Botafogo desperdiçou uma enorme chance contra o Vasco

Na 2ª rodada da Taça Rio, Botafogo e Vasco não saíram do zero no Estádio Nilton Santos. Com bastante transpiração e pouquíssima inspiração, os rivais do "clássico da amizade" não criaram muitas chances de gol e levaram um pontinho cada um. 


Sejamos francos: o Glorioso perdeu uma excelente oportunidade de quebrar o jejum de quatro anos sem vencer o time da Colina. Com uma equipe muito aquém de suas tradições, os cruzmaltinos, totalmente dependentes de Nenê, pouco ameaçaram o gol de Gatito.


Repetindo a dupla Camilo/Montillo, o Alvinegro voltou a demonstrar dificuldades na construção de oportunidades de gol. Roger, por exemplo, passou 90 minutos sem ter uma chance clara de finalização. Sem aquele tempero extra do clima da Libertadores, o Fogão também ameaçou pouco e não aproveitou uma dupla de zaga formada pelos fraquíssimos Jomar e Rafael Marques. 


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Montillo tentou, teve alguns bons lampejos, mas não foi o suficiente


Porém, nem tudo foi ruim na noite deste domingo. A se destacar, a boa atuação de Marcinho, que herdou a vaga na lateral, e algumas - ainda tímidas, é verdade - tabelas e triangulações na região central do ataque. Por atacar muito pelos lados, o Bota, às vezes, abre mão de explorar a frente da área adversária. Parece que Jair andou trabalhando nisso, o que é muito positivo. 


A partida foi boa para dar ritmo e entrosamento ao time, assim como aumentar a confiança de novas peças, como Marcinho, visando os torneios mais importantes da temporada. O time voltou a mostrar consistência defensiva, de longe o ponto mais positivo do trabalho de Jair. Falta intensificar a capacidade de criação e, também, dar chance aos que ainda não jogaram e testar novas formações. O Carioca está aí pra isso. 


Por fim mas não menos importante, faço questão de frisar o meu eterno descontentamento com o departamento médico (incluindo, sempre, fisiologia e preparação). Sei que é algo repetitivo, mas nem tanto quanto nossas lesões musculares. Algo precisa ser feito antes que isso estrague a nossa temporada - que, até aqui, é bem promissora. 


Notas


Gatito: 7
Fez boas intervenções, além de uma grande defesa. No entanto, algo me incomoda bastante: ele continua espalmando a bola para frente, como fez neste mesmo lance. 


Marcinho: 7
Cobriu bem na parte defensiva e foi presença constante no ataque - inclusive podendo ser mais acionado pelos companheiros. Quase fez um belo gol de canhota. Ganhou confiança e vai crescer.


Joel Carli: 6,5
Sem muito trabalho para anular o ataque comandado por Luis Fabiano. Em muitos momentos, foi mero espectador. 


Emerson Silva: 7
Segue numa crescente, mantendo a boa fase. Trabalhou mais que nosso xerife, cortando algumas bolas pelo alto. Vem melhorando, também, sua saída de bola.


Victor Luis: 6,5
Bem na defesa. No ataque, no entanto, não chegou tão bem como de costume - e fez falta na criação.


Airton: 7,5
A classe de sempre ao comandar o meio-campo, seja nos desarmes ou na organização do jogo. 


Bruno Silva: 7,5
Jogando mais centralizado que o normal, foi bem - principalmente ao encostar no ataque. Tem vigor físico e ajuda em todas as partes do campo. 


Montillo: 6
Ainda buscando sua forma física e técnica ideal, teve bons espasmos jogando centralizado e quase fez um golaço de fora da área - ainda assim, muito pouco perto do que esperamos e precisamos.


Camilo: 5,5
Sacrificado pelo esquema novamente, jogando aberto como um extremo, esteve sumido e não foi bem. Ainda não encontrou seu melhor posicionamento junto ao argentino. 


Guilherme: 3
Incrível como consegue errar em todas as suas decisões. Tem velocidade e até uma capacidade de drible razoável, mas é péssimo com a bola nos pés. Contratação bastante desnecessária. 


Roger: 6,5
Não recebeu nenhuma bola em condições de finalizar e marcar. Incomodado, saiu pra buscar bola até no meio-campo. Vem evoluindo fisicamente e, se começar a receber bons passes, tem tudo para deslanchar.


Sassá: 7,5
Entrou aberto, na vaga de Guilherme, e foi muito bem. Fez lançamento excelente para Pimpão. Quando joga coletivamente, seu futebol cresce. Já vem merecendo voltar ao time - uma dor de cabeça boa para Jair. 


Rodrigo Pimpão: 5,5
Nosso jogador mais decisivo da temporada, dessa vez, falhou. Teve a bola do jogo mas, cara a cara com Martin Silva, perdeu o gol. Segue com bastante crédito, mas vacilou.


João Paulo: sem nota
Entrou mais para o fim do jogo e pouco participou.


Jair Ventura: 7
Me agrada ver como tem o elenco nas mãos. Acertou ao dar chance para o Marcinho crescer. Seu único erro, ao meu ver, é insistir com o Guilherme podendo dar chances ao ótimo Yuri - que, inclusive, encaixa melhor como extremo esquerdo. Suas substituições teriam ganho o jogo caso Pimpão marcasse o gol. Parece ter trabalhado a parte das tabelas e triangulações, demonstrando que segue buscando o aperfeiçoamento do time.