Eliminação não é pretexto para jogar temporada do Dortmund no lixo

Depois da derrota, o oportunismo. De técnico demitido à reformulação no elenco, os pedidos são muitos, e nada disso se encaixa na situação do Borussia Dortmund. O Monaco se classificou porque foi muito mais competente nos atípicos 180 minutos do confronto, nada mais.


Bato na tecla da competência porque foi isso que faltou ao Dortmund, assim como estabilidade emocional. É compreensível que o atentado tenha deixado sequelas e é evidente que esses dois fatores foram determinantes para a eliminação.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Apático, Dortmund foi engolido pelo Monaco


A estratégia de Tuchel me pareceu muito clara. i) Usar o sistema com três zagueiros que deu ao Dortmund bons resultados contra todos os grandes adversários na temporada, com Durm na ala; e ii) Poupar garotos (Dembélé, Pulisic, no banco, Mor, Passlack, nem relacionados) em um momento de instabilidade e pressão, depositando as fichas na rodagem de Sahin, Kagawa, Reus.


Como todas as outras coisas, as estratégias estão sujeitas a dar certo ou não. Você pode estar convicto de que isso foi um erro e ter dito isso antes mesmo da derrota, mas a função do técnico não é te agradar. Acredite, ele precisa pensar no conjunto de jogadores e confiar nos analistas de desempenho, que sabem mais do que eu e você do que acontece no dia a dia do clube. Goste ou não, é preciso reconhecer que o plano de Tuchel tinha nexo.


Mas então você se pergunta, fã de esporte: mas esse cara não está puto por causa da eliminação? Estou, digamos que um pouco menos que um assassino em potencial e um pouco mais que sua mãe quando você deixa a tolha molhada em cima da cama. Mesmo assim, é preciso considerar o contexto.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Gol de Reus não foi suficiente para deter o Monaco


Menos de 24 horas antes da partida de ida, o Borussia Dortmund sofreu um atentado que poderia facilmente ter causado vítimas fatais. Entrou em campo em um cenário longe do ideal e manteve as chances vivas para a volta. Mas em Monaco sabíamos que a chance de conseguir algo era pequena.


O Borussia Dortmund perdeu para um time que foi melhor. Ainda não acho que seja melhor no geral, mas nos 180 minutos conseguiu mostrar uma superioridade. Os erros individuais do Borussia condenaram um duelo que já era precário.


E por isso não faz sentido nenhum colocar a culpa em Tuchel. No primeiro gol do Monaco, um rebote estranho de Bürki. No segundo, Ginter (que é fraco, consenso geral) não encontrou Falcao. E o terceiro gol só saiu graças a um novo passe errado de Piszczek. Em todos os três gols alguém cometeu um erro direto, e esse alguém não era Tuchel. A defesa é ruim? Sem dúvidas, mas as falhas foram individuais.


Divulgação/Borussia Dortmund
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Aubameyang foi um dos jogadores mais apagados do Borussia


A apatia compreensível dos jogadores depois de uma semana psicologicamente desafiadora também foi decisiva. Dembélé é novo e vai oscilar, e infelizmente isso aconteceu agora. Fez uma jogada colossal para assistir Reus, mas isso não apaga o fato de que segue errando mais do que pode e mereceu ir para o banco de reservas. Ele é um retrato de que o projeto do Borussia não vai satisfazer os imediatistas.


Tuchel tem a missão de fazer escolhas, e o que escolheu para tentar frear o Monaco não deu certo. Isso é do jogo. Crucificar o que eu classifico como um bom trabalho por causa de uma eliminação na Champions é burrice. Até porque estar entre os oito melhores da Europa não é pouca coisa, e pelo menos isso o Dortmund conseguiu.



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