Boavista 2-3 Botafogo: pensando fora da caixa

Em um jogo que começou melancólico e terminou bem agitado, o time reserva do Botafogo buscou a virada sobre o Boavista, em Saquarema, após estar perdendo por 2 a 0, e encerrou sua participação na Taça Guanabara com vitória. 


No entanto, o objetivo do texto de hoje é bem mais amplo. Com o fim do 1º turno do estadual e às portas da fase de grupos da Libertadores, precisamos levantar a cabeça, pegar o binóculo e olhar adiante. Apesar de o início de ano bastante movimentado, ainda virão diversos desafios pela frente. 


A reflexão é a seguinte: será que estamos no caminho certo para cumprir com as obrigações de toda a temporada? Será que estamos explorando todo o potencial do elenco? Será que precisamos reforçar o grupo para o restante de 2017? Lembrando que aqui não há verdade definitiva, mas sim um debate de botafoguenses apaixonados visando o melhor para o clube. 


Confesso que o desempenho dos nossos suplentes ficou abaixo do que eu esperava. Não pela eliminação, pois não é de hoje que o Carioquinha perdeu sua relevância, mas pelo futebol apresentado pelas peças que, em diversos momentos desse ano, serão usadas em situações de exigências muito maiores. 


Fizemos jogo duro com todos os pequenos - nas vitórias sobre Macaé e Boavista, no empate contra Nova Iguaçu e na derrota para o Madureira. De positivo, podemos tirar o poder de reação nas vitórias e o futebol parelho com os titulares do Flamengo, apesar da injusta derrota.


Conforme os jogos passam, as opiniões se consolidam e as deficiências ficam mais nítidas. Enquanto estamos bem de volantes e zagueiros, carecemos de boas peças no ataque e nas laterais. Na armação, temos dois nomes experientes e uma jovem promessa - o que, sinceramente, não sei ainda se é suficiente; não em qualidade, claro, mas em quantidade. Vamos ver.


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Garotada e reservas deram conta hoje: será que é o suficiente pro restante do ano?


Outro ponto que me incomoda bastante é a falta de critério em algumas escolhas do técnico. Jair vem conduzindo muito bem o grupo na parte tática e técnica, mas é triste não ter visto um minutinho sequer do Renan Gorne, artilheiro da base com 35 gols no ano passado, e só hoje ter podido acompanhar míseros 10 minutos do Yuri, que é polivalente, canhoto e bastante dinâmico.


Enquanto isso, temos o desprazer de acompanhar, jogo a jogo, Gilson e Joel, além das entradas de Guilherme em plena Libertadores. Vinicius Tanque é esforçado, mas não tem potencial pra ser nosso "9" nem no time B.  Como o Carioca é apenas um bom laboratório, senti falta desses experimentos - principalmente com os destaques da base. Metade do tempo para testes já foi, e algumas peças sequer entraram em campo. Preocupa.


Por fim, meu maior questionamento à gestão de Carlos Eduardo Pereira: o departamento médico. E quando cito o DM, me refiro também a preparadores e fisiologistas. É inacreditável que, com os resultados assustadores do ano passado, não tenham trocado sequer um nome dessa equipe. Obviamente, os numerosos problemas com lesões já começaram a pipocar novamente. Queria ter um chefe tão bonzinho e paciente quanto o nosso presidente. 


Volto a dizer: isso aqui não é nada do tipo "cavaleiros do apocalipse", mas, sim, um debate sadio e importante para uma boa continuidade da temporada. Agora é descansar e preparar o coração pra batalha de quarta-feira. Estamos a um empate da - antes tão distante e improvável para alguns - fase de grupos da maior competição da América. Tem que respeitar. Aqui é Botafogo!


Notas


Hélton Leite: 6
Sem culpa nos gols, foi praticamente um espectador do jogo de hoje. 


Marcinho: 5,5
No jogo ideal para repetir as boas atuações e carimbar seu passaporte pro time de quarta-feira, como fez Marcelo contra o Nova Iguaçu, não foi bem. Até foi muito participativo no ataque, mas errou em quase todas as decisões. Além disso, perdeu a bola no lance do 1º gol e não chegou a tempo de consertar. 


Joel Carli: 6
Naturalmente sem ritmo, jogou para entrar em forma. A falta de entrosamento com todo o sistema defensivo prejudicou seu jogo, assim como o escorregão de Rabello - que o fez tentar cobrir o espaço, deixando o atacante livre pra marcar o 1º gol. No mais, sem sustos. 


Igor Rabello: 5,5
Seu escorregão foi fatal para o gol do Boavista. Foi facilmente driblado em um ou dois momentos. No segundo tempo, melhorou junto com o time. 


Gilson: 4,5
Uma avenida na defesa e nulo no ataque. Poucas vezes vi um jogador com tão pouca personalidade. 


Dudu Cearense: 7
Jogou para fazer a função de Airton e foi bem, desarmando e saindo pra organizar o time. Sua experiência é muito importante para orientar os mais jovens. 


Rodrigo Lindoso: 6
Não foi tão bem quanto seu companheiro de volância. Deixou espaços e errou muitos passes. 


Fernandes: 7,5
Começou mal, com muitos passes errados, mas se recuperou e fez dois belos gols. Tem um potencial gigantesco para crescer.


Leandrinho: 8
Outro que começou mal e cresceu demais durante o jogo. Fez excelente 2º tempo, com ótimos passes e dribles. Iniciou a jogada nos dois primeiros gols e marcou o terceiro. Foi, finalmente, o Leandrinho que conheci na base. 


Joel: 4,5
Em alguns momentos, esqueci que estava em campo. Até na hora de escrever as notas aqui, tive dificuldade de lembrar dele. Jogador fraco, contratação desnecessária. 


Vinicius Tanque: 6,5
Luta muito, mas não tem potencial para ser titular. Apesar disso, boa participação no belo lance do 2º gol. 


Yuri: 6,5
Muito bom poder vê-lo em campo nos profissionais, mesmo que só por alguns minutos. Apesar de ter subido oficialmente como lateral, entrou bem pela esquerda como um extremo - onde se destacou no sub-20. Mostrou boa técnica e disposição na marcação, além de balancear o time, que só jogou pela direita devido à inoperância de Gilson.


Sassá: 6
Entrou com tanta vontade que foi até afoito em alguns lances. Perdeu dois gols fáceis. Só o tempo dirá se colocou a cabeça no lugar ou se viverá de "recomeços" como o Jóbson. Nos convença.


Pachu: 6
Entrou como um extremo pela direita, formando uma linha de 4 com Dudu, Lindoso e Yuri. Tentou algumas triangulações pela direita, mas foi muito tímido e pouco participou do jogo.


Jair Ventura: 7
Tem conseguido manter um mínimo de estrutura com os reservas, o que é um belo mérito. No entanto, peca por não dar chances iguais a todos. Espero que a boa aparição de Yuri o faça repensar isso. Para quarta, tem um dilema. Com a suspensão de Jonas, terá de escalar Marcinho ou Carli. Com a 1ª opção, mantém a boa liga defensiva criada por Marcelo e Emerson, mas arrisca na lateral. Com a 2ª, desloca Marcelo, que tem sido o melhor do time em sua posição, para jogar improvisado na lateral.