre tendo em mente que, daqui a 11 dias, volta a apaixonante Libertadores. O foco sempre será esse.


Notas


Gatito Fernández: 6
Seguro quando exigido. Não teve culpa nos gols. 


Marcinho: 6,5
Vinha fazendo um bom jogo até sair machucado. É incrível a zica da nossa lateral-direita. 


Renan Fonseca: 6,5
Estava pronto para elogiá-lo, até ele falhar no apagar das luzes ao permitir que Thiago Salles subisse livre para marcar. Ainda assim, fez bom lançamento e também deu assistência para o primeiro gol. 


Emerson Silva: 7
Vem crescendo muito esse ano. De reserva a presença constante na quarta-zaga (alguém ainda usa essa expressão?), tem mantido boa regularidade. Também sem culpa nos gols. 


Victor Luis: 6
Nosso cachorro de feira teve atuação discreta e foi novamente abandonado pela cobertura do extremo - que, dessa vez, foi o Camilo. Precisou se desdobrar por ali. 


Rodrigo Lindoso: 7
Eficiente no trabalho sujo, como gosta de dizer, e ainda apareceu à frente para marcar um gol de oportunismo. Peça útil no elenco. 


Bruno Silva: 7,5
Manteve seu futebol em um bom nível. Correu muito e articulou mais do que os meias da equipe. Deu susto ao cair com dores, mas parece estar bem. 


Camilo: 5,5
Tentou de tudo, mas não voltou às boas atuações. Peço que a torcida tenha paciência e o apóie, pois fez parte da nossa reconstrução no ano passado. Ainda assim, pela meritocracia de Jair, deve perder a vaga de titular.


Montillo: 6
Correu bastante e mostrou boa movimentação, mas não cumpriu a expectativa de repetir a boa atuação da última partida, quando entrou no 2º tempo e mudou o jogo. 


Rodrigo Pimpão: 6,5
Mostrou a lucidez de sempre, mas não foi bem na criação das jogadas e, pela primeira vez, não ajudou como deveria na recomposição da marcação. Isso refletiu nas chances de contra-ataque do Resende, quando o Botafogo marcava com seis jogadores, com volantes e zaga expostos. 


Roger: 6
Foi bem ao sair da área, mas esteve péssimo nas conclusões. Duas espanadas de taco de frente para o gol e uma cabeçada errada sozinho na grande área. 


Fernandes: 5,5
Difícil analisar um jogador improvisado que entrou com o jogo em andamento. Teve dificuldades na marcação e mostrou que não deve ser uma alternativa por ali. 


Guilherme: 7
Acertou sua primeira finalização de longa distância, que explodiu na trave. Cavou o pênalti para o segundo gol. 


Sassá: 8
Entrou impossível. Mostrou ótima movimentação. Chegou a lembrar o velho Sassá ao tirar a camisa na comemoração do gol de pênalti, mas logo fez esquecer ao acertar linda bicicleta. Estamos ficando mal acostumados com esses golaços do time!


Jair Ventura: 6
O time não mostrou o seu bom padrão de jogo e a compactação de sempre, com jogadores muito espaçados e extremos sem recompor. Precisa consertar essas falhas, pois teremos um mês de abril com muitas decisões. Infelizmente, fechou a fase regular do Carioca, nosso melhor período para testes, sem dar chances para Yuri e Renan Gorne. Daqui pra frente, será difícil vê-los em campo. Em contrapartida, ganhou uma boa dor de cabeça com a disputa saudável entre Roger e Sassá pela camisa 9.


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