Dortmund deu o melhor de si em um duelo desumano contra o Monaco

Perder de 3 a 2 em casa em um duelo de quartas de final da Champions é péssimo. No caso do Borussia Dortmund, não é diferente. Mas sorte do clube que isso pouco importa no momento.


O Borussia Dortmund perdeu. Não existe essa história de vencedor moral, nada apaga o resultado do campo, mas o que há é contexto. E o que cercou a atuação do Borussia foi um conjunto de elementos que tornam a partida heroica, independentemente do placar final.


O Dortmund não queria jogar e o Monaco concordou, mesmo assim a UEFA decidiu pela realização menos de 24 horas após o incidente por razões comerciais. Segundo Tuchel, o BVB foi informado por mensagem de texto que a partida seria realizada. Prevaleceu a falsa normalidade diante de um absurdo em detrimento do mínimo de decência.


Getty Images
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Kagawa marcou o segundo gol do Borussia na partida


E mesmo assim o Borussia fez um jogo digno. O primeiro gol do Monaco saiu de um impedimento claro. O segundo e o terceiro, em falhas individuais de jogadores que viveram o inferno horas antes de entrar em campo. Condenar esses erros é ignorar as circunstâncias.


O Monaco não tem culpa do que aconteceu com o Dortmund e nem da decisão da UEFA. Muito menos abalado, fez o jogo que lhe cabia e saiu vencedor. Leva uma vantagem considerável para a volta e não precisa ter vergonha de comemorar o resultado conquistado no campo.


Sobre a atuação do Borussia, ficou evidente que o evento envolvendo Bartra destruiu o que sobrou da defesa. Bender foi mal avaliado, voltou às pressas por necessidade e claramente sem condições. Isso também teve seu preço.


Tuchel disse que não teve condições de orientar o time taticamente antes do jogo, o que é compreensível. Optou por uma defesa cheia, que também não deu certo. Fora de compasso, o Dortmund permitiu que o Monaco, inteiro e focado, abrisse vantagem.


Divulgação/Borussia Dortmund
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É preciso relativizar a atuação do Borussia Dortmund


Com a experiência de Sahin no retorno do intervalo, Tuchel pediu para que o Dortmund explorasse melhor as laterais do Monaco. Pulisic deu mais ofensividade pelo lado direito contra o fraco Raggi, substituto de Mendy. Deu certo, o time conseguiu ser competitivo, levou perigo e fez dois gols. Pena que Piszczek entregou o terceiro gol aos franceses.


Pensar na classificação é algo em segundo plano para esse time. De qualquer forma, não acho que a eliminatória está decidida. Conseguir um 3 a 1 no principado, com Reus de volta e o time emocionalmente mais forte, é um objetivo tangível.


A UEFA criou uma situação de anti-jogo. Colocou em campo uma equipe desestabilizada por motivos menores e pode ter sido decisiva para essas quartas. Mesmo prejudicado, o Dortmund foi gigante e pode comemorar esse resultado. A derrota é o que menos importa para quem temeu pelo pior e menos de 24 horas depois precisou se submeter a um desafio desse tamanho.



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