Alto custo pode fazer Dortmund desistir de sediar EURO 2024

As quantias astronômicas que envolvem a realização de grandes eventos viraram motivo de conflito entre a Federação Alemã e os municípios. As potenciais sedes para a candidatura do país para receber a EURO 2024 não querem arcar com os custos totais da preparação e ameaçam retirar seu apoio.


Antes de tudo, uma ponderação. Essa é uma decisão muito mais política, da administração local, do que do clube. Na realidade, o clube tem muito pouco a fazer caso a cidade de Dortmund decida não concorrer ao evento, mas mesmo assim tem impactos diretos no nosso estádio e arredores, até porque as intervenções naturalmente são feitas de forma coordenada com o clube.


O que acontece? A prefeitura de Dortmund avaliou que o risco financeiro para a cidade é muito grande, uma vez que a Federação não oferece as garantias necessárias de que vá cobrir todos gastos. A proposta da DFB consiste na contribuição de um valor pré-fixado de 30 milhões de euros, algo que tanto Dortmund quanto outras cidades olham com receio; intervenções de grande porte costumam superar o orçamento inicial, e nesse caso a diferença sairia do bolso dos municípios.


Getty Images
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Clube se beneficiaria com as melhorias, mas relação custo-benefício é ruim


Ullrich Sierau, prefeito de Dortmund, lidera o movimento que exige um comprometimento maior da própria Federação. Para isso, pediu o adiamento da data limite da inscrição e convocou um encontro com os prefeitos das outras potenciais cidades-sede, tudo isso para esclarecer as condições de participação de cada um.


Sierau admitiu que deseja que Dortmund seja uma das sedes, mas se disser 'sim' estará assinando um acordo incerto e que pode trazer uma péssima surpresa. O Câmara local também pensa da mesma forma. Frank Bußmann, líder da casa, considera que o contrato proposto por UEFA e DFB deixam as cidades de mãos atadas e "com implicações financeiras imprevisíveis".



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De acordo com UEFA e DFB, foi feito um estudo técnico que justificou um limite de 30 milhões de euros para gastos de melhorias nas cidades, desde garantia da segurança até atendimento de normas técnicas do evento. Dortmund tomou a iniciativa de contestar essa conta e convidou as outras 14 cidades interessadas para debater a questão e convencê-las a pressionar a Federação, ou não concorrer a disputa diante dessas condições.


Kaiserslautern foi a primeira a retirar sua candidatura, por considerar o acordo com a Federação "uma grande irresponsabilidade financeira". Até o momento, além de Dortmund, Berlim, Bremen, Düsseldorf, Frankfurt, Gelsenkirchen, Hamburgo, Hannover, Colônia, Leipzig, Mönchengladbach, Munique, Nuremberg e Stuttgart ainda estão na disputa.


Divulgação/Borussia Dortmund
Divulgação/Borussia Dortmund

Movimento liderado pela cidade de Dortmund deve causar dor de cabeça à DFB


As cidades têm até 12 de junho para decidir se estão de acordo com a proposta da deferação. Ao final do processo de seleção, 10 cidades serão escolhidas para representar a candidatura da Alemanha para sediar a EURO 2024. Isso se os municípios não colocarem a Federação contra a parede e complicarem o sonho de realizar a Eurocopa no país.


As 10 sedes serão anunciadas ainda esse ano, no dia 15 de setembro. Um ano depois, em setembro de 2018, a UEFA irá decidir qual país sediará a EURO. Além da Alemanha, a Turquia também anunciou sua candidatura.



Confira a edição #002 do podcast 19:09; falamos do título aurinegro na DFB-Pokal



O Borussia Dortmund teria muito a ganhar com a realização da Eurocopa na sua casa. O estádio foi reformado para a Copa do Mundo de 2006 e não seria alvo de renovações, mas os arredores, principalmente vias de acesso e segurança, seriam muito beneficiados por eventuais melhorias.