Botafogo 2-1 Estudiantes: não deixem a Liberta acabar

Primeiramente, desculpem-me pela demora do texto. É que vim pra casa de bicicleta...


Brincadeiras à parte, faço questão de relatar minha experiência em mais uma noite de Libertadores, mesmo que com certo atraso. Isso porque o Botafogo tem tornado nossas noites de meio de semana mais agitadas, emocionantes, sofridas e, sem dúvida, inesquecíveis. Para o apaixonado por seu clube e por futebol, não existe competição melhor que essa. 


O Glorioso, ontem, fez sua pior partida como mandante. Talvez por não ter o teor de decisão que tiveram as outras partidas, talvez por falta de inspiração ofensiva. Mas o que importa, ainda mais que os três pontos - e esses vieram em todas as vezes que pisamos no Niltão -, é a superação desses jogadores. Podemos apontar defeitos no elenco, mas jamais poderemos acusá-lo de falta de vontade. Os caras deixam tudo em campo e lutam até o fim para honrar a nossa Estrela. 


A solidez defensiva já é uma marca registrada de Jair - tanto que praticamente só fomos ameaçados no gol de falta, além de um ou dois contra-ataques isolados. O problema segue sendo a criação de jogadas. Ainda sinto falta de ver um padrão ofensivo mais bem definido. Jogadas treinadas, ações coordenadas e o mesmo padrão da galera que organiza tão bem a nossa cozinha lá atrás - nada que não dê para arrumar, visto que ainda estamos apenas no terceiro mês do ano.


Satiro Sodré / SS Press / Botafogo
Satiro Sodré / SS Press / Botafogo

Torcida protagonizou mais um lindo espetáculo no Niltão


A única coisa que impressiona mais do que a falta de limites do nosso time é a capacidade do mesmo em fazer gols de bicicleta. Já são três em poucos meses: Camilo, Pimpão e, agora, Roger pedalaram pras redes. Sem falar que, dessa vez, até a assistência foi plástica; Bruno Silva, além de ter sido o melhor em campo, nos presenteou com um lindo cruzamento de voleio. Só não saí do estádio e paguei outro ingresso porque já sou sócio-torcedor. E você, já fez o seu?


Por falar em pedalada, destaque também para a jogada de Sassá no gol da vitória. Tem sido raro ver o artifício do drible sendo usado de forma correta e objetiva ultimamente, até pelas características do elenco e pelo jogo extremamente coletivo. 


Não dá pra deixar de comentar também sobre mais uma linda festa da nossa torcida, certamente um dos grandes destaques dessa Libertadores até aqui. Seja com mosaico, faixa, nosso escudo maravilhoso subindo ou apenas a força de nossas gargantas, demos mais um espetáculo. Não estava completamente lotado, é verdade, o que acho injustificável. Ainda assim, a diretoria perdeu um pouco a mão no preço dos ingressos. Como já dissemos por aqui, não vai ser assim que vão conseguir fidelizar os torcedores. 


No mais, aquilo que todo frequentador de estádio sabe: muita festa, encontrar com os amigos no pré-jogo, compartilhar cervejas na arquibancada e, claro, abraçar desconhecidos na hora dos gols. Libertadores, eu te amo. Botafogo, eu te amo mais ainda. A vontade é que essa copa maravilhosa nunca acabe - mas, dessa forma, como iríamos pra Dubai?


Notas


Gatito: 6
Fez defesa importantíssima quando o jogo ainda estava zero a zero. No entanto, falhou no gol de falta - independente de a barreira ter aberto ou não.


Marcelo: 7
Apesar de ter vacilado na falta que resultou no gol, fez uma partida bastante correta. Fechou bem o lado direito, ajudou bastante na marcação e ainda se arriscou bem no ataque, cruzando a bola para o primeiro gol. Enquanto Luis Ricardo não volta, pode ser o dono da posição sem problemas. 


Joel Carli: 7,5
Mais uma noite de xerife. Tirou todas por cima e por baixo e organizou a linha defensiva, além de ter dado esporro em adversários e até no juiz quando necessário. Importantíssimo para o time. 


Emerson Silva: 6,5
Cortou várias bolas por cima e ajudou na rotação da bola na saída de jogo. Vacilou em alguns momentos que poderiam ter nos complicado, mas o saldo foi positivo. Vem mantendo boa regularidade.


Victor Luis: 7
Mais um jogo em que foi muito participativo. Marca e ataca com qualidade, além de ser um importante desafogo. Não há um jogo que eu não pense que o Botafogo deveria comprá-lo o quanto antes.


Airton: 7,5
Sua atuação quase sempre se resume em "queria mais uns três Airtons no time". Marca demais e tem muita qualidade na saída de bola. O meio-campo é outro com a sua presença. 


Bruno Silva: 8,5
O melhor em campo. Correu muito, marcou demais, auxiliou no ataque, acertou quase todos os passes e ainda teve tempo para dar uma assistência de voleio. Foi o pulmão do time. 


Camilo: 6
Importante nas bolas paradas e na recomposição do meio, mas continua devendo uma grande atuação - pela camisa que veste e pelo que representa pra torcida. Confiamos em você.


Montillo: 5,5
Ainda não engrenou - o que é normal para quem não jogava desde outubro. Fisicamente um pouco abaixo dos demais e, na noite de ontem, não estava inspirado. 


Rodrigo Pimpão: 7,5
Apesar de não ter se destacado como nas últimas partidas, mostrou a entrega de sempre e lutou até o fim. Foi coroado com o gol decisivo. É a alma do time. 


Roger: 7
Muita briga com os zagueiros. Começa a mostrar bom entrosamento com as outras peças ofensivas. Belíssimo gol de bicicleta. 


Sassá: 7
Incendiou o jogo. Se entrar sempre assim, conseguirá recuperar sua vaga no time. Focado, brigador, objetivo com a bola e jogando em prol do time. Belo lance no gol da vitória.


Guilherme: 6,5
Entrou bem melhor que na última partida. Correu bastante, abriu espaços, mas vacilou na conclusão das jogadas - seja no passe ou na finalização.


Rodrigo Lindoso: sem nota
Jogou tão pouco tempo que só agora percebi que entrou.


Jair Ventura: 8
O aniversariante da noite não poderia ter ganho um presente melhor. Vitória emocionante, ao melhor estilo Botafogo. Seu esquema de jogo ganha cada vez mais força e solidez. Precisa apenas melhorar a criação de jogadas.


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