Dortmund de Bosz tem início lento, apesar de proposta clara

Os amistosos de pré-temporada dificilmente determinam como vai ser o ano de um clube. Principalmente quando se trata do início de um novo trabalho é difícil cobrar alguma coisa ou mesmo tirar grandes conclusões, e essa talvez seja o mais importante detalhe de qualquer análise a essa altura da temporada.


O Borussia Dortmund fez exatos cinco treinos sob o comando de Peter Bosz antes dos dois amistosos. No campo, uma derrota por 3:2 para o Rot-Weiss Essen e uma vitória, também por 3:2, sobre o Urawa Red Diamonds. De modo geral, é possível afirmar que o técnico parece saber muito bem o que quer desse time, mas que a forma ideal ainda é um objetivo distante.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Bosz tem muito trabalho pela frente e demonstrou ter consciência disso nas entrevistas


Bosz tem duas desafios simultâneos que terá que conciliar. O primeiro deles é implementar sua filosofia no Borussia Dortmund, o segundo é avaliar o elenco e decidir quem faz parte dos seus planos ao mesmo tempo que faz essas mudanças. Os primeiros amistosos servem pouco para conclusões, mas deram alguns indicativos interessantes.


Dificilmente o time vai ter uma única formação fixa. Pelas opções disponíveis e a própria necessidade de alternativas, Bosz testou o time com dois e três jogadores na defesa. Com isso, a formação com três zagueiros, que para muitos é uma tragédia (spoiler: não é), parece ser uma possibilidade muita viva no caderno do novo técnico.


A bola parada ainda é um grande problema. Em dois jogos, cinco gols sofridos e três após cobranças de escanteios. E nesse mesmo problema ressurge outra incógnita: qual vai ser a zaga titular?


A princípio, Bartra foi o único capaz de ter exibições sólidas e contribuir com os passes verticais necessários para o funcionamento da proposta de Bosz. Toprak teve alguns bons momentos, Sokratis e Subotic nem tanto. Como dito acima, ainda é cedo, mas conhecendo o elenco e o próprio histórico do Borussia, essa deve ser uma das maiores dores de cabeça do técnico.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Gigante e habilidoso, Zagadou merece atenção especial; pode ganhar um lugar no time rapidamente


Para a zaga ainda surge a opção de Dan-Axel Zagadou; com seu 1,95m e curiosamente tão habilidoso quanto grande, agradou. Além dele, Passlack recebeu oportunidade como lateral e fez a lição de casa. Completando a lista de jovens que precisavam ser testados: Isak mostrou que é diferente e despertou a curiosidade de quem queria vê-lo mais vezes. Emre Mor fez dois gols contra o Urawa, mas ainda acredito que o empréstimo seja mais provável; precisa jogar mais e tem muito a melhorar ainda para ser uma opção viável ao Dortmund.


Além disso, é difícil comentar muito mais sobre o encaixe de alguns jogadores, afinal, foram apenas 5 dias completos de treinos. Arrisco dizer que Sahin não dá conta de ser a base do trio do meio-campo, Castro é lento demais para o dinamismo necessário do time e Schürrle deve ser muito mais utilizado por Peter Bosz do que foi por Thomas Tuchel.


Contra o Urawa, o Borussia contou ainda com o retorno de Mario Götze aos gramados, talvez a melhor novidade das últimas semanas. Aparentemente em boa forma física (considerando que ficou quase 6 meses sem jogar), teve bons lances enquanto esteve em campo. Dá para acreditar no reencontro com a boa fase.


O próximo compromisso do Borussia Dortmund é na terça-feira (18), contra o Milan, concluindo a turnê asiática. A conferir o que o time será capaz de trazer de novo, soluções e melhorias. Uma coisa é fato: ainda falta muito para possamos ao menos pensar que vai dar certo.



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