O que esperar do Monaco contra o Borussia na Champions?

Quem acompanha este espaço sabe bem como é o momento do Borussia Dortmund. Depois de uma sequência que exigiu grandes esforços e criou desfalques, o Dortmund tem agora pela frente o Monaco, pela tão esperada Champions League. Mas como os franceses chegam para o duelo?


Convidei o amigo Renato Rodrigues, parceiro do blog quando o assunto envolve futebol francês, para explicar a situação do clube monegasco. Diferentemente do Borussia, o time teve uma sequência tranquila e passou dificuldades apenas no último final de semana contra o Angers, podendo chegar bem mais descansado. Confira no relato a seguir.


Getty Images
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Monaco superou o Manchester City de Guardiola nas oitavas


Na atual temporada a equipe do Monaco conseguiu unir um onze de bastante qualidade para competir no cenário francês e europeu. Mas, sem um elenco capaz de manter as principais características dos titulares, as mudanças em cada posição devem ser mínimas para não haver perda de nível em cada setor. Com a ausência de um plano B para compensar principalmente o desgaste, já que o time está com o calendário correndo desde o final de julho, a queda na capacidade de competir e produzir gols é clara recentemente.


O ápice dos problemas monegascos surgiu contra o Paris Saint-Germain na final da Coupe de la Ligue, quando o ASM foi derrotado por 4 x 1 pela equipe de Unai Emery e dominado em vários aspectos por conta dos ajustes realizados pelo treinador espanhol para bater a organização monegasca. Além da queda de qualidade em relação ao onze, há sempre o problema na estrutura defensiva da equipe, que faz com que a defesa seja sobrecarregada e o time corra riscos desnecessários durante os noventa minutos, sem contar os problemas na bola parada defensiva.


O ponto forte do Monaco segue sendo o poder de seus jogadores dentro do futebol que Leonardo Jardim defende. É partindo do perfil dos mesmos que Jardim foi capaz de construir uma das equipes mais prolíficas da Europa, marcando uma quantidade absurda de gols através do jogo pelos lados do campo na base da surpresa e insistência. Com o auge de nomes como Bernardo Silva, Thomas Lemar, Benjamin Mendy, o resgate do futebol de Radamel Falcao e o surgimento do jovem Kylian Mbappé, o sucesso é quase inevitável.


O Monaco não é uma equipe que apresenta uma real garantia de vantagens sobre o adversário atacando e principalmente defendendo. Quando tem a sua pressão e seus encaixes altos superados, a sua defesa acaba sofrendo por ceder demasiado espaço e, no mínimo, é pega sempre em igualdade e inferioridade numérica com uma boa quantidade de jogadores correndo atrás da bola quando o adversário está próximo da sua área. Além disso, já enfrentou problemas para criar futebol diante de equipes que apresentaram uma defesa mais posicionada na França pela falta de argumentos ofensivos mais elaborados.



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Por fim, podemos destacar o time pela força das duplas em cada setor para bater o Dortmund. Com Sidibé-Mendy nas laterais, Fabinho-Bakayoko no centro, Bernardo Silva-Lemar nos lados e Falcao-Germain no ataque, com o acréscimo de Mbappé, o hábito de levar o jogo para os lados do campo e agredir o adversário através de cruzamentos torna cada retomada de posse bastante perigosa pela abordagem vertical e direta que são executados seus ataques. Quanto mais terreno para correr, melhor para o Monaco explorar espaços com as sobreposições dos laterais, as conduções e associações dos extremos e a capacidade de finalização de seus atacantes, respaldados pela capacidade de recuperação de seus meias centrais.


Para saber mais sobre o Monaco, indico ainda a última edição do Le Podcast du Foot.